A culpa é da China, mas não só: Por que a Vale (VALE3) deve frustrar as expectativas e ter lucro menor no 1T23
Dados de produção da Vale (VALE3) vieram abaixo do esperado e fizeram analistas revisar para baixo as projeções para o balanço; saiba o que esperar

Dando tração ao calendário de balanços do primeiro trimestre deste ano, a Vale (VALE3) divulga seus números na noite desta quarta-feira (26).
Se na temporada anterior havia todo um frisson de que a reabertura chinesa daria um belo impulso à companhia — e, por consequência, aos papéis —, não foi bem esse o cenário que se desenhou nos últimos meses.
Com o mercado ansioso por um desfecho para a venda da parte de metais básicos da Vale e prestes a descobrir como será ter um conselheiro da Cosan (CSAN3) na mesa, a expectativa pelo balanço em si é baixa — especialmente após o relatório operacional da semana passada, que veio abaixo do esperado.
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A expectativa do mercado é de queda forte nos três principais indicadores financeiros da mineradora. Confira as projeções dos analistas a seguir, de acordo com dados da Bloomberg:
- Receita líquida - R$ 44,5 bilhões (-21,5% na comparação anual)
- Ebitda ajustado - R$ 22,3 bilhões (-33,4% na comparação anual)
- Lucro líquido - R$ 12,3 bilhões (-46,7% na comparação anual)
A culpa é da China (mas não só)
Uma das principais razões para o desânimo dos investidores e que inclusive fez a Vale cair quase 4% no primeiro pregão desta semana está na demanda chinesa, bem aquém do esperado para essa época do ano.
Normalmente, a China compra minério antes do feriado da Semana Dourada, que acontece no começo de maio, de olho num consumo mais forte que acontece logo após essa data.
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O problema é que neste ano as compras não estão tão aceleradas como era esperado, o que prejudicou a Vale e acendeu um alerta sobre o consumo chinês.
Se antes muita gente apostava num boom para as empresas de commodities por causa da reabertura chinesa, agora o mercado prefere aguardar para ver o que vem a seguir. E o balanço da Vale pode ser um bom termômetro.
"A parte de commodities metálicas no geral sofre, é um trimestre difícil por causa das chuvas. Neste começo de ano tivemos problemas com ferrovias, portos e com as chuvas, o que afetou o escoamento da produção", afirma Gabriela Joubert, analista-chefe do Inter.
Em relatório, o Bank of America (BofA) destacou que tanto a produção de minério de ferro quanto de metais básicos foram mais fracas durante o primeiro trimestre deste ano. O período de chuvas e problemas com a ferrovia MRS também pesaram nesse resultado.
A Vale informou que espera reverter esse acúmulo de estoque nos próximos meses, sem alterar seu plano anual de vendas.
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Confira o episódio desta semana do quadro A Dinheirista, em que a repórter Julia Wiltgen resolve esse e mais casos cabeludos envolvendo dinheiro.
"Vemos uma queda potencial de aproximadamente US$ 400 milhões em relação à nossa previsão de Ebitda de US$ 4 bilhões para o trimestre", escrevem os analistas do BofA.
Diante disso, alguns bancos ainda enxergam a Vale negociando a bons múltiplos, mas preferem o cobre em detrimento do minério de ferro diante de uma oferta maior que a demanda, caso do Santander.
Vale (VALE3) sem brilho?
Para o Itaú BBA, sim. Em relatório, os analistas apontaram "volumes sem brilho" após a divulgação dos dados operacionais da mineradora, o que provocou a redução das estimativas para o balanço.
A equipe revisou a estimativa de Ebitda de US$ 4,1 bilhões para US$ 3,7 bilhões nos três primeiros meses deste ano, especialmente por causa dos volumes mais fracos do que o esperado e da realização dos preços do minério de ferro. Eles observam também a maior pressão de custos.
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