Caso Americanas: Itaú rebate Lemann e diz que é ‘leviano’ atribuir aos bancos responsabilidade sobre rombo contábil
Para o Itaú, as demonstrações financeiras da Americanas são de responsabilidade única e exclusiva da varejista, incluindo diretoria e conselho

O Itaú Unibanco chamou de "leviano" um dos argumentos apresentado pelo trio Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira no último domingo (22) no contexto do escândalo contábil envolvendo a Americanas.
Na nota assinada pelo trio, eles afirmaram que a PwC, que audita o balanço da Americanas, fez uso regular de "cartas de circularização" enviadas pelos bancos que mantinham operações com a varejista e que nenhuma das instituições denunciaram irregularidades. Esse tipo de documento é uma comunicação da equipe de auditoria com terceiros para confirmar alguns fatos contábeis e saldos.
"O Itaú Unibanco esclarece que a elaboração e aprovação das demonstrações financeiras que espelhem a realidade da companhia são responsabilidade única e exclusiva da administração da empresa, incluindo sua diretoria e seu conselho, e sem nenhuma influência dos bancos ou outros credores", disse o Itaú em nota enviada à imprensa.
O banco também destaca que as cartas de circularização são apenas um instrumento que apoiam a auditoria.
"Dessa forma, é leviana a tentativa de atribuir aos bancos qualquer responsabilidade sobre as práticas contábeis irregulares da empresa", finalizou o Itaú.
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Americanas e 3G x Bancos
Desde que o escândalo contábil da Americanas veio à tona, duas semanas atrás, os bancos travam uma guerra judicial contra a varejista e seus acionistas de referência, os bilionários da 3G.
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Dois dias depois da revelação do rombo bilionário, os sócios bilionários da Americanas se dispuseram a fazer uma injeção de capital de R$ 6 bilhões para mitigar os efeitos da inconsistência contábil.
A proposta foi apresentada durante negociações que aconteceram na sexta-feira (13) com o ex-presidente da Americanas, Sergio Rial, e alguns dos maiores bancos do Brasil. Mas os bancos julgaram o montante insuficiente e pressionaram os acionistas de referência.
O imbróglio ganhou contornos de disputa judicial já naquela sexta-feira, quando a Americanas obteve uma decisão no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) que suspendia qualquer vencimento antecipado de dívidas e bloqueio de bens da companhia.
No seu pedido à Justiça, a Americanas disse que alguns credores já a estavam notificando para declarar o vencimento antecipado das obrigações, citando especificamente uma dívida junto ao BTG Pactual no valor de R$ 1,2 bilhão. O documento trouxe, ainda, uma explicação na qual a dívida total da varejista chegada a R$ 40 bilhões.
Porém, o BTG entrou com mandado de segurança com pedido de liminar na terça-feira (17). A liminar foi concedida ontem (18) e, depois dela, outros bancos resolveram entrar na Justiça contra a tutela cautelar da Americanas.
A recuperação judicial da Americanas
A situação forçou a Americanas a acelerar o pedido de recuperação judicial, protocolado e aceito na última quinta-feira (19). E, durante todo esse imbróglio, o 3G não havia se pronunciado publicamente sobre o caso. Foi apenas no domingo (22) que o trio quebrou o silêncio.
Em nota conjunta, Lemann, Telles e Sicupira disseram que jamais tiveram conhecimento da inconsistência. Além disso, os três bilionários também garantiram que a empresa tem sido gerida, nos últimos 20 anos, por "executivos considerados qualificados e de reputação ilibada".
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