É hora do desembarque? BTG corta recomendação para Azul (AZUL4) e Gol (GOLL4) mesmo com melhora das aéreas no pós-pandemia
O banco também elegeu suas companhias aéreas preferidas: a Copa Airlines e a Latam, elevando a recomendação de ambas de neutro para compra

Os dias de inverno costumam ser mais limpos e melhores para as viagens de avião. A zona de alta pressão formada expulsa as nuvens do céu, facilitando a visibilidade e a decolagem. Mas Azul (AZUL4) e Gol (GOLL4) não estão entre as companhias aéreas preferidas do BTG Pactual para aproveitar o bom tempo.
Explico: o banco cortou a recomendação de compra para neutro das duas empresas, destacando melhorias pontuais no pós-pandemia. Entretanto, os problemas com dívidas e o cenário de altos juros é um fator que pesa contra as companhias.
O BTG também elegeu suas companhias aéreas preferidas: a Copa Airlines e a Latam — elevando a recomendação de ambas de neutro para compra. A mexicana Volaris, outra empresa que o banco cobre, permaneceu como recomendação de compra. Vale ponderar que nenhuma das três possui ações listadas na B3
Analisando as companhias aéreas mais a fundo
Em um relatório publicado nesta quinta-feira, o BTG destaca que o setor foi um dos mais atingidos pela pandemia de covid-19. O fechamento das fronteiras exigiu que as empresas lidassem com um forte prejuízo do período.
Azul e Gol precisaram passar por reestruturações de dívida mais intensas, implicando em algum tipo de diluição do patrimônio, de acordo com o BTG. A própria Latam entrou em um processo de recuperação judicial, do qual se livrou em novembro passado.
Já a Copa foi a que conseguiu lidar melhor com o período pandêmico devido ao seu histórico de austeridade e baixa alavancagem. A Volaris ainda se beneficiou do setor ainda em consolidação no México.
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Então, o que há de errado com Azul e Gol?
O banco destaca que a alteração é apenas uma “mudança temporária de preferências”. Acontece que as duas companhias ficaram para trás no volume de rotas internacionais após um crescimento acelerado no tráfego doméstico durante os primeiros meses do pós-pandemia.
A maior instabilidade do mercado local também é um ponto importante que pesa nas aéreas. As altas taxas de juros tendem a pressionar o setor — e o recente movimento de interferências do governo nas passagens aéreas não agradou muito os analistas.
Por fim, a volatilidade do preço dos combustíveis, os custos excessivamente elevados e a desaceleração econômica — que pode reduzir o apetite por viagens — podem piorar ainda mais a situação de Azul e Gol.
Apesar do corte na recomendação pelo BTG, as ações das aéreas registram alta firme hoje na B3. Por volta das 15h15, as ações AZUL4 disparavam 7% e GOLL4 subia 3,5%.
A descompressão da curva de juros futuros (DIs) e a queda no preço do barril do petróleo ajudam as ações hoje.
Também vale destacar que houve uma redução de 17,26% no custo de passagens aéreas, de acordo com o IPCA-15 de maio, o que ajuda a colocar a viagem de avião no orçamento de mais pessoas.
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