Americanas (AMER3) recebe novo enquadro da B3: varejista é “expulsa” do Novo Mercado e recebe multas milionárias; veja a resposta da empresa
Esta é a primeira vez na história que a B3 aplica a sanção de suspensão do Novo Mercado a uma companhia listada na bolsa
Há quem diga que existe vida após o tombo. Mas, após a revelação de um rombo contábil multimilionário, a história da Americanas (AMER3) ganhou um novo capítulo conturbado nesta semana. A varejista acaba de receber um novo enquadro da B3.
A bolsa brasileira decidiu suspender a Americanas do Novo Mercado — o nível mais elevado de governança corporativa da bolsa de valores brasileira, com regras mais rigorosas — por tempo indeterminado.
Esta é a primeira vez na história que a B3 aplica a sanção de suspensão do Novo Mercado a uma companhia listada na bolsa.
Além da “expulsão” da varejista do Novo Mercado, executivos da empresa ainda receberão multas, que, somadas, chegam a R$ 6,45 milhões. Entre os funcionários multados, estão integrantes da diretoria, do conselho de administração e do comitê de auditoria.
A Diretoria de Emissores da B3 decidiu multar dois ex-diretores e ex-membros conselho de administração da Americanas (AMER3), Anna Christina Saicali e Miguel Gutierrez, em R$ 395 mil cada, no teto da sanção prevista. Outros três conselheiros receberam a mesma multa.
Além disso, oito diretores, um membro do Comitê de Auditoria e oito conselheiros receberam penalidades financeiras de R$ 263,39 mil cada — incluindo o bilionário Carlos Alberto “Beto” Sicupira.
Leia Também
Tesla perde liderança para a BYD após queda nas vendas de veículos elétricos
De acordo com o comunicado da B3, as punições ocorrem devido ao descumprimento de normas do segmento de listagem.
A suspensão da Americanas e as multas aos administradores vêm na esteira da retirada da varejista dos índices de ações da bolsa, como o Ibovespa B3 e o ISE B3, em janeiro deste ano, após o pedido de recuperação judicial da companhia.
Os argumentos da B3 sobre a Americanas
De acordo com a B3, a bolsa identificou indícios de que a Americanas (AMER3) e os administradores não cumpriram com requisitos da regulamentação do Novo Mercado.
Entre os pontos citados pela autarquia, estão a falta de um acompanhamento efetivo da área de auditoria e de controles internos e da política de gerenciamento de riscos.
Além disso, a B3 destaca um vácuo na avaliação efetiva das informações trimestrais e demonstrações intermediárias e financeiras da companhia.
É importante lembrar que, desde o lançamento, em 2000, o Novo Mercado estabeleceu um padrão de governança corporativa diferenciado.
O segmento se tornou o padrão de transparência e governança exigido pelos investidores para novas aberturas de capital.
A listagem demanda um conjunto de regras societárias que aumentam os direitos dos acionistas, além da divulgação de políticas e existência de estruturas de fiscalização e controle.
Vale destacar que a Americanas (AMER3) e os administradores ainda podem recorrer à decisão nos próximos 15 dias.
“Caso a Americanas ou os administradores recorram, as punições são paralisadas até que a B3 aprecie cada recurso – segundo o regulamento, não há prazo determinado para a decisão final da bolsa”, escreveu a B3, em nota à imprensa.
Em comunicado na manhã desta quinta-feira (09), a varejista afirmou que apresentará recurso que “deverá suspender os efeitos da sanção até decisão sobre o recurso”. Confira o posicionamento na íntegra:
"A Americanas informa que tomou ciência da decisão proferida pela B3 e apresentará recurso com efeito suspensivo.
A Companhia entende que cumpre todos os requisitos do Novo Mercado, com os controles exigidos, e confia que a decisão seja devidamente revista.
A Americanas reitera que foi vítima de uma fraude de resultados de sua antiga diretoria, que manipulou dolosamente os controles internos e governança existentes.
A Companhia acredita que mecanismos de governança corporativa, tais como os previstos no Regulamento do Novo Mercado e adotados pela empresa, não blindam uma sociedade contra fraudes complexas como a verificada na Americanas, inclusive levada a cabo por manipulação concertada de informações por parte da antiga diretoria."
- VEJA TAMBÉM: BBSE3 tem histórico de dividendos “gordos”, mas ainda vale a pena investir? Descubra aqui
O que acontece com as ações da Americanas (AMER3) na B3?
Apesar da suspensão da Americanas (AMER3) do Novo Mercado, as ações da companhia continuam listadas na B3 e seguem disponíveis para negociação.
Entretanto, a varejista não pode utilizar o selo do Novo Mercado e deverá observar todas as regras do segmento especial.
Se a decisão da B3 for levada adiante e a Americanas eventualmente quiser retornar ao Novo Mercado, a empresa terá que divulgar documentos para assegurar à bolsa brasileira que está cumprindo as regras.
Para isso, a companhia precisará divulgar demonstrações financeiras acompanhadas de avaliação do auditor independente sem ressalvas, o relatório dos auditores de recomendações para o aprimoramento dos controles internos, todas as informações financeiras intermediárias pendentes e o parecer do comitê independente que analisa o caso.
Vale lembrar que a varejista possui balanços atrasados desde o quarto trimestre do ano passado e está refazendo as demonstrações financeiras de 2021 e 2022.
Até então, a divulgação dos resultados de outubro a dezembro de 2022 está marcada para 13 de novembro. Já os balanços referentes ao primeiro, segundo e terceiro trimestres de 2023 devem ser publicados em 29 de dezembro.
EMAE desiste de compra de debêntures da Light (LIGT3) e rescinde acordo com BTG Pactual; entenda o motivo
O acordo havia sido firmado em setembro de 2025, mas ainda dependia da aprovação prévia da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel)
Prio (PRIO3) anuncia aumento de capital no valor de R$ 95 milhões após exercício de opções de compra de ações
Diluição dos acionistas deve ser pequena; confira os detalhes da emissão das novas ações PRIO3
Marisa (AMAR3) ganha disputa na CVM e mantém balanços válidos
Colegiado da CVM acolheu recurso da varejista, derrubou entendimento da área técnica e afastou a exigência de reapresentação de balanços de 2022 a 2024 e de informações trimestrais até 2025
Dasa (DASA3) quer começar o ano mais saudável e vende hospital por R$ 1,2 bilhão
A companhia anunciou a venda do Hospital São Domingos para a Mederi Participações Ltda, por cerca da metade do que pagou há alguns anos
Por R$ 7, Natura (NATU3) conclui a venda da Avon Internacional e encerra capítulo turbulento em sua história
A companhia informou que concluiu a venda da Avon Internacional para o fundo Regent LP. O valor pago pela operação da marca foi simbólico: uma libra, cerca de R$ 7
Cyrela (CYRE3) aprova aumento de capital de R$ 2,5 bilhões e criação de ações preferenciais para bonificar acionistas
Assembleia de acionistas aprovou bonificação em ações por meio da emissão de papéis PN resgatáveis e conversíveis em ações ordinárias, com data-base de 30 de dezembro
Ressarcimento pelos CDBs do Banco Master fica para 2026
Mais de um mês depois de liquidação extrajudicial do Banco Master, lista de credores ainda não está pronta.
Cosan (CSNA3): Bradesco BBI e BTG Pactual adquirem fatia da Compass por R$ 4 bilhões, o que melhora endividamento da holding
A operação substitui e renegocia condições financeiras da estrutura celebrada entre a companhia e o Bradesco BBI em 2022
Petz e Cobasi: como a fusão das gigantes abre uma janela de oportunidade para pet shops de bairro
A união das gigantes resultará em uma nova empresa com poder de negociação e escala de compra, mas nem tudo está perdido para os pequenos e médios negócios do setor, segundo especialistas
Casas Bahia aprova aumento de capital próprio de cerca de R$ 1 bilhão após reestruturar dívida
Desde 2023, a Casas Bahia vem passando por um processo de reestruturação que busca reduzir o peso da dívida — uma das principais pedras no sapato do varejo em um ambiente de juros elevados
Oi (OIBR3) não morreu, mas foi quase: a cronologia de um dos maiores desastres da bolsa em 2025
A reversão da falência evitou o adeus definitivo da Oi à bolsa, mas não poupou os investidores: em um ano marcado por decisões judiciais inéditas e crise de governança, as ações estão entre as maiores quedas de 2025
Cogna (COGN3), Cury (CURY3), Axia (AXIA3) e mais: o que levou as 10 ações mais valorizadas do Ibovespa em 2025 a ganhos de mais de 80%
Com alta de mais de 30% no Ibovespa no ano, há alguns papéis que cintilam ainda mais forte. Entre eles, estão empresas de educação, construção e energia
R$ 90 bilhões em dividendos, JCP e mais: quase 60 empresas fazem chover proventos às vésperas da taxação
Um levantamento do Seu Dinheiro mostrou que 56 empresas anunciaram algum tipo de provento para os investidores com a tributação batendo à porta. No total, foram R$ 91,82 bilhões anunciados desde o dia 1 deste mês até esta data
Braskem (BRKM5) é rebaixada mais uma vez: entenda a decisão da Fitch de cortar o rating da companhia para CC
Na avaliação da Fitch, a Braskem precisa manter o acesso a financiamento por meio de bancos ou mercados de capitais para evitar uma reestruturação
S&P retira ratings de crédito do BRB (BSLI3) em meio a incertezas sobre investigação do Banco Master
Movimento foi feito a pedido da própria instituição e se segue a outros rebaixamentos e retiradas de notas de crédito de agências de classificação de risco
Correios precisam de R$ 20 bilhões para fechar as contas, mas ainda faltam R$ 8 bilhões — e valor pode vir do Tesouro
Estatal assinou contrato de empréstimo de R$ 12 bilhões com cinco bancos, mas nova captação ainda não está em negociação, disse o presidente
Moura Dubeux (MDNE3) anuncia R$ 351 milhões em dividendos com pagamento em sete parcelas; veja como receber
Cerca de R$ 59 milhões serão pagos como dividendos intermediários e mais R$ 292 milhões serão distribuídos a título de dividendos intercalares
Tupy (TUPY3) convoca assembleia para discutir eleição de membros do Conselho em meio a críticas à indicação de ministro de Lula
Assembleia Geral Extraordinária debaterá mudanças no Estatuto Social da Tupy e eleição de membros dos conselhos de administração e fiscal
Fundadora da Rede Mulher Empreendedora, Ana Fontes já impactou mais de 15 milhões de pessoas — e agora quer conceder crédito
Rede Mulher Empreendedora (RME) completou 15 anos de atuação em 2025
Localiza (RENT3) e outras empresas anunciam aumento de capital e bonificação em ações, mas locadora lança mão de ações PN temporárias
Medidas antecipam retorno aos acionistas antes de entrada em vigor da tributação sobre dividendos; Localiza opta por caminho semelhante ao da Axia Energia, ex-Eletrobras
