É fraude! Americanas (AMER3) enfim revela como a diretoria anterior provocou o rombo contábil bilionário — e dá nome aos bois
Americanas aponta a participação do ex-CEO Miguel Gutierrez e diretores, mas isenta conselho de administração e acionistas de referência

Se alguém ainda tinha pudor de chamar o caso do rombo contábil da Americanas (AMER3) de fraude, agora não precisa mais. A investigação, que produziu um relatório apresentado pela assessoria jurídica da varejista, concluiu o que todos sabiam, mas agora traz detalhes de como os balanços da companhia foram fraudados.
E mais: o documento aponta a participação do ex-CEO Miguel Gutierrez, além de três diretores e outros três executivos no esquema.
Mas antes de explicar de forma mais minuciosa como se deu o rombo contábil, vamos aos valores. De acordo com a investigação, os lançamentos fraudulentos no balanço totalizavam R$ 21,7 bilhões em setembro de 2022, o último publicado pela Americanas.
Incluindo os juros sobre operações financeiras de R$ 3,6 bilhões que a empresa não contabilizou, a fraude ajudou a inflar os balanços em R$ 25,3 bilhões, de acordo com a Americanas.
Por outro lado, a investigação isentou o conselho de administração da Americanas, que tem entre os integrantes o bilionário Carlos Alberto Sicupira. Ao lado de Jorge Paulo Lemann e Marcel Telles, ele forma o trio de acionistas de referência da varejista, com pouco mais de 30% do capital.
"Os documentos que deram origem ao relatório demonstram ainda os esforços da diretoria anterior das Americanas para ocultar do Conselho de Administração e do mercado em geral a real situação de resultado e patrimonial da Companhia", informou a Americanas, em fato relevante encaminhado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Leia Também
VEJA TAMBÉM - BRASIL VAI VIRAR UMA ARGENTINA? ENTENDA A CRISE DOS HERMANOS E VEJA SE O MESMO PODE ACONTECER AQUI
Americanas: de onde veio a fraude
Afinal, como o ex-CEO e os então diretores da Americanas conseguiram fraudar os balanços? De acordo com o relatório apresentado pelos assessores jurídicos da companhia, os contratos de verba de propaganda cooperada e instrumentos similares (VPC) foram o principal instrumento.
Os VPCs são incentivos comerciais usuais no setor de varejo. O problema, no caso da Americanas, é que eles teriam sido artificialmente criados para melhorar os resultados operacionais. Desta forma, havia uma redução de custo, mas sem efetiva contratação com fornecedores.
Em contrapartida a esses contratos sem lastro financeiro, os balanços da Americanas vinham com lançamentos lançamentos redutores da conta de fornecedores, no valor de R$ 17,7 bilhões. A diferença de R$ 4 bilhões apareceu em outras contas do ativo da varejista.
Já o caixa para financiar essa operação veio basicamente de empréstimos bancários e sem as devidas aprovações societárias, ainda de acordo com a Americanas.
Foram R$ 18,4 bilhões em operações de financiamento de compras (risco sacado, forfait ou confirming) e R$ 2,2 bilhões em capital de giro.
"A indevida contabilização dessas operações de financiamento nos demonstrativos financeiros da Americanas não permitiu a correta determinação do grau de endividamento da Companhia ao longo do tempo", acrescentou a varejista.
- O mercado está otimista para o segundo semestre – e você pode ser um dos investidores a lucrarem MUITO com a possível alta das ações. DESCUBRA AQUI O PLANO para ter a chance de ganhar até R$ 500 mil em 36 meses investindo nos papéis certos agora.
Americanas: antiga diretoria participou da fraude
O relatório indica, ainda, a participação na fraude do ex-CEO Miguel Gutierrez, dos ex-diretores Anna Christina Ramos Saicali, José Timótheo de Barros e Márcio Cruz Meirelles, além dos ex-executivos Fábio da Silva Abrate, Flávia Carneiro e Marcelo da Silva Nunes.
Gutierrez deixou a Americanas no fim do ano passado, quando deu lugar a Sergio Rial. Foi apenas após a mudança no comando que o rombo bilionário veio a público. Junto com a revelação, Rial decidiu deixar o cargo de CEO menos de duas semanas após a assumir o cargo.
Quanto aos demais nomes da antiga diretoria, José Timótheo de Barros sofreu afastamento no início de fevereiro e renunciou no dia 1º de maio. A Americanas também afastou os demais executivos em fevereiro e agora a companhia determinou o desligamento definitivo.
*Matéria atualizada em 14/6 para incluir o valor das operações de juros que a empresa não contabilizou nos balanços
VENDE BRKM5, RECEBE DÍVIDA
OPA da Braskem (BRKM5) com data marcada: vale a pena trocar as ações pelo que o novo controlador oferece?
24 de setembro de 2026 - 12:32MAIS DE R$ 9 BILHÕES EM RECEITA
Yduqs (YDUQ3), dona da Estácio, anuncia fusão com a Afya e cria gigante em educação médica no Brasil; veja quanto cai no seu bolso
24 de setembro de 2026 - 9:02ALÉM DA PRIVATIZAÇÃO
Privatização da Copasa (CSMG3) chama atenção do mercado, mas Bradesco BBI tem ainda mais motivos para apostar em alta de mais de 38% para a ação
23 de setembro de 2026 - 16:21O PREÇO DA “GENEROSIDADE”
Petrobras (PETR4) caminha para um dos maiores dividendos do mundo. A ação ficou cara demais para comprar agora?
23 de setembro de 2026 - 14:25NOVO FILÃO DE CRESCIMENTO
Maior alta do Ibovespa hoje: Magazine Luiza (MGLU3) sobe na bolsa após decisão de agência do governo; entenda o que mexe com a varejista
23 de setembro de 2026 - 13:58GOVERNANÇA CORPORATIVA
O conselheiro é independente mesmo? Indicação pelo controlador é comum; saiba quando ela vira um problema para a empresa
23 de setembro de 2026 - 12:33SOB PRESSÃO
Braskem (BRKM5) vira campo de batalha: MP questiona processo e credores exigem que Petrobras (PETR4) e IG4 paguem parte da conta
23 de setembro de 2026 - 11:35PROVENTOS
Mais de R$ 600 milhões aos acionistas: confira quem tem direito a receber o JCP da Localiza (RENT4)
22 de setembro de 2026 - 19:27TERMÔMETRO DAS ELEIÇÕES
O mercado já escolheu seu cavalo eleitoral? Banco do Brasil (BBAS3) dispara 26% na bolsa, mas a conta não fecha só com as urnas
22 de setembro de 2026 - 17:03UM BOM NEGÓCIO?
Santander quer comprar seu papel SANB11 — mas o que o minoritário ganha ao trocar as ações por BDRs?
22 de setembro de 2026 - 14:16EXPANSÃO
Vale (VALE3) compra 30% da Ligga por R$ 972,36 milhões e prevê expandir capacidade em quatro vezes; qual o plano da mineradora?
22 de setembro de 2026 - 14:01ABRE E FECHA
JBS (JBSS32) fecha capital e J&F quer ser aberta no Brasil: o que muda para o investidor em ações e debêntures na B3
22 de setembro de 2026 - 11:43DE A PARA B
Entre JBS e J&F: o xadrez financeiro dos irmãos Batista na B3
21 de setembro de 2026 - 19:37PREPAREM O BOLSO
Dividendos e JCP: empresas anunciam mais de R$ 600 milhões aos acionistas; saiba quem paga e quando receber
21 de setembro de 2026 - 19:13SINERGIAS
Fusão com a Afya pode turbinar lucro da Yduqs (YDUQ3) e deixar ação mais barata, segundo Itaú BBA; veja o possível prêmio
21 de setembro de 2026 - 17:41A PENEIRA DOS BANCÕES
Itaú, Bradesco ou Banco do Brasil: BofA escolhe seu favorito na B3 — e deixa uma ação de escanteio
21 de setembro de 2026 - 15:57ALÉM DAS FRONTEIRAS
Petrobras acena com descobertas de gás na Colômbia. Aonde a estatal quer chegar?
21 de setembro de 2026 - 14:04ACESSO AO MERCADO DE CAPITAIS
J&F, dos irmãos Batista, pede registro de companhia aberta na CVM: entenda o plano da gigante para ser mais que uma holding
21 de setembro de 2026 - 11:04MAIS UM PASSO
Braskem (BRKM5) vai deixar a B3? CVM dá sinal verde para OPA. Saiba o que isso significa para os acionistas minoritários da petroquímica
21 de setembro de 2026 - 10:42MARGEM EQUATORIAL