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Vinícius Pinheiro

Vinícius Pinheiro

Jornalista e escritor, é diretor de redação dos sites Money Times e Seu Dinheiro. Formado em Jornalismo e com MBA em Derivativos e Informações Econômico‑Financeiras pela FIA, tem mais de 25 anos de experiência e passou por redações como Valor Econômico, Agência Estado e Gazeta Mercantil. É autor dos romances Os Jogadores, Abandonado e O Roteirista

BALANÇO

Lemann vai brindar? Ambev (ABEV3) tem lucro acima do esperado no 4T22, mas as ações caem mesmo assim

Com lucro de R$ 5,3 bilhões, alta 36,4% ante o quarto trimestre de 2021, Ambev deve dar algum motivo para Lemann comemorar em meio à crise na Americanas

Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
2 de março de 2023
8:19 - atualizado às 16:33
Jorge Paulo Lemann, o homem mais rico do Brasil e sócio da Ambev
Jorge Paulo Lemann, o homem mais rico do Brasil e sócio da Ambev - Imagem: Shutterstock e divulgação. Montagem: Brenda Silva

Desde a revelação do escândalo contábil da Americanas (AMER3), as atenções do mercado se voltaram para os negócios do bilionário Jorge Paulo Lemann. Entre eles, é claro, a Ambev (ABEV3), a empresa que abriu as portas do "sonho grande" do empresário e seus sócios.

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Mas a divulgação do resultado da cervejaria no quarto trimestre deve dar motivos para Lemann brindar. Isso porque a Ambev registrou um lucro líquido ajustado de R$ 5,3 bilhões, o que representa um crescimento de 36,4% em relação ao mesmo período de 2021.

O resultado veio acima do esperado pelo mercado, que esperava um lucro por volta dos R$ 4 bilhões em razão do clima mais ameno nos últimos três meses do ano passado, que reduz o consumo de cerveja.

A Ambev conseguiu superar até mesmo a eliminação precoce do Brasil na Copa do Mundo, outro fator que preocupava os analistas. Afinal, com a seleção de Tite fora das fases finais no Catar os bares também perderam movimento.

No ano como um todo, a cervejaria de Jorge Paulo Lemann e seus sócios teve lucro de R$ 15,2 bilhões, um avanço de 12,6% em relação a 2021.

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Ambev (ABEV3): de onde veio o lucro

A Ambev atribui o aumento do lucro trimestral ao crescimento do Ebitda e à menor alíquota efetiva de impostos. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização cresceu 27,4% no conceito orgânico em relação aos últimos três meses de 2021 e atingiu R$ 7,1 bilhões.

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O aumento do consumo de cervejas e refrigerantes pelos brasileiros ajudou no resultado da empresa de Lemann. O volume total vendido pela Ambev aumentou 1,5% no quarto trimestre, puxado justamente pelo crescimento no Brasil. Já nas outras regiões onde a companhia atua houve redução nos volumes.

Os números também indicam que a gigante de bebidas conseguiu promover reajustes de preços ao longo do quarto trimestre. Isso porque a receita líquida avançou bem mais que o volume vendido (+21,5%) e atingiu R$ 22,7 bilhões.

A pressão sobre a margem da Ambev, provocada pelo aumento das commodities e da inflação como um todo, continua. Mas aparentemente deu atenuada nos últimos três meses de 2022. A margem Ebitda da companhia inclusive cresceu 1,6 ponto percentual (no conceito orgânico) e chegou aos 31,3%.

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Ambev (ABEV3): expectativas para 2023

Por fim, junto com o resultado, a Ambev divulgou a projeção para o CPV (custo dos produtos vendidos) no negócio de cervejas no Brasil. A expectativa da companhia é que o CPV apresente crescimento de 6,0 e 9,9% em 2023 — ou seja, provavelmente ficará acima da inflação no ano.

O aumento dos custos, que exclui a venda de produtos de marketplace que não são da Ambev e assume os atuais preços das commodities, virá em decorrência principalmente da inflação em geral e do aumento no custo de algumas commodities, de acordo com a companhia.

Ainda assim, a expectativa da Ambev é entregar um crescimento de Ebitda acima dos 17,1% de 2022. Resta saber agora se os investidores vão brindar os resultados no pregão de hoje da B3. No ano, as ações da cervejaria (ABEV3) acumulam queda da ordem de 5%.

Um brinde ou um balde de água fria?

Nem mesmo o lucro acima do esperado foi tentador o suficiente para os analistas brindarem o resultado da Ambev. Na manhã desta quinta-feira, as ações ABEV3 reagiam em queda de 1,63%, a R$ 13,25.

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No geral, os analistas entenderam que o lucro acima do esperado não "desceu redondo" porque veio principalmente de um pagamento menor de impostos.

O Credit Suisse, por exemplo, qualificou o balanço como um "balde de água fria". Para os analistas, as receitas vieram abaixo do esperado diante do desempenho fraco das divisões internacionais da cervejaria.

Ainda assim, o banco tem recomendação "outperform" (equivalente a compra) para as ações da Ambev (ABEV3). O preço-alvo de R$ 18 representa um potencial de alta da ordem de 34% sobre o fechamento de ontem.

Fernando Ferrer, analista da Empiricus Research, destaca que o lucro da Ambev teria vindo abaixo do esperado se não fosse o impacto positivo da linha de imposto de renda.

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“Enxergamos Ambev (ABEV3) negociando a múltiplos altos (16,5 vezes seus lucros para 2023) e fragilidades no que tange a uma eventual reforma tributária e fim do JCP, que aumentaria a alíquota de imposto e reduziria o lucro líquido da companhia”, escreveu o analista da Empiricus, que tem recomendação short (posição vendida) em ações da cervejaria de Lemann.

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