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A Amazon fechou o quarto trimestre com lucro de US$ 278 milhões, ficando abaixo das expectativas dos analistas
A Amazon esteve sob pressão durante boa parte de 2022: a menor demanda pelo e-commerce, a inflação mais salgada nos EUA e os juros em alta no mundo afetaram as operações da big techs. Ainda assim, as projeções para o quarto trimestre eram relativamente otimistas — esperava-se um lucro de cerca de US$ 1 bilhão no período.
Só que esse otimismo todo se esvaiu — e, de certa maneira, chocou Wall Street. Divulgado há pouco, o balanço da Amazon mostrou um lucro de "apenas" US$ 278 milhões nos últimos três meses do ano passado; no quarto trimestre de 2021, o lucro havia sido de mais de US$ 14 bilhões.
Com isso, a gigante do e-commerce fechou o período entre outubro e dezembro do ano passado com um lucro por ação (LPA) bastante modesto, de apenas US$ 0,03. A média das projeções coletadas pela Estimize trabalhava com uma perspectiva de ganho por ação de US$ 0,21; a FactSect estimava lucro de US$ 0,21/ação.
O saldo dessa decepção, especialmente nas linhas de lucro, pode ser visto no desempenho das ações da Amazon (AMZN) em Wall Street: após encerrarem o pregão regular em alta de 7,38%, os papéis caem 4,14% no after market, sendo negociados a US$ 108,23.
Chama a atenção a falta de maiores esclarecimentos quanto ao mau desempenho financeiro da Amazon no trimestre. Em nota, o CEO da companhia, Andy Jassy, fala muito em "entregar o melhor serviço aos consumidores", mas sem entrar em detalhes nos números apresentados.
Com o trimestre complicado, a Amazon fechou o ano com números pouco festivos. No consolidado do ano de 2022, a varejista teve prejuízo líquido de US$ 2,7 bilhões — os especialistas trabalhavam com a hipótese de perdas próximas a US$ 1 bilhão. Em 2021, a companhia lucrou mais de US$ 33 bilhões.
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A receita líquida cresceu 9,4% de um ano para o outro, chegando a US$ 514 bilhões. Em linhas gerais, a história do quarto trimestre e do ano consolidado de 2022 é a mesma: receitas avançando num ritmo inferior aos custos — um descasamento que vai tirando forças do balanço e se propagando até a última linha.
Basicamente, a Amazon divide sua linha de receita em duas componentes: as vendas de produtos — o bom e velho e-commerce — e o faturamento com os serviços, em especial o armazenamento em nuvem. E uma tendência bastante nítida se forma ao analisarmos esses dois vetores.
O braço de vendas vem se enfraquecendo gradativamente: no quarto trimestre, respondeu por US$ 70,5 bilhões, queda de 1,2% em um ano; já a divisão de serviços saltou 19%, para US$ 78 bilhões — tendência semelhante foi vista nos números consolidados do ano.
Com isso, a receita líquida consolidada foi de US$ 149,2 milhões no quarto trimestre, alta de 8,5% em um ano; no consolidado de 2022, o crescimento foi de 9,3%, a US$ 513,9 bilhões.
No lado dos custos, a pressão aumentou em quase todas os fronts: custo de vendas, tecnologia, vendas e marketing, despesas gerais e administrativas — tudo cresceu na base anual. Com isso, o total de despesas operacionais foi de US$ 146,4 bilhões no quarto trimestre, alta de 9,4%.
Chama a atenção, também, o desempenho da Amazon nos diversos mercados globais: na América do Norte, as vendas aumentaram 13% no quarto trimestre; no segmento internacional, houve queda de 8% na mesma base de comparação.
A Amazon também forneceu algumas projeções financeiras para o primeiro trimestre de 2023, e elas mostram alguma evolução em relação aos três primeiros meses de 2022. A receita líquida prevista fica entre US$ 121 bilhões e US$ 126 bilhões, um crescimento de 4% a 8% em um ano.
Ainda assim, os números ficam abaixo dos US$ 149,2 bilhões de receita vistos neste quarto trimestre — um período sazonalmente mais forte, dadas as festas de fim de ano.
A produção superou em 0,5 ponto porcentual o limite do guidance da estatal, que previa crescimento de até 4%. O volume representa alta de 11% em relação a 2024.
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