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Apenas o novo aumento de capital que o conselho da Gafisa aprovou neste mês pode diluir os acionistas em mais de 50%; Emissão de novas ações pode passar de R$ 1,5 bilhão desde que Tanure entrou na companhia

Imersa em uma ferrenha disputa societária, a Gafisa (GFSA3) anunciou neste mês que pretende captar mais R$ 200 milhões dos acionistas, em um aumento de capital privado.
Essa seria apenas mais uma notícia comum relacionada ao mercado de capitais não fosse por um detalhe. Essa é a décima vez que a companhia pede dinheiro aos acionistas nos últimos três anos.
Também chama atenção o fato de essas operações terem se tornado mais frequentes a partir da entrada do empresário Nelson Tanure na companhia, em 2019.
Caso o novo aumento de capital vá adiante, o total de recursos que entrarão na Gafisa com a emissão de novas ações passará de R$ 1,5 bilhão na "era Tanure".
Mas nem mesmo todo esse dinheiro foi capaz de impulsionar a incorporadora, que hoje vale apenas R$ 330 milhões na B3. Ao contrário: no período em que o empresário passou a fazer parte do quadro de acionistas, a Gafisa perdeu aproximadamente 90% do valor na B3.
Aliás, um desses aumentos de capital foi o estopim do confronto que Tanure trava com a Esh Capital. Conhecida pelo ativismo, a gestora de fundos conseguiu suspender uma conversão de debêntures em ações da Gafisa, mas não impediu o aumento de capital mais recente da incorporadora, homologado no início deste ano.
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As operações da Gafisa chamaram a atenção da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Uma consulta ao site da autarquia mostra dois processos referentes a "aumentos de capital por subscrição privada". Um deles inclusive foi aberto na semana passada.
O Seu Dinheiro procurou a "xerife" do mercado de capitais, que informou que não comenta casos específicos. A Gafisa não respondeu ao pedido de entrevista até a publicação desta matéria. Posteriormente, a empresa enviou uma nota, cuja íntegra segue no final da reportagem.
Na proposta mais recente de aumento de capital, que o conselho aprovou no último dia 10, a Gafisa informou que o objetivo da operação é levantar recursos para novos investimentos e reforçar a estrutura de capital.
De modo geral, essa é a justificativa da incorporadora para a maioria das operações. Mas nesse período a Gafisa também emitiu ações em processos de conversão de debêntures e para pagar por aquisições, como a da Upcon, em 2020. Na ocasião, a empresa aumentou o capital em R$ 310 milhões.
Mesmo depois de todas as emissões de ações, a dívida líquida da Gafisa alcançou quase R$ 1,4 bilhão no fim de setembro. Trata-se de uma alta de 96% em relação ao fim de 2021. O balanço do quarto trimestre e de 2022 da companhia sai no dia 28 de março, após o fechamento do mercado.
Um dos problemas dos aumentos de capital é que, a cada operação, os acionistas que não colocam dinheiro acabam com a participação na companhia diluída.
Para se ter uma ideia, apenas no aumento de capital que o conselho aprovou neste mês a diluição pode chegar a 52,7%.
Quem não gostou nada da intenção da companhia de pedir mais dinheiro aos acionistas foi a Esh Capital. A gestora possui aproximadamente 15% do capital da incorporadora e informou que discorda da decisão da Gafisa.
“O último aumento, anunciado na tarde de ontem [dia 10] aos investidores, é o terceiro em dois meses, o que nos leva a continuar questionando a utilização dos recursos pela companhia”, disse a Esh, em nota. Ou seja, a disputa da gestora com Nelson Tanure pelo futuro da Gafisa tem tudo para esquentar ainda mais daqui para frente.
Veja a seguir a relação dos aumentos de capital da Gafisa nos últimos três anos:
| Data | Número de ações | Valor (R$ milhões) |
| 10/3/2023 | 28.490.029 | 200,0* |
| 3/01/2023 | 13.256.263 | 78,1 |
| 16/7/2021 | 27.892.638 | 128,0 |
| 9/6/2021 | 8.876.988 | 31,0 |
| 16/11/2020 | 9.944.150 | 42,0 |
| 7/8/2020 | 75.610.000 | 310,0 |
| 25/9/2020 | 95.121.951 | 390,0 |
| 23/10/2019 | 48.968.124 | 272,7 |
| 24/06/2019 | 12.170.035 | 62,3 |
| 24/06/2019 | 14.103.927 | 70,0 |
A Gafisa esclarece que o aumento de capital em curso, assim como todos os que o antecederam, atendem à política de governança da Companhia, e, especialmente, a todos os requisitos e formalidades legais e regulamentares aplicáveis.
A última operação de aumento de capital da Gafisa manteve-se hígida e foi regularmente concluída.
A totalidade dos aumentos de capital da Gafisa decorre de refletido planejamento financeiro, visando equacionamento das dívidas da Companhia e otimização de sua estrutura de capital. Em todos os casos, a todo e qualquer acionista foi garantido o direito de participação nos processos.
A adesão dos acionistas, com a subscrição de capital, é prova da confiança na Companhia e uma garantia de obtenção de recursos de forma saudável e eficiente, com menor custo.
A Companhia reafirma a conformidade de suas operações e informa que quaisquer outros esclarecimentos, se necessários, serão prestados oportunamente.
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