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Ricardo Gozzi

É jornalista e escritor. Passou quase 20 anos na editoria internacional da Agência Estado antes de se aventurar por outras paragens. Escreveu junto com Sócrates o livro 'Democracia Corintiana: a utopia em jogo'. Também é coautor da biografia de Kid Vinil.

PRÉVIA TRIMESTRAL

Magazine Luiza (MGLU3) e Via (VIIA3) se preparam para visitar o fundo do poço no segundo trimestre — mas será que ele tem um alçapão?

Resultados do Magazine Luiza e da Via seguem sob pressão dos juros altos e mercado se prepara para mais prejuízos

Ricardo Gozzi
9 de agosto de 2023
6:34 - atualizado às 10:23
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Imagem: Shutterstock/Divulgação - Montagem: Julia Shikota

Quando se chega ao fundo do poço, é prudente verificar se ele tem ou não um alçapão. E é nisso que os analistas estarão de olho quando tiverem acesso aos balanços do Magazine Luiza (MGLU3) e da Via (VIIA3) no segundo trimestre de 2023.

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A expectativa do mercado para o setor varejista como um todo não é das melhores. Um dos motivos é a pressão do elevado nível da taxa básica de juros sobre a demanda e as margens operacionais das empresas.

Bases de comparação altas também figuram como um importante ponto de atenção em relação aos resultados do varejo no segundo trimestre.

Na avaliação do banco BTG Pactual (BPAC11), o mais provável é que o setor mantenha o desempenho ruim dos trimestre anteriores, “mas com números piores”.

Embora nichos como o de consumo de luxo tenham a chance de se sair melhor que outros segmentos do varejo, a percepção é claramente negativa quando se fala de maneira mais específica de Magalu e Via.

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Acredita-se que as gigantes do comércio eletrônico visitarão o fundo do poço no recorte temporal de abril a junho.

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A expectativa dos analistas é de prejuízo líquido ajustado de R$ 170,667 milhões no Magazine Luiza e de R$ 321,4 milhões na Via, de acordo com dados da Bloomberg.

Mercado Livre elevou a barra para Magazine Luiza e Via

No início de agosto, o Mercado Livre reportou um resultado impactante e elevou a barra para os balanços do Magazine Luiza e da Via.

Chamou a atenção o fato de a plataforma ter abocanhado uma fatia considerável do território ocupado pela Americanas (AMER3) antes da revelação de uma fraude contábil multimilionária.

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A constatação é particularmente preocupante para o Magazine Luiza e a Via, uma vez que o cenário macroeconômico adverso e o colapso da Americanas tendem a acelerar uma consolidação nesse mercado.

Mesmo diante da perspectiva de visita ao fundo do poço pelas gigantes do comércio eletrônico, analistas veem o Magalu em uma situação melhor (ou menos pior) que a da Via.

Projeções do BTG Pactual para os resultados de Magazine Luiza e Via no segundo trimestre de 2023.

Magazine Luiza

A presidente do conselho de administração do Magalu, Luiza Trajano, destacou-se nos últimos meses como uma das críticas mais contumazes à política monetária contracionista do Banco Central (BC).

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Em junho, Luiza Trajano vestiu uma “saia justa” no presidente do BC, Roberto Campos Neto, ao contar durante um evento com a presença do banqueiro central que havia telefonado a ele “mais de 20 vezes” em busca de “um sinal” de quando os juros começariam a cair.

O ciclo de alívio na taxa Selic começou finalmente no início de agosto, mas seu impacto sobre o setor varejista ainda deve demorar alguns meses para começar a ser sentido.

Mesmo assim, apesar de o varejo brasileiro ter passado os últimos três trimestres sob uma taxa Selic de 13,75% ao ano, analistas esperam um resultado “misto” do Magazine Luiza entre abril e junho.

De um lado, os analistas de mercado projetam aumento discreto nas receitas e no volume bruto de mercadorias vendidas, também conhecido como GMV, esse é um dos principais indicadores do comércio eletrônico e representa o valor total negociado por uma empresa do setor, tanto nas lojas físicas quanto nos canais online.

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No caso do Magalu, os relatórios encaminhados ao Seu Dinheiro sugerem que o destaque será o volume comercializado no marketplace digital da varejista.

Em contrapartida, o Magazine Luiza deve amargar um prejuízo maior do que no segundo trimestre de 2022 e uma compressão da margem ebitda, medida usada para mensurar a capacidade de geração de caixa de uma empresa.

Na avaliação do Itaú BBA, o Magalu ainda tem um longo caminho pela frente antes de voltar aos dias de glória.

Confira a seguir as projeções do Santander e da XP para o Magazine Luiza no segundo trimestre.

Fonte: XP Investimentos.

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Via

Se a expectativa para o resultado do Magazine Luiza é “mista”, o mesmo não se pode dizer da Via. A dona das Casas Bahia, do Extra.com e do Ponto terá um trimestre ruim.

O balanço de VIIA3 figura entre os principais consensos negativos dos bancões e casas de análise para o segundo trimestre.

Os analistas projetam queda nas vendas pelo critério de “mesmas lojas”, retração no volume de vendas diretas pelo site, recuo na receita líquida, ebitda menor e prejuízo maior.

O que deve se salvar é o marketplace da Via, mas não numa escala suficiente para reverter a expectativa de um resultado ruim.

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“Diferentemente do primeiro trimestre de 2023, esperamos que a rentabilidade se deteriore devido a uma margem bruta mais fraca, desalavancagem operacional e, por enquanto, efeitos limitados das recentes medidas de redução de despesas gerais, administrativas e com vendas”, avalia o Santander Brasil.

Confira a seguir as projeções do banco Santander e da XP Investimentos para a Via no segundo trimestre.

Fonte: XP Investimentos.

O pior já passou?

A dúvida no momento é se o fundo do poço das gigantes do comércio eletrônico terá um alçapão ou servirá para que Magazine Luiza e Via tomem impulso para futuros saltos.

Para os analistas do BTG Pactual, o mercado até mesmo já embute parcialmente no preço das ações melhoras para MGLU3 e VIIA3 no segundo semestre de 2023.

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A divulgação do balanço da Via está prevista para 10 de agosto. O do Magalu deve sair no dia 14. Ambos são esperados para depois do fechamento da bolsa, com teleconferência de resultados na manhã seguinte a cada uma das divulgações.

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