Fundo imobiliário HCTR11 volta a investir em títulos ligados à Gramado Parks no mês da assembleia que aprovou renegociação das dívidas
A Hectare, gestora do FII, disse que não irá se pronunciar sobre o assunto. Já a Fortesec, emissora do ativos, destacou que é mérito da securitizadora ter conseguido manter os títulos fora da recuperação judicial da companhia

O fundo imobiliário Hectare CE (HCTR11) voltou a investir em títulos de crédito lastreados por ativos da Gramado Parks mesmo depois que o grupo de turismo, hotelaria e multipropriedades deixou de pagar juros e amortizações dos papéis.
A inadimplência desses e outros certificados de recebíveis imobiliários (CRIs) afeta os dividendos pagos aos mais de 196 mil cotistas do FII, que recuaram 50% no período. Na B3, as cotas do HCTR11 acumulam queda de 60,5% neste ano.
A Gramado parou de pagar os CRIs — emitidos pela securitizadora Fortesec — em março deste ano. Mas em outubro o fundo investiu R$ 14,45 milhões em três ativos lastreados pelo grupo que já faziam parte do portfólio — Aquan Prime, Gramado BV e GVI — e no OP Resort, que é emitido por outra companhia, mas encontra-se em negociação.
O fundo não detalhou qual foi a soma alocada em cada um dos títulos, que aconteceu no mesmo mês em que a Fortesec realizou uma assembleia na qual os titulares dos CRIs aprovaram a renegociação das dívidas da Gramado Parks.
No relatório de gestão, a Hectare informa que a empresa retomou as obras do parque aquático Aquan Foz do Iguaçu, empreendimento que é garantia do CRI Aquan Prime — confira o relatório na íntegra.
Procurada pelo Seu Dinheiro, a Hectare informou que não vai se pronunciar sobre o assunto. A Fortesec informou, em nota, que “os recursos só serão liberados para o pagamento dos avanços das obras. A obra parada significaria prejuízo imensurável aos investidores”. Você pode ler a posição completa da securitizadora no final desta reportagem.
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CRIs da Gramado Parks foram reestruturados
As reestruturações foram votadas em assembléias realizadas também em outubro, mesmo mês no qual o FII voltou a investir nos três ativos. Os encontros deliberaram pela aprovação de waivers aos títulos.
Já a renegociação do CRI Aquan Prime foi votada em novembro. A assembleia também aprovou um pedido de waiver que suspendeu os efeitos do vencimento antecipado da operação.
O título também recebeu uma carência total ao pagamento de amortização na parcela de novembro e carência parcial de juros na parcela de dezembro deste ano.
“Vale lembrar também que é mérito da securitizadora ter conseguido manter este CRI fora da Recuperação Judicial da Gramado Parks, para que seus investidores recebam o valor integral investido com os juros e correções devidas”, diz a Fortesec na nota enviada ao SD.
A securitizadora também conseguiu a aprovação de waiver a outros CRIs que têm a Gramado Parks como devedora. Duas dessas assembleias estão sendo questionadas pela gestora Devant, que alega que houve irregularidades nos encontros, incluindo impedimentos à participação de presentes.
Vale destacar que, além dos CRIs, o HCTR11 investe em cotas do fundo imobiliário Serra Verde (SRVD11), que segundo informações do último relatório gerencial disponível, nasceu a partir de um contrato de parceria com a Gramado Parks.
O fundo e o grupo firmaram um contrato com exclusividade de atuação para “praças definidas conjuntamente” pelo prazo de 10 anos renováveis.
A gestora do Serra Verde, RCap Asset, pertence à RTSC, holding que também investe na Hectare, gestora do HCTR11.
“Os serviços de gestão prestados ao Serra Verde pela RCap não podem ser confundidos como sociedade ou parceria comercial — de forma tendenciosa para criar ruídos junto ao mercado e aos leitores. Qualquer informação que deturpe a atividade da RCap ou induza o leitor a interpretação equivocada, portanto, é caluniosa”, esclareceu, em nota, a gestora.
Além delas, a Fortesec também tinha a RTSC como sócia. Porém, o controle da empresa foi transferido em abril para Juliana Mello e Rodrigo Ribeiro, executivos que já faziam parte da diretoria da securitizadora enquanto ela esteve sob o guarda-chuva da holding.
O que diz a Fortesec
A Fortesec encaminhou um posicionamento oficial relacionado ao relatório do HCTR11. Leia a seguir a íntegra:
Como foi amplamente divulgado, pela mídia, os recursos foram aportados para a retomada e conclusão das obras do Aquan Prime Foz do Iguaçu, visando o funcionamento do hotel e, consequentemente, gerando vendas e receitas para o pagamento total dos CRIs. Os recursos só serão liberados para o pagamento dos avanços das obras. A obra parada significaria prejuízo imensurável aos investidores.
O gestor da Devant tem votado contrariamente às iniciativas de recuperação do ativo porque seus interesses não estão direcionados à conclusão das obras e consequentemente pagamento da operação, mas em alavancar uma pretensão pessoal e se beneficiar na forma de um acordo financeiro no bojo de uma disputa societária, que não tem relação com a Gramado Parks e nem com a Securitizadora.
Ainda sobre o CRI mencionado, foram aprovados 3 meses para pagamento de 50% dos juros e em janeiro a operação poderá voltar a pagar 100% dos juros, caso seja aprovado pelos investidores.
Vale lembrar também que é mérito da Securitizadora ter conseguido manter este CRI fora da Recuperação Judicial da Gramado Parks, para que seus investidores recebam o valor integral investido com os juros e correções devidas.
O que diz a Devant*
A Devant também encaminhou um posicionamento oficial sobre o tema. Leia a seguir a íntegra:
Todas as medidas judiciais tomadas pela Devant Asset contra a Fortesec e a holding RTSC visam única e exclusivamente o cumprimento do nosso dever fiduciário e o atendimento do melhor interesse dos nossos cotistas.
A Devant tem agido com absoluta transparência desde o início das divergências, chegando ao ponto de trazer o assunto para o domínio público, assegurando que os investidores estejam plenamente informados sobre os acontecimentos. Todas as nossas movimentações têm sido feitas sob o amparo da lei e comunicadas detalhadamente em nossos relatórios gerenciais.
Reforçamos, adicionalmente, que as medidas judiciais adotadas refletem de maneira abrangente a postura integral dos nove sócios atuantes diariamente na gestora. As ações judiciais direcionadas à Fortesec têm como único propósito a resolução das operações problemáticas que resultaram em prejuízos para os investidores.
É relevante comentar, ainda, que, ao contrário do que divulga ao mercado, a Fortesec consistentemente deixa de prover os esclarecimentos e as informações que são solicitados, contrariando as disposições legais que exigem a prestação adequada dessas informações aos investidores. Além disso, as assembleias de investidores conduzidas pela Fortesec vêm sendo marcadas por irregularidades e condutas abusivas da securitizadora. Evidentemente que como desdobramento das atitudes inadequadas da Fortesec e da RTSC Holding, estamos comprometidos e adotando medidas direcionadas ao rompimento da sociedade. Essa decisão foi naturalmente motivada pelas condutas questionáveis das partes envolvidas.
*Matéria atualizada para incluir o posicionamento da Devant
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