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A SAGA DOS MINISTÉRIOS

E agora, Marina Silva? Lula oferece Meio Ambiente para Simone Tebet; senadora impõe condição para aceitar

A medebista disse que só aceita o posto se a deputada eleita pelo Rede-SP estiver de acordo com a proposta; Lula se reuniu com Marina Silva hoje para tratar da questão

Marina Silva veste blazer claro, blusa mostarda e colar colorido. Ela dá as mãos para Lula, que está de camisa jeans. Ao fundo um painel da campanha eleitoral de Lula em 2022.
A ministra Marina Silva e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Imagem: Divulgação

O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva ofereceu nesta sexta-feira (23) o comando do Ministério do Meio Ambiente à senadora Simone Tebet (MDB-MS) — considerada por muitos especialistas uma das grandes responsáveis pela vitória do petista no segundo das eleições deste ano.

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Mas, ao contrário do que muita gente pode pensar, a oferta ainda não foi aceita. Isso porque Tebet colocou uma condição para isso: o arranjo proposto precisa ser aprovado pela deputada eleita Marina Silva (Rede-SP).

Lula teve um encontro com Marina Silva na tarde de hoje. A ideia era convidá-la para assumir o novo posto de Autoridade Climática. De acordo com fontes ouvidas pela Broadcast, Marina Silva teria reiterado que não quer a Autoridade Climática, embolando as negociações com Tebet.

Mas a própria Marina Silva às redes sociais para esclarecer a reunião. Segundo ela, o posto de Autoridade Climática não foi tema da conversa.

Ministérios de Lula: ainda há vagas

A nove dias da posse, o presidente eleito ainda não completou a equipe de governo. Lula anunciou na quinta-feira (22) 16 ministros, incluindo na lista o futuro vice-presidente Geraldo Alckmin, que será titular de Indústria e Comércio. O presidente eleito também apresentou as primeiras mulheres que vão integrar a Esplanada, como Nísia Trindade Lima para Saúde.

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O perfil dos nomes mostra que, até agora, Lula escolheu somente aliados de primeira hora do PT e de partidos com quem tem mais afinidade política por não conseguir superar a tempo os inúmeros entraves para abrigar indicados por alas do MDB, do PSD e do União Brasil.

Além disso, o petista também aguardava a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Transição ser aprovada pelo Congresso para medir a fidelidade dos novos apoiadores. Já promulgada, a PEC permite ao governo aumentar gastos para pagar o Bolsa Família.

Em pronunciamento na cerimônia de diplomação, no último dia 12, Lula destacou o papel dos partidos que o apoiaram na disputa contra o presidente Jair Bolsonaro, acenando para uma gestão além do PT para ter governabilidade.

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A cota petista na equipe, atualmente, está em oito nomes, mas deve chegar a pelo menos dez dos 37 ministérios da Esplanada, no terceiro mandato de Lula.

Simone Tebet, o maior impasse

O maior impasse ainda reside nas cadeiras para Tebet e Marina Silva. Lula recebeu ontem o presidente do MDB, deputado Baleia Rossi (SP), os senadores Renan Calheiros (AL) e Eduardo Braga, além do líder do partido na Câmara, Isnaldo Bulhões (AL), para tratar da composição do governo.

O MDB terá três ministérios, mas Tebet é considerada como um nome da "cota pessoal" de Lula. O senador eleito Renan Filho (MDB), ex-governador de Alagoas, comandará Transportes.

Nessa partilha, o Ministério das Cidades, a ser recriado, foi oferecido ao MDB da Câmara. Ficou combinado que o governador do Pará, Helder Barbalho, fará a indicação, uma vez que a bancada do Pará tem nove parlamentares.

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Embora o deputado José Priante (PA) esteja em campanha pelo cargo, Helder se recusa a apadrinhá-lo. Os dois são primos, mas não se dão bem. É por isso que Cidades também pode ser uma alternativa para Simone, assim como o Ministério do Planejamento, ainda sem nome definido.

Tebet apoiou Lula no segundo turno e queria Desenvolvimento Social, mas, por pressão do PT, o ministério foi entregue ao senador eleito Wellington Dias, ex-governador do Piauí. Foi naquele Estado que Lula lançou o Fome Zero, em 2003. O programa deu origem ao Bolsa Família.

A pasta de Desenvolvimento Social é vista pelo partido como "coração do governo". Para a cúpula do PT, não era aceitável deixar Tebet, uma possível adversária na disputa de 2026, em um cargo de tanta visibilidade e com um dos maiores orçamentos da Esplanada.

Se depender do comando petista, Marina Silva também não deve voltar a comandar Meio Ambiente porque pode ter novos embates no ministério, sobretudo com o agronegócio.

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Ministra no primeiro mandato de Lula, quando ainda era filiada ao PT, Marina Silva saiu do governo sob desgaste, em 2008, e se desfiliou do partido. Somente se reaproximou de Lula nesta campanha, por intermédio de Fernando Haddad, futuro ministro da Fazenda.

O desejo de Lula é que Marina Silva assuma Autoridade Climática, cargo que ficaria sob o guarda-chuva da Presidência da República. Na campanha, Marina sugeriu ao petista a criação desse posto, mas não planeja ocupá-lo porque o considera muito técnico. Além disso, avalia que Autoridade Climática precisa ficar na estrutura do Meio Ambiente, e não da Presidência.

"É mais difícil montar um governo do que ganhar as eleições", disse Lula ao anunciar a lista com 16 ministros. Nas entrelinhas, mandou um recado a Simone ao observar que ele e o PT são "devedores" de muitos que o ajudaram na campanha. "O presidente Lula sabe do papel que teve e tem a senadora Simone Tebet", afirmou Wellington Dias.

Lula na panela de pressão

Desde o início do mês, Lula anunciou titulares para 21 pastas — outros cinco nomes já haviam sido divulgados no último dia 9. Ele ainda precisa escolher 16 ministros.

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Nessa temporada, Lula enfrentou a pressão do PP do presidente da Câmara, Arthur Lira (AL), que queria o Ministério da Saúde, uma espécie de feudo do partido há vários anos. Mas Lula bancou Nísia, a presidente da Fiocruz, que vai herdar uma das pastas mais problemáticas do governo de Jair Bolsonaro.

Na equação difícil de fechar com o centro e o Centrão, o PSD do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (MG), ficará com dois ministérios. Um deles é Agricultura, que terá à frente o senador Carlos Fávaro (PSD-MT). O partido também reivindica a vaga de Minas e Energia para o senador Alexandre Silveira (MG), aliado de Pacheco.

O líder do União Brasil na Câmara, Elmar Nascimento (BA), pode ficar com Integração Nacional. Homem da confiança de Lira, Elmar também quer manter o controle sobre a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do Parnaíba e São Francisco (Codevasf).

Dona de um orçamento de R$ 3,5 bilhões para 2023, a Codevasf foi a autarquia que mais recebeu recursos do orçamento secreto nos últimos anos, como mostrou o Estadão, protagonizando escândalos de compras superfaturadas.

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*Com informações do Estadão Conteúdo

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