Datafolha defende resultado das pesquisas e diz que migração de votos para Bolsonaro aconteceu entre a véspera e o dia da eleição; Ipec também se pronunciou
Os institutos afirmaram que movimentações do eleitorado nos momentos finais das eleições justificam a diferença entre os números das pesquisas e o resultado das urnas

O chamado “voto útil” foi um dos principais “vilões” apontados pelos institutos de pesquisa Datafolha e Ipec (ex-Ibope) para explicar a diferença entre os levantamentos realizados na véspera das eleições e o resultado nas urnas do primeiro turno.
Questionado sobre os erros, o Datafolha afirmou que a menor diferença entre os candidatos à presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) em relação à última pesquisa aconteceu em razão das “movimentações do eleitorado nos momentos finais das eleições”.
“Esses movimentos ocorreram entre a véspera da eleição e o dia da votação, e não puderam ser captados por pesquisas realizadas entre sexta (30) e sábado (1)”, justificou o Datafolha, em nota.
Já o Ipec considerou também que os indecisos, que tomaram a decisão de voto na última hora, contribuíram para a distância menor entre o petista e o atual presidente no primeiro turno. O instituto ainda disse que “as estimativas de branco, nulos e outros candidatos ficaram em linha entre o TSE e a pesquisa”.
Para relembrar: o Datafolha e o Ipec apontaram, na véspera das eleições, uma diferença de 14 pontos entre as intenções de voto de Lula e Bolsonaro. Havia, inclusive, a expectativa de que o ex-presidente pudesse liquidar a fatura ainda no primeiro turno.
O resultado das urnas, contudo, mostrou uma diferença bem menor entre os dois candidatos,de 5,23 pontos. Ou seja, um erro de quase nove pontos percentuais, bem acima da margem de erro tanto do Datafolha como do Ipec.
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A diferença entre as pesquisas e a votação no primeiro turno foi ainda maior nos Estados e chegou à casa dos 20 pontos percentuais na Bahia e no Rio Grande do Sul, conforme levantamento do Seu Dinheiro que você pode conferir nesta matéria.
Por fim, os institutos tradicionais não pretendem mudar as suas metodologias nas próximas pesquisas — que devem ser divulgadas na próxima quarta-feira (5), com projeções para o segundo turno nacional —, apesar da falta de precisão entre os levantamentos e as urnas.
Mas, quanto a isso, o Ipec fez uma ressalva:
“Em relação às variações de resultados observadas nas pesquisas estaduais do 1º turno, o Ipec reforça seu compromisso de buscar soluções que eventualmente possam ser agregadas ou consideradas em conjunto com a sua metodologia e procedimentos operacionais. Contudo, este é um processo que requer tempo de estudo, análise e comprovação de hipóteses, para que possam ser implementados.”
Voto útil beneficiou Bolsonaro na reta final
Tanto o Datafolha quanto o Ipec afirmaram que o voto útil beneficiou o atual presidente Jair Bolsonaro (PL) na reta final da campanha.
Sendo assim, Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB) “perderam” votos para Bolsonaro. “Tais fatores [como eleitores indecisos] já demonstravam uma provável migração de votos desses dois candidatos para Jair Bolsonaro”, disse o Ipec.
Ainda, o Datafolha afirmou que, na pesquisa da véspera, havia a tendência de que 41% dos eleitores do pedetista migrassem o voto para um dos dois candidatos favoritos na corrida presidencial, que sempre tiveram “os votos mais cristalizados”.
Ipec e Datafolha nos Estados
Os institutos também erraram em suas projeções e não captaram a força do bolsonarismo, principalmente, na corrida ao governo dos Estados e ao Senado. Datafolha e Ipec inverteram ainda a ordem dos vencedores e o segundo turno em alguns dos maiores colégios eleitorais: São Paulo, Rio Grande do Sul e Bahia.
Segundo o Ipec e o Datafolha, a discrepância entre o resultado das urnas e definição dos primeiro e segundo turnos, além dos senadores, também é fruto da decisão de “última hora”.
Ou seja, os institutos alegam que as pesquisas já indicavam as tendências — que se confirmaram depois —, sobretudo, em razão da “quantidade de pessoas indecisas” que resultaram em um cenário diferente do previsto na véspera das eleições.
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