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Segundo Guilherme Mello, ideia central das propostas de Lula para o imposto de renda é que a tributação seja progressiva, em alguma medida, tanto para os rendimentos do trabalho quanto para os dos investimentos

Como já mostramos aqui no Seu Dinheiro, a volta da taxação de dividendos no Brasil parece ser apenas uma questão de tempo, uma vez que os dois candidatos à Presidência da República são a favor da medida.
Mas, pelo menos no caso de um eventual mandato do ex-presidente Lula, talvez a tributação desses rendimentos não afete - ou não atinja tão duramente - o pequeno investidor.
Segundo Guilherme Mello, assessor econômico da campanha do petista, a progressividade - a ideia de que quem ganha mais deve pagar mais, por meio de um aumento progressivo das alíquotas de imposto conforme aumentam os valores recebidos - é a ideia central das propostas da equipe de Lula para reformar a tributação direta, isto é, aquela que incide sobre os rendimentos do trabalho e dos investimentos.
Eu conversei com Mello por telefone na noite de ontem (18), quando ele admitiu, em entrevista, que tal ideia poderia também ser aplicada à tributação de dividendos e heranças, de forma a equiparar a forma como as rendas do trabalho e do capital são hoje tributadas.
Segundo o economista, portanto, a tributação dos dividendos pode se tornar uma realidade caso Lula seja eleito, mas ela poderia sim ser progressiva. “O ideal é que seja assim”, disse Mello.

Dessa forma, é possível que os pequenos investidores, que ganham dividendos mais modestos das empresas das quais são acionistas, possam ficar isentos ou então ser tributados a alíquotas menores, enquanto grandes acionistas, que recebem valores elevados na forma de dividendos hoje isentos, pagariam mais.
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Mello acrescentou que essa tributação levaria em conta também quanto a empresa já paga de imposto de renda na pessoa jurídica, para não onerar demais os negócios. “Até porque a alíquota efetiva total do capital não pode ser muito maior do que o que se pratica no resto do mundo, para o país não acabar perdendo investimentos”, disse o economista.
O mesmo raciocínio pode ser aplicado a uma eventual revisão da tributação sobre heranças, hoje estadual e com alíquotas que podem variar de 2% a 8% dependendo da unidade da federação - bem inferiores às alíquotas praticadas em países desenvolvidos.
“No caso brasileiro, especificamente, a taxação sobre heranças é bastante baixa e não é progressiva. A alíquota máxima de imposto é de 8%, e alguns estados cobram apenas 4%, não importando o tamanho da herança, seja um apartamento de R$ 500 mil ou uma fortuna de R$ 500 milhões. Também teria que introduzir aí a ideia de progressividade."
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADECONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE- Guilherme Mello, assessor econômico da campanha de Lula.
Em paralelo, a faixa de isenção de IR na tabela progressiva sobre os salários iria aumentar para rendimentos de até R$ 5 mil, conforme vem sendo afirmado por Lula em declarações públicas. Mello, no entanto, não detalhou de que forma se daria o financiamento dessa ampliação da faixa de isenção.
Veja a seguir os principais trechos da entrevista no que diz respeito ao tema tributação. A campanha do presidente Jair Bolsonaro também foi contatada para conversar sobre os mesmos temas, mas ainda não deu resposta. O espaço continua aberto, e caso o pedido seja aceito, também publicaremos a posição do candidato à reeleição aqui no Seu Dinheiro.
Numa eventual reforma do imposto de renda, as mudanças teriam que abarcar tanto as rendas do trabalho quanto as do capital. E precisamos criar uma situação, que hoje não é justa, de aproximar as duas tributações, além de facilitar a vida do contribuinte. Isso consistiria em uma taxação menor para quem ganha menos e uma alíquota efetiva maior para quem recebe rendas extremamente elevadas.
Nesse sentido, a tributação de lucros e dividendos precisa sim ser analisada e é uma possibilidade real e efetiva, que precisa ser estudada junto com a tributação da empresa [na pessoa jurídica]. Até porque a alíquota efetiva total do capital não pode ser muito maior do que o que se pratica no resto do mundo, para o país não acabar perdendo investimentos.
É preciso fazer mudanças na pessoa jurídica e na pessoa física, no momento da distribuição. Nos países da OCDE, praticamente todos os países tributam dividendos. A ideia é aproximar a tributação da renda do trabalho e do capital, porque existe um incentivo à pejotização, principalmente para quem recebe rendas menores. Ao mesmo tempo, precisamos aumentar a isenção ou reduzir a alíquota para as rendas mais baixas, além de aumentá-la para as mais altas.
Sim, poderia haver uma tributação progressiva sobre os dividendos. O ideal é que seja assim.
Ainda dentro da discussão da reforma do imposto de renda, quem ganha até R$ 5 mil não pagará imposto. Hoje a tabela progressiva do IR está totalmente defasada. Com o passar do tempo, os trabalhadores mais pobres, que deveriam ser isentos, passaram a pagar imposto de renda, e quem pagava pouco passou a pagar mais.
Os desenhos possíveis [para viabilizar isso] passam por desde a tributação de lucros e dividendos até ajustes em outros tributos.
Essas também são possibilidades. Existe uma discussão sobre isso no mundo inteiro. E no caso brasileiro, especificamente, a taxação sobre heranças é bastante baixa e não é progressiva. A alíquota máxima de imposto é de 8%, e alguns estados cobram apenas 4%, não importando o tamanho da herança, seja um apartamento de R$ 500 mil ou uma fortuna de R$ 500 milhões. Também teria que introduzir aí a ideia de progressividade. Essa ideia é decisiva. É um dos aspectos fundamentais para a gente discutir tributação de renda e patrimônio, ou seja, a tributação direta.
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