2022-02-02T22:04:13-03:00
Larissa Vitória
Larissa Vitória
É repórter do Seu Dinheiro. Cursa jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP) e já passou pelo portal SpaceMoney e pelo departamento de imprensa do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).
PROVENTOS AMEAÇADOS

CVM diz que decisão sobre distribuição de dividendos do MXRF11 pode valer para outros fundos imobiliários; como isso afeta o investimento em FIIs?

A “xerife” do mercado de capitais confirmou que o novo entendimento pode se estender a outros fundos com características similares às do MXRF11

28 de janeiro de 2022
14:54 - atualizado às 22:04
Imagem: Shutterstock

Os dividendos são um dos principais atrativos dos fundos de investimento imobiliário (FIIs). Afinal, para quem quer viver de renda, nada melhor do que um ativo que promete dinheiro pingando na conta todos os meses.

Por isso, toda decisão com potencial para reduzir o valor ou a frequência dos pagamentos cai como uma bomba na indústria de FIIs. Mas o que ninguém esperava era que a explosão partiria justamente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A “xerife” do mercado de capitais surpreendeu o setor nesta semana ao determinar que o fundo Maxi Renda FII (MXRF11) — um dos maiores fundos imobiliários da indústria — precisa pagar rendimentos aos cotistas com base no resultado contábil, e não no regime de caixa.

E o temor do mercado de que a decisão poderia se aplicar sobre outros fundos foi confirmada pela CVM. 

“A referida decisão envolveu um caso específico. Contudo, o entendimento ali manifestado pode se aplicar aos demais fundos de investimento imobiliário que tenham características similares às do caso analisado”, declarou a autarquia em comunicado divulgado na última quinta-feira (27).

Decisão polêmica

Para quem ainda não sabe do que estamos falando e quais são as implicações do entendimento da CVM em questão, aí vai um resumo.

Tudo começou quando o administrador do MXRF11, o BTG Pactual, foi “enquadrado” pela Superintendência de Supervisão de Securitização (SSE) por distribuir rendimentos com base no lucro-caixa, que excedia os valores reconhecidos no lucro do exercício ou acumulado.

Conforme explica Caio Araújo, analista da Empiricus, a prática adotada pelo fundo está em linha com a regulação dos FIIs, que devem pagar semestralmente 95% dos rendimentos apurados no regime de caixa.

“A grande questão do MXRF11 é que a distribuição de rendimentos superou o lucro contábil no período”, conta Araújo em sua coluna no site do Seu Dinheiro.

Imagine que um fundo tem capacidade de distribuir R$ 10 por cota no semestre de acordo com seu recebimento de caixa. Entretanto, devido a uma avaliação patrimonial negativa, seu lucro contábil foi de R$ 6 por cota — caso o gestor decida distribuir todo o montante, ele não poderá entregar os R$ 4 aos cotistas em forma de rendimento.

Caio Araújo
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Clique aqui e receba a nossa newsletter diariamente

E, conforme a CVM, a quantia excedente distribuída não poderia ser classificada como dividendos, mas sim com uma amortização do capital investido pelos cotistas.

Porém, tratar a soma como uma amortização implica em redução de ganhos para os cotistas. Isso porque, ao contrário dos dividendos, esse tipo de distribuição não é isento de tributação.

O Banco Inter também relembra que a distribuição do lucro caixa tem um papel importante para a gestão de liquidez do fundo. “Um eventual lucro contábil gerado por reavaliação de ativos, por exemplo, torna impossível a distribuição obrigatória de 95% desse resultado na ausência de liquidez suficiente”, escrevem os analistas em relatório divulgado hoje.

E o meu dividendo com isso?

Como já esperavam os especialistas, e a CVM confirmou com o comunicado de ontem, apesar de se tratar de uma decisão de caso específico, ela não afeta apenas os cotistas do MXRF11, já que o entendimento pode ser estendido a outros fundos com características similares.

Ainda de acordo com o analista da Empiricus, boa parte dos fundos de crédito atua no mesmo modelo do MXRF11 e deve entrar no radar da CVM. Entre as implicações para novos possíveis “enquadros” da autarquia, o analista cita:

  • Redução da previsibilidade do pagamento de proventos;
  • Mudança na percepção dos cotistas e possível efeito manada nas cotas;
  • Dificuldade na contabilização do ganho de capital por parte dos cotistas;
  • Discrepância em relação aos imóveis físicos.

Vale lembrar, porém, que ainda cabem recursos quanto à decisão da CVM, e o Maxi Renda, cujas cotas despencam 7,55% desde a decisão, já afirmou que pretende recorrer.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Clique aqui e receba a nossa newsletter diariamente
Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Que pi… é essa?

Eu decidi sair do banco, mas não queria entrar em uma enrascada. Bem, acredito que eu tenha encontrado um portal para fugir dessa Caverna do Dragão das finanças. E cá estou para explicar essa descoberta.

SEU DINHEIRO NA SUA NOITE

Ibovespa abaixo dos 100 mil novamente, presidente da Caixa pede demissão e o salvador do mundo cripto; confira os destaques do dia

As últimas semanas parecem ter inaugurado um novo modus operandi no mercado financeiro: não há boa notícia ao amanhecer que perdure até o anoitecer.  Alta de commodities, alívio no cenário fiscal, retomada econômica chinesa. Pode escolher a sua arma, nada parece forte o suficiente para enfrentar o temor de uma recessão global e de um […]

Nova aquisição

Ambipar (AMBP3) volta às compras e adquire a Bioenv, que desenvolve projetos de monitoramento do meio ambiente

Como a compra foi feita por meio da controlada Ambipar Response ES S.A., não precisará ser aprovada pelos acionistas da empresa mãe

FECHAMENTO DO DIA

Temor de recessão segue forte e Ibovespa volta a perder os 100 mil pontos; dólar cai com PEC melhor que o esperado

O Ibovespa chegou a amanhecer no azul, mas os temores que rondam o mercado falaram mais alto

CONTROLE DE DANOS

Pedro Guimarães entrega carta de demissão a Jair Bolsonaro e rebate acusações de assédio; veja quem o sucederá na presidência da Caixa

Guimarães deixa o cargo em meio a uma investigação do Ministério Público Federal por múltiplas denúncias de assédio sexual

ELEIÇÕES 2022

Bolsonaro foi bloqueado? Entenda porque o governo criou perfis temporários nas redes sociais

Mudança passa a valer a partir do próximo dia de 2 julho e deve durar até o final das eleições marcadas para o mês de outubro