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CORRENDO CONTRA O RELÓGIO

Três dias para evitar o colapso: entenda o ultimato do BC do Reino Unido aos fundos com problemas financeiros

Na sexta-feira (14) acaba o prazo que a autoridade monetária britânica deu aos fundos e empresas de gerenciamento para reequilibrar as contas e restaurar a ordem nos mercados

Bandeira do Reino Unido amassada
Imagem: Vectors Icon/Pexels

Três dias. Esse é o prazo que o Banco da Inglaterra (BoE) deu para gestores de fundos de pensão terminarem de reequilibrar suas posições — na sexta-feira (14), o banco central britânico encerra o programa de apoio emergencial para o mercado de títulos.

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“Minha mensagem para os fundos envolvidos e todas as empresas envolvidas no gerenciamento desses fundos: você tem três dias restantes”, disse o presidente do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey.

A declaração do chefe do BoE veio depois que a Pensions and Lifetime Savings Association pediu que o banco central britânico estendesse o programa de compra de títulos até 31 de outubro ou além.

Para entender o recado de Bailey é necessário recapitular o que está acontecendo no Reino Unido e no mercado financeiro local. 

Reino Unido: a origem da crise

No mês passado, a nova primeira-ministra britânica, Liz Truss, anunciou um mega plano de corte de impostos na tentativa de reativar a economia e dar algum alívio à população, que sofre os efeitos de uma inflação fora de controle no Reino Unido. 

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Visando uma tendência de crescimento de 2,5%, a proposta reduziria os tributos em 45 bilhões de libras (R$ 261,5 bilhões, no câmbio atual) até 2026. O problema é que, para a execução do plano, o governo britânico teria que tomar mais empréstimos, aumentando o endividamento. 

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A reação do mercado foi imediata e duradoura: o custo dos empréstimos do governo do Reino Unido subiu, a libra esterlina renovou mínimas históricas ante o dólar e os investidores passaram a especular sobre um aumento emergencial da taxa de juro.

Em setembro, o BoE realizou o sétimo aperto monetário consecutivo, levando o juro ao maior nível em 14 anos: 2,25%. A próxima reunião oficial está agendada para 3 de novembro. 

BoE age no caos

Para conter o caos no mercado, que fez dos fundos de pensão das principais vítimas, o BoE não elevou a taxa de juro em uma reunião emergencial — ainda — mas interveio para acalmar os ânimos. 

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No último dia 28, a autoridade monetária anunciou que faria compras temporárias dos Gilts, como são chamados os títulos do governo, de longo prazo.

As aquisições começaram naquele mesmo dia e estão previstas para terminar no dia 14 de outubro — a sexta-feira à qual Bailey, o presidente do BoE, referiu-se no recado de hoje aos fundos de pensão. 

Acontece que as compras temporárias dos Gilts não foram suficientes para aplacar os ânimos à flor da pele dos investidores. Nesta terça-feira (11), o BoE expandiu a aquisição de títulos para incluir dívidas indexadas à inflação.

Na prática, o banco central britânico dividiu o programa já em curso para comprar até 10 bilhões de libras em Gilts por dia para incluir até 5 bilhões de libras em títulos indexados.

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Apesar da mudança, Bailey insistiu hoje que as operações de estabilidade financeira do BoE não são uma ferramenta de política monetária e, por isso, tinham que ser temporárias — ou seja, até o momento, o banco central britânico não tem planos de manter a intervenção para além do prazo inicial de 14 de outubro. 

A reação dos mercados hoje

A batalha do Banco da Inglaterra para restaurar a ordem nos mercados do Reino Unido provocou volatilidade nos mercados globais. 

O posicionamento duro de Bailey apagou completamente o que restava de apetite por risco em um dia que já vinha sendo marcado por grandes preocupações com a saúde da economia dos países ricos. 

Com o recado do chefe do BC britânico, apenas o Dow Jones escapou e fechou o dia em leve alta de 0,12%, enquanto o Nasdaq atingiu o menor patamar dos últimos dois anos, com queda de 1,10%. No Brasil, o Ibovespa encerrou a sessão em queda de quase 1%.

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