Oi (OIBR3) sobe forte após balanço; para a Genial, o desconto ainda é bom e ações podem saltar mais 100% neste ano
A empresa de telecomunicações revelou ter saído de um prejuízo de R$ 3 bilhões para um lucro de R$ 1,9 bilhão no primeiro trimestre

Se a estratégia da Oi (OIBR3) era adiar a publicação do balanço, deixar o mercado receoso quanto a eventuais números ruins e depois surpreendê-lo com resultados positivos, o plano funcionou: o mercado está reagindo bem aos dados do primeiro trimestre.
A empresa de telecomunicações revelou ontem ter saído de um prejuízo de R$ 3,038 bilhões nos primeiros três meses do ano passado para um lucro de R$ 1,782 bilhão no mesmo período deste ano.
Com isso, as ações subiram forte nesta quarta-feira (29) — os papéis ON (OIBR3) avançaram 1,85%, a R$ 0,55, enquanto os PNs (OIBR4) encerraram o pregão com alta de 3,85%, a R$ 1,08.
Além de agradar os investidores, os números apresentados também foram bem recebidos pelos analistas. A Genial Investimentos, por exemplo, elevou de manutenção para a compra a recomendação para OIBR3.
Queda das ações e luz no fim do processo de recuperação judicial podem destravar valor de OIBR3
A corretora esperou pelo balanço para fazer a mudança na recomendação, mas explica que a alteração baseia-se principalmente na forte desvalorização da ação ao longo do ano. Os papéis da Oi (OIBR3) acumulam queda de 26,67% em 2022.
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Com os “grandes riscos regulatórios superados”, os analistas apontam que o recuo agora pode ser considerado uma oportunidade.
“Um dos principais entraves para a entrada dos investidores é a questão da Recuperação Judicial, e a saída do processo se mostra cada vez mais próxima, minimizando significativamente os riscos de falência”, diz a corretora.
A Genial estabeleceu ainda um preço-alvo de R$ 1,10 para as ações. A cifra seria ainda maior caso a Oi não tivesse vendido uma fatia maior que a prevista de sua participação na V.tal, a subsidiária responsável pela infraestrutura de fibra óptica.
“A queda na participação onde enxergamos a principal fonte de valor do que resta da Oi fez com que revisitássemos o valuation da companhia”. A revisão implicou em um corte de R$ 0,10 no preço-alvo; ainda assim, o potencial de alta é de 100%.
O BTG Pactual também está revisitando seu modelo após a mudança acionária da V.Tal e estima que o impacto será um pouco maior: “estimamos que a mudança reduz o patrimônio da Oi em R$ 0,20 por ação”.
Destaques do balanço
A recuperação judicial pode estar mais perto do fim, mas a dívida da Oi ainda assusta. A empresa encerrou o primeiro trimestre com uma dívida líquida de R$ 31,42 bilhões.
Trata-se de uma queda de 3,6% em relação ao quarto trimestre de 2021. Quando comparada com o mesmo período do ano passado, porém, a dívida líquida cresceu 24%.
Vale relembrar que o número ainda não reflete a repactuação da dívida com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), anunciada no início de junho.
Na ocasião, a Anatel aceitou abater 54,99% da dívida da companhia. Com isso, o total do principal devido pela operadora de telefonia à Anatel passou de R$ 20,2 bilhões para R$ 9,11 bilhões.
Entretanto, considerando-se os depósitos judiciais já efetuados pela Oi nos últimos anos, a Anatel agora tem a receber da empresa o montante de R$ 7,335 bilhões. O valor foi dividido em 126 parcelas.
Além da dívida, a Oi já havia antecipado outros dados que apareceriam no balanço antes da divulgação, mas ainda não haviam sido auditados e apresentaram alterações discretas.
E os números publicados ontem confirmam que alguns dos principais indicadores financeiros recuaram, na comparação com o mesmo período do ano passado. Confira a seguir:
| (R$ MM) | 1T21 | 1T22 |
| Receita líquida | 4.453 | 4.415 |
| Ebitda de rotina | 1.139 | 1.252 |
| Caixa | 3.027 | 1.983 |
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