Lucro da Movida (MOVI3) mais que dobra no trimestre, ajudado pela venda de seminovos; receita ultrapassa R$ 2 bilhões
A Movida (MOVI3) mostrou forte expansão nas principais linhas do balanço, puxada pelo demanda aquecida da unidade de seminovos

O mercado como um todo mostrava otimismo para os resultados do setor de locação de veículos, e a Movida (MOVI3), a primeira empresa do segmento a reportar seu balanço do primeiro trimestre de 2022, confirmou essas expectativas. A companhia fechou os primeiros três meses do ano com receita bruta recorde e evolução nas principais métricas financeiras, tanto na base anual quanto na trimestral.
E esse bom desempenho, como já era esperado, se deve ao impulso do segmento de seminovos: com a escassez de chips e semicondutores travando o mercado de veículos zero, as locadoras viram a demanda pelos usados disparar — e, consequentemente, as vendas desses carros ocorreram a preços cada vez mais vantajosos.
Indo aos números: a Movida fechou o trimestre com receita bruta de R$ 2,09 bilhões, cifra recorde para um período de três meses e mais que o dobro dos R$ 876 milhões contabilizados há um ano; a receita líquida ficou em R$ 1,97 bilhão, alta de 144% na base anual.
O resultado operacional (Ebit) ficou positivo em R$ 650 milhões, com margem de 33,1%; o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) foi de R$ 863,1 milhões, com margem de 43,9% — assim como no caso da receita, tanto o Ebit quanto o Ebitda mais que dobraram em um ano.
Por fim, o lucro líquido da Movida entre janeiro e março deste ano ficou em R$ 258,1 milhões, alta de 135,7% na base anual. Chama a atenção, também, a evolução sequencial de todas essas linhas, com expansão em relação às cifras reportadas no quarto trimestre de 2021.
Movida: seminovos em alta
Para entender melhor o balanço da Movida (MOVI3), é preciso compreender em detalhes o funcionamento do setor de locação de veículos. Em geral, o ciclo dos negócios é composto por três fases: a compra de veículos zero junto às montadoras; a disponibilização desses carros para o negócio de locação; e a venda deles pelo braço de seminovos, após determinado tempo de uso na frota de aluguel.
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E é justamente a parte final desse ciclo que está rendendo ganhos acima do normal para o segmento: com o mercado de carros usados cada vez mais aquecidos, dada a falta de veículos zero nas concessionárias, as locadoras estão conseguindo uma rentabilidade cada vez maior no braço de seminovos.
Veja abaixo como se comportaram as receitas líquidas das três principais unidades de negócio da Movida no trimestre:
- Aluguel de carros (RAC): R$ 594,7 milhões (+62,9% a/a e +6,3% t/t);
- Gestão e terceirização de frotas (GTF): R$ 397,4 milhões (+140,4% a/a e +6,6% t/t);
- Seminovos: R$ 973,8 milhões (+254,8% a/a e +20,4% t/t).
Repare que o segmento de seminovos foi responsável por quase metade da receita líquida da Movida no trimestre; as taxas de crescimento dessa divisão também são muito superiores às das demais unidades de negócio.
Indo mais a fundo: ao todo, a Movida vendeu 15.225 veículos no trimestre, quase o triplo do visto há um ano; o preço médio por seminovo negociado foi de R$ 64.467, cifra 24% maior na base anual. Ou seja, a empresa vendeu mais veículos e a um preço maior — a combinação perfeita para um balanço.
Esse efeito, no entanto, não é sustentável a longo prazo: a Movida e as demais locadoras precisam renovar suas frotas e também enfrentam dificuldades para adquirir novos veículos; mais adiante, quando a escassez de chips e semicondutores for solucionada, é de se imaginar que o mercado de seminovos irá desaquecer.
"Sabemos que estas margens são um efeito temporário da restrição de oferta e seguimos acompanhando de perto a regularização das cadeias de fornecimento da indústria automobilística", diz Renato Franklin, CEO da Movida, em mensagem aos acionistas.
MOVI3: bom momento das ações
Na bolsa, as ações da Movida (MOVI3) apresentam um desempenho relativamente sólido: desde o começo de 2022, acumulam ganhos de 16%; em seis meses, a alta chega a 25%.
Os temores quanto a uma eventual perda de participação de mercado a partir da fusão entre Localiza (RENT3) e Unidas (LCAM3) parece se dissipar aos poucos, com o entendimento de que a Movida tem obtido um desempenho sólido o suficiente para se manter competitiva; além disso, os remédios aplicados pelo Cade para aprovar a fusão entre as rivais também ajuda a restaurar a confiança na tese de investimento em MOVI3.
Segundo dados compilados pelo TradeMap, as ações MOVI3 têm cobertura de 13 casas de análise — são 10 recomendações de compra e três neutras, com preço-alvo médio de R$ 25,13; considerando o fechamento da última sexta-feira (29), de R$ 18,15, há um potencial implícito de alta de 38%.
Veja abaixo um resumo das recomendações e múltiplos do setor de locação, conforme os dados do TradeMap:
| Empresa | Recomendações | Preço-alvo médio (R$) | Cotação (29/04) (R$) | Potencial de alta | P/L 2022E | EV/Ebitda 2022E |
| Movida (MOVI3) | 10 de compra, 3 neutras | 25,13 | 18,15 | +38,5% | 15,6x | 11,03x |
| Localiza (RENT3) | 11 de compra, 2 neutras, 1 de venda | 70,8 | 52,94 | +33,7% | 25,3x | 14,26x |
| Unidas (LCAM3) | 9 de compra, 1 neutra | 32,5 | 23,56 | +37,9% | 15,6x | 9,94x |
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