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Larissa Vitória

Larissa Vitória

É repórter do Seu Dinheiro. Formada em jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo portal SpaceMoney e pelo departamento de imprensa do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).

BOM, MAS NEM TANTO

Lucro líquido da Cielo (CIEL3) salta 98% em 2021, mas ainda passa longe do período pré-pandemia; confira o balanço da empresa de maquininhas

O valor foi impulsionado pela expansão na vertente de antecipação de recebíveis e pela melhora no desempenho das subsidiárias

Larissa Vitória
Larissa Vitória
2 de fevereiro de 2022
20:30 - atualizado às 18:04
Cielo (ciel3)
Cielo -

Depois de ir na contramão da concorrência em um dia negativo para as demais empresas de maquininhas, a Cielo (CIEL3) voltou a surpreender nesta quarta-feira (2) com uma alta de 98% no lucro líquido consolidado em 2021, a R$ 970,5 milhões.

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O valor - que praticamente dobrou em relação ao ano anterior - foi impulsionado pela expansão na vertente de antecipação de recebíveis e pela melhora no desempenho das subsidiárias e, de fato, impressiona à primeira vista.

Mas uma olhada para as outras linhas do balanço do quarto trimestre da líder do mercado de maquininhas e a lembrança de que a base de comparação foi fortemente afetada pela pandemia de covid-19 mostram que os dados podem não ser assim tão animadores.

Em 2020, a Cielo fechou o ano com uma queda de 68,3% em seu lucro líquido, com apenas R$ 490,2 milhões acumulados, contra R$ 1,5 bilhão registrado em 2019. Ou seja, ainda há uma distância de mais de 54% em relação ao resultado do ano anterior e do período pré-pandemia.

Ainda assim, vale destacar que a empresa tem reportado crescimento nos últimos cinco trimestres consecutivos - com alta de 13% entre outubro e dezembro, na comparação com o trimestre imediatamente anterior.

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Apesar disso, as ações não acompanham o desempenho financeiro e ainda são penalizadas na bolsa, recuando 44,5% nos últimos 12 meses.

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Pesam sobre os papéis CIEL3 a concorrência com empresas mais ágeis e eficientes e a alta da taxa Selic, que encarece o crédito. A base de clientes ativos, por exemplo, recuou 14,2% no 4T21, em relação ao mesmo período de 2020, para 1,2 milhão.

Salva pelos recebíveis

Entre os destaques do trimestre estão os chamados produtos de prazo, soluções que possibilitam a antecipação do fluxo de recebíveis de transações a crédito à vista ou parcelado. 

Segundo a empresa, o segmento “apresentou um novo salto de penetração no varejo, atingindo 44,8% no 4T21”.

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O Receba Rápido, serviço que garante o dinheiro das vendas em dois dias, foi o grande responsável pelo crescimento, aumentando de 28,5% para 40,8% (na base anual) a penetração nos últimos três meses do ano.

“A companhia vem buscando expandir sua atuação em cadeia de valor, com a oferta de serviços de maior valor agregado para a base de clientes”, destaca o comunicado.

Despesas em dia

Além dos novos serviços, a Cielo também mantém um controle rigoroso das dívidas para garantir um balanço positivo.

O ratio de gastos, relação entre gastos totais e o volume financeiro de transações, ficou em 0,55% no quarto trimestre, menor patamar da série histórica.

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Os gastos totais avançaram 5,8% na comparação anual e 6,5% em relação ao terceiro trimestre, “a despeito dos novos investimentos e da inflação do período”, conforme ressalta a empresa.

Veja outros destaques do balanço de 2021, sempre na comparação com o ano anterior:

  • Receita operacional líquida: R$ 11,68 bilhões (+4,5%);
  • Ebitda consolidado: R$ 2,6 bilhões (+30,1%);
  • Resultado líquido consolidado da Cielo Brasil: R$ 687,9 milhões (+72,1%);
  • Resultado líquido consolidado da Cateno: R$ 438,7 milhões (+34,9%);
  • Prejuízo líquido consolidado das outras controladas: R$ 156,1 milhões (-33,5%).

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