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Larissa Vitória

Larissa Vitória

É repórter do Seu Dinheiro. Formada em jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo portal SpaceMoney e pelo departamento de imprensa do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).

BALANÇO DE LUXO

Log (LOGG3) renova recorde de lucro no segundo trimestre e dobra a aposta na “reciclagem” de ativos

A empresa de galpões logísticos controlada pelos sócios do Grupo MRV lucrou R$ 136 milhões entre abril e junho e promete mais

Imagem de um dos galpões da Log (LOGG3)
A Log é uma das maiores desenvolvedoras e locadoras de galpões logísticos do Brasil - Imagem: Divulgação

Foi um daqueles dias que ficam na história de qualquer empresa listada na bolsa. No mesmo dia em que as ações dispararam mais de 10% em reação à venda de dois ativos, a Log Commercial Properties (LOGG3) anunciou que renovou o lucro recorde trimestral.

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A empresa de galpões logísticos controlada pelos sócios do Grupo MRV registrou resultado de R$ 136 milhões entre abril e junho — salto de 74% na comparação com o mesmo período do ano passado.

O Ebtida (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da companhia também quase dobrou no intervalo e chegou a R$ 147 milhões. Além disso, houve alta de 47% da receita operacional líquida, que chegou a R$ 54 milhões.

Mas, mesmo com todo o avanço financeiro presente no balanço divulgado nesta quarta-feira (27), a Log ainda recua mais de 28% na B3 nos últimos doze meses. E o estrago seria ainda maior não fosse pela disparada das ações hoje.

O mercado reagiu bem à notícia da venda de R$ 425 milhões em galpões para um fundo imobiliário do Credit Suisse, em mais um movimento da estratégia de “reciclagem” de ativos da companhia. 

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Para André Vitória, diretor executivo de Finanças do grupo, o comportamento das ações é explicado pelas perspectivas para o cenário macroeconômico, e para o setor ou para a companhia.

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“Realmente tem um desconto [nas ações], mas ele ocorre em todo o mercado de capitais. Não encontramos essa dinâmica somente nas ações da Log”, afirma o CFO.

O executivo espera que, com o arrefecimento das taxas de juros e da inflação até o final do primeiro semestre do próximo ano, a empresa — e o mercado acionário como um todo — retomem a atratividade.

Cenário macro atrapalha planos de follow on e captação com emissão de dívida…

Além de atrapalhar a performance das ações, a situação atual da bolsa diminuiu a probabilidade de que a Log faça uma nova oferta de ações para continuar financiando seu crescimento.

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“Temos interesse em um eventual follow on, mas o mercado hoje está muito comprimido. O papel está bem descontado e não temos uma janela para fazer a oferta”, afirma Vitória.

Com a taxa Selic em patamares elevados, a empresa também não pretende recorrer à emissão de títulos de dívida, que ainda era uma alternativa no trimestre anterior, para captar recursos.

… mas a reciclagem de ativos garante recursos para o crescimento da Log (LOGG3)

A ausência dessas duas opções, contudo, não farão tanta falta para a empresa. Segundo o executivo, uma terceira carta na manga deve suprir todas as necessidades de financiamento: a reciclagem do portfólio.

A Log vendeu R$ 424 milhões em ativos no segundo trimestre, com margem bruta de 32,6%. E a negociação de hoje com o HGLG11 também suporta a tese. “Mesmo nesse cenário desafiador, conseguimos efetuar uma venda representativa a uma ótima margem, o que mostra que o modelo de negócios é resiliente”, diz Vitória.

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O CFO revela que já existem conversas em andamento com outros players para aumentar a velocidade e o porte das vendas. “Hoje somos mais do que uma empresa de properties, somos uma desenvolvedora de ativos e essa é a principal fonte de recursos do nosso plano de crescimento.”

Metas ambiciosas

Por falar em crescimento, a Log pretende entregar cerca de 415 mil metros quadrados neste ano. Durante o primeiro semestre, mais da metade da meta já foi cumprida, com 240 mil m² entregues. 

Outros 519,6 mil m² estão em construção em oito cidades brasileiras, com a maior parte deles no Nordeste. Essa é a região que mais tem demandado ativos da Log, de acordo com André Vitória.

Outros locais fora do eixo Rio-São Paulo também estão no foco da companhia, cuja diversificação geográfica é um dos diferenciais do portfólio.

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“O centro-oeste, por exemplo, especialmente em Goiânia, Porto Alegre e outros grandes centros de consumo fora da região sudeste tem demandado ativos de qualidade como os nossos”, aponta ele.

Veja também — ALERTA DE COMPRA: esta ação pode quase dobrar seu patrimônio, está barata e já subiu 17.000% em anos

E-commerce esfriou: e agora, Log (LOGG3)?

Boa parte dessa demanda é fruto do crescimento vertiginoso do e-commerce desde o início da pandemia de covid-19. Cerca de 69% do portfólio da Log é composto por clientes direta ou indiretamente ligados ao comércio eletrônico.

As vendas online, porém, têm desacelerado e registraram o pior segundo trimestre desde 2018. Segundo dados da Neotrust, o indicador caiu pelo terceiro mês consecutivo e encerrou o trimestre com baixa de 4,2%, na comparação com o mesmo período do ano passado. Mas o tímido recuo não assusta a companhia.

O momento é de um pouco mais de cautela, por parte do ecommerce, mas ele continuará crescendo. Não necessariamente com aqueles dois dígitos que apresentava a cada ano, mas, mesmo de uma maneira menos acelerada, o setor continuará exigindo novos espaços logísticos pelo Brasil.

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André Vitória, CFO da Log

Para a maior parte dos analistas consultados pelo TradeMap, essa é a hora de colocar a ação na carteira para surfar nesse crescimento.

De acordo com dados compilados pela plataforma, das dez recomendações para LOGG3, sete são de compra, duas são de manutenção e apenas uma cita a venda. O preço-alvo médio calculado é de R$ 32,89, o que representa uma alta de 63,4% em relação à cotação atual dos papéis.

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