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Enquanto a asiática BYD vendeu 641 mil veículos elétricos no primeiro semestre de 2022, a Tesla entregou apenas 564 mil automóveis
Já dizia uma antiga cantiga de ninar: “Se eu roubei teu coração, é porque tu roubaste o meu também”. Depois de Elon Musk roubar da Berkshire Hathaway posições na lista de empresas mais valiosas do mundo, Warren Buffett foi firme no contra-ataque — e acaba de fazer a Tesla perder o cargo de maior vendedora de automóveis elétricos do mundo.
Cerca de 11 anos atrás, quando Buffett incluía a montadora chinesa BYD no portfólio da Berkshire, Elon Musk gargalhava em uma entrevista à Bloomberg quando questionado sobre a BYD. “Você viu o carro deles? Eu não acho que eles tenham um grande produto. Eu não acho que seja particularmente atraente, a tecnologia não é muito forte.”
Pouco mais de uma década depois, a rival asiática, que produz uma variedade de veículos elétricos, incluindo carros, ônibus e veículos de grande porte, é motivo suficiente para fazer aparecer rugas de preocupação em Musk.
A empresa chinesa apoiada por Warren Buffett está cada vez mais determinada em consolidar o domínio da China no setor de energia renovável, como automóveis elétricos, baterias e energia solar e eólica.
De acordo com os dados da BYD arquivados na Bolsa de Valores de Hong Kong, a chinesa vendeu 641.350 veículos elétricos no primeiro semestre de 2022, um salto de quase 315% em relação ao mesmo período do ano passado.
Enquanto isso, a Tesla entregou 564.743 veículos em igual intervalo. Desse total, 254.695 automóveis foram vendidos no segundo trimestre de 2022, abaixo dos 310 mil enviados nos primeiros três meses deste ano.
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A fabricante de Elon Musk afirmou que o desempenho precário entre abril e junho foi devido à escassez de semicondutores e aos bloqueios em Xangai devido à covid-19, que impactaram a produção e a cadeia de suprimentos da empresa de Elon Musk na China.
Isso porque a fábrica em Xangai, chamada de Shanghai Gigafactory 3, foi responsável por metade da produção global da Tesla em 2021. Em maio deste ano, a unidade foi fechada por 22 dias devido ao lockdown na cidade.
Na época, os trabalhadores de Musk foram forçados a dormir no chão da fábrica, numa tentativa não tão bem sucedida de manter os números de produção. Os níveis só voltaram ao “normal” no começo do mês passado.
A questão é: como a montadora chinesa não foi impactada pelas restrições na China? Enquanto a fábrica da Tesla é localizada em Xangai, local mais afetado pelos bloqueios, as unidades da BYD ficam distantes de regiões e cidades que sofreram com restrições mais severas.
Com a mudança de liderança reforçando o otimismo dos investidores, as ações da BYD acumularam alta de 36% desde janeiro, com a capitalização de mercado atingindo o patamar de cerca de US$ 149 bilhões.
Já as ações da desbancada fabricante norte-americana (TSLA) caíram aproximadamente 35% neste ano na Nasdaq. O valor de mercado da Tesla é de cerca de US$ 706 bilhões.
Por volta das 12h30 desta terça-feira (05), os papéis TSLA recuavam 2.68% em Nova York, negociados a US$ 663,55 por ação.
Para Dan Ives, analista do Wedbush Wedbush, a Tesla está assistindo uma verdadeira nuvem escura da tempestade econômica global se aproximar e já deixar cair respingos em seus resultados trimestrais.
“O próprio Musk pensa que o risco de recessão é iminente. O que isso significa para a história de demanda da Tesla daqui para frente?”
Já é um consenso entre o mercado que, se a demanda da Tesla seguir em queda na segunda metade do ano, os resultados da empresa de Elon Musk podem ser pressionados em um momento de escalada de custos.
Voltando aos resultados fracos da Tesla no segundo trimestre, Ives afirmou que os números de entrega de junho “foram feios e que Wall Street observará a trajetória da fabricante no segundo semestre”.
Em meados de maio, a Tesla ainda perdeu apelo entre os consumidores de carros de luxo nos Estados Unidos.
De acordo com o relatório “Brand Watch” da Kelley Blue Book referente ao primeiro trimestre de 2022, a montadora de Elon Musk passou de 3º lugar para 5º no ranking, atrás de nomes como BMW, Cadillac, Lexus e Mercedes.
Uma das explicações para a empresa deixar um pouco o coração dos consumidores de luxo é que, à medida que outras montadoras como a BYD de Buffett ingressam no mercado de carros elétricos, a busca pelos carros da Tesla diminui.
*Com informações de Financial Times e Business Insider
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