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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

PRAZO APERTADO

Bilionário sem dinheiro? Carlos Wizard deve milhões à XP — e a empresa foi à Justiça cobrar a dívida

Após atrasar o pagamento das parcelas de um empréstimo feito em abril de 2021, o bilionário agora deve cerca de R$ 8,2 milhões à instituição financeira

Camille Lima
Camille Lima
27 de outubro de 2022
10:57
XP Investimentos e Carlos Wizard
XP Investimentos e Carlos Wizard - Imagem: XP Investimentos/Fabiano Accorsi/Divulgação

Ninguém gosta de ter que cobrar um dinheiro emprestado em atraso, nem mesmo os bancos de investimento. Depois que o bilionário Carlos Wizard, controlador de empresas como a Mundo Verde, atrasou o pagamento de duas parcelas ao Banco XP, a corretora decidiu ir à Justiça cobrar a dívida milionária.

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O bilionário deve à instituição financeira cerca de R$ 8,2 milhões. O valor é decorrente de um empréstimo feito em abril de 2021.

Segundo o ranking de bilionários brasileiros da revista Forbes, Wizard — que possui fatia minoritária na escola de idiomas WiseUp e na IMC, dona da KFC e da Pizza Hut no Brasil — ocupa a 104ª posição, com uma fortuna estimada em R$ 3,4 bilhões.

No último domingo, a Justiça estipulou um prazo de três dias para o bilionário pagar o que estava devendo. Acontece que o tempo se esgotou na quarta-feira, e o banco nem mesmo viu a cor do dinheiro que deveria ter recebido.

Leia também:

O processo da XP contra Carlos Wizard

A ação da empresa é resultado de um processo aberto pelo Banco XP por conta de um empréstimo entre a instituição financeira e a Orion, empresa em que Wizard é sócio.

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O empréstimo foi feito através de uma Cédula de Crédito Bancário (CCB) em abril do ano passado, no valor de R$ 30 milhões.

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O valor deveria ser pago em 18 parcelas, cada uma no valor de aproximadamente R$ 1,76 milhão. Porém, Wizard não depositou a parcela de setembro, vencida no dia 21, e nem mesmo a de outubro, com vencimento na mesma data.

A XP chegou a enviar dois comunicados à Orion informando sobre os atrasos de setembro e relembrando que uma nova parcela venceria em outubro.

“Lamentavelmente, no entanto, a Orion ignorou por completo a mensagem enviada pelo Banco XP e nunca a respondeu”, disse a instituição, em documento à Justiça.

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Acontece que o contrato de empréstimo estipulava que, caso o bilionário não pagasse os valores no prazo estabelecido, o banco poderia solicitar o valor devido e ainda antecipar a dívida restante. E é isso que a XP fez.

A dívida de Wizard à XP

Tanto a Orion quanto Carlos Wizard foram intimados a pagar o montante de R$ 8,2 milhões em, no máximo, três dias. Isso sem falar nos honorários advocatícios e nas custas do processo.

O valor da dívida já é descontado de uma garantia de R$ 15 milhões feita pela Orion na data do empréstimo — que, atualizada, passou a valer pouco mais de R$ 9,2 milhões. 

“Infelizmente, as garantias oferecidas pela Orion não foram suficientes”, afirmou o banco, na petição judicial.

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Se mesmo assim Carlos Wizard não efetuar o pagamento do valor que está devendo dentro do prazo de 72 horas, a XP solicita a “penhora online de quaisquer valores depositados em instituições financeiras” que estejam no nome do bilionário e da Orion.

O juiz deu ao bilionário o prazo de 15 dias para recorrer à ação e de cinco dias para indicar "quais são e onde se encontram os bens sujeitos à penhora e seus respectivos valores".

Em nota, o empresário afirmou através de sua holding Sforza que está negociando com todos os bancos nos quais ele possui dívidas para uma “reestruturação do perfil dos vencimentos no atual cenário econômico”. 

Wizard disse ainda que os setores em que as empresas em que possui participações foram "severamente afetados pela pandemia de covid, especialmente no ano 2020”. 

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Segundo o dono da Mundo Verde, a situação "afetou a estrutura das dívidas das empresas controladas pelo grupo, levando a Sforza a contratar uma consultoria especializada para reestruturar seus compromissos de curto e médio prazos".

*Com informações de Estadão Conteúdo

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