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No trimestre passado, Tim Cook, o CEO da Apple, alertou que a fabricante de iPhones teria dificuldades em superar as restrições de fornecimento relacionadas à covid-19, com um impacto negativo sobre as vendas da ordem de US$ 4 bilhões a US$ 8 bilhões entre abril e junho, mas previsão não se confirmou
Se no passado a pandemia de covid-19 foi a responsável por uma colheita farta para a Apple (AAPL34), agora foi a vez de a inflação e o temor de recessão darem uma mordida na maçã e impedir que a fabricante de iPhone tivesse um trimestre mais próspero.
Entre abril e junho deste ano, a Apple registrou lucro líquido de US$ 19,4 bilhões, o que representa uma queda de 10,6% em relação ao ano anterior.
O lucro por ação baixou de US$ 1,30 para US$ 1,20 em base anual.
A receita líquida, por sua vez, somou US$ 82,9 bilhões, o que representa um aumento de 2% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Para se ter uma ideia do desempenho da Apple neste trimestre, o crescimento da receita, em base anual, entre os terceiros trimestres de 2020 e 2021 foi de 36%.
Na ocasião, a pandemia de covid-19 aumentou muito a demanda por produtos e serviços da Apple, já que muitas pessoas trabalhavam e aprendiam em casa.
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Quando a Apple (AAPL34) não conseguiu replicar as fortes performances do auge da pandemia, mas afastou preocupações sobre sua saúde financeira entre janeiro e março deste ano, o mercado chegou a respirar aliviado.
Pena que essa sensação durou pouco na época. Tim Cook, o CEO da Apple, alertou na ocasião que a empresa teria dificuldades em superar as restrições de fornecimento relacionadas à covid-19.
E essa dificuldade teria um custo: um impacto negativo sobre as vendas da ordem de US$ 4 bilhões a US$ 8 bilhões entre abril e junho. Cook disse hoje que essa perda ficou abaixo de US$ 4 bilhões.
Naquele momento, Cook avisou ainda que a demanda na China estava sendo prejudicada pelos bloqueios relacionados à covid-19 — o que se confirmou neste balanço.
Ainda assim, a reação do mercado aos resultados financeiros de hoje foi positva. As ações da Apple chegaram a subir quase 4% no after market em Nova York.
O comportamento dos papéis AAPL tem uma explicação: apesar da desaceleração dos resultados, a Apple conseguiu superar as estimativas de Wall Street para o trimestre encerrado em junho.
Confira abaixo os principais números em comparação com o que Wall Street esperava, de acordo com as estimativas da Refinitiv:
Não foi só a inflação e o temor de recessão que afetaram o desempenho da Apple no terceiro trimestre fiscal de 2022. A China também teve um peso nesse desempenho — como Cook já havia alertado.
A região da Grande China, que inclui Hong Kong e Taiwan, viu a receita encolher 1,1% entre abril e junho deste ano, para US$ 14,604 bilhões.
Segundo o CEO da Apple, esse desempenho se deve às restrições provocadas pela covid-19 na China, que acabaram afetando negativamente a demanda.
A região de crescimento mais rápido para a Apple no período foi, mais uma vez, as Américas, que viu as vendas aumentarem 4,5% em base anual, para US$ 37,5 bilhões.
As vendas do iPhone da Apple (AAPL34) superaram as expectativas de Wall Street, sugerindo que a demanda por modelos do iPhone 13 continua forte mesmo na segunda metade do ciclo anual de lançamento do produto.
A Apple normalmente lança novos iPhones em setembro e as vendas caem à medida que os clientes antecipam novos modelos.
Cook disse que a Apple teve sucesso em atrair clientes Android para se tornarem proprietários de iPhones durante o trimestre.
Mas foi a divisão de Serviços que teve o crescimento mais rápido para a Apple durante o trimestre, que inclui assinaturas mensais, garantias, licenciamento de pesquisa do Google e receita da iPhone App Store.
Os serviços cresceram mais de 12% durante o trimestre, embora seja uma desaceleração em relação ao crescimento de 17% registrado no segundo trimestre fiscal e abaixo dos 27% registrados no mesmo período do ano passado.
As vendas de Mac ficaram aquém das expectativas e caíram mais de 10% ano a ano. Segundo Cook, o desempenho reflete a restrições de oferta e o dólar forte.
Esses dois fatores também pesaram sobre o iPad, que caiu 2% ao ano, mas superou as previsões de Wall Street, já que os tablets eram uma das linhas de produtos que os analistas acreditavam que a Apple poderia priorizar diante da escassez de chips.
Se essa colheita da Apple (AAPL34) já não foi farta, o que está por vir deve prejudicar ainda mais a safra da maçã.
Wamsi Mohan, analista do Bank of America Global Research, vê potencialmente “grandes ventos contrários” no trimestre de setembro para a fabricante de iPhone.
Mohan acredita que a inflação, o câmbio e a desaceleração dos negócios de serviços devem pesar ainda mais sobre o desempenho da Apple no quarto trimestre fiscal de 2022.
O analista, que esperava que a empresa superase as estimativas da Street para o trimestre encerrado em junho, diz que as projeções do trimestre que acaba em setembro parecem muito elevadas.
Ainda assim, Mohan mantém a classificação de compra na ação AAPL, mas cortou o preço-alvo dos papéis para US$ 185, de US$ 200.
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