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Pacote do governo eleito prevê aumento de gastos para cumprir promessas de campanha, mas fundo Verde não vê medida com bons olhos

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) formulada pelo governo eleito de Luiz Inácio Lula da Silva gerou desconforto e críticas dos gestores do fundo Verde, do megainvestidor Luis Stuhlberger.
Informalmente batizada de "PEC da Transição", a medida prevê um aumento significativo dos gastos do governo para cumprir com as promessas de campanha.
A estimativa é de que serão necessários R$ 175 bilhões acima do teto de gastos para cobrir o Bolsa Família (ex-Auxílio Brasil) de R$ 600, o aumento do salário mínimo, a recomposição do Farmácia Popular, entre outras medidas.
"A tal 'PEC da Transição' está se tornando (mais um) trem da alegria brasiliense de crescimento dos gastos descontrolados", escreveu o Verde na sua carta mensal mais recente.
Os gestores do fundo estrelado sugerem, ainda, que os integrantes do governo eleito estudem o que aconteceu "com o malfadado governo de Liz Truss no Reino Unido".
Para quem não se lembra, a sucessora de Boris Johnson no governo britânico começou seu mandato relâmpago com um pacote de corte de impostos para aliviar a pressão inflacionária sobre a população.
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As medidas geraram preocupações com uma inflação ainda mais forte, que exigiria uma política monetária mais restritiva, ao mesmo tempo que aumentaria o endividamento do governo. O estresse fez Liz Truss renunciar ao cargo depois de apenas 45 dias.
O Verde ressalta que, ao longo da campanha, Lula disse que teria responsabilidade fiscal e não precisava de teto de gastos ou outros arcabouços fiscais para cumprir isso.
"Essa espécie de 'la garantia soy yo' periga ter vida bastante curta se não for seguida de decisões e comportamentos que a corroborem", diz a carta do Verde.
Confira a carta na íntegra aqui.
Segundo os gestores, o cenário global se acalmou ao longo do mês passado. Política local à parte, o Verde apresentou alta de 3,5% no mês de outubro, com os principais ganhos provenientes das posições na bolsa brasileira, no petróleo e em posições de moedas, juros globais e crédito offshore. No acumulado do ano, o fundo sobe 15,20%, enquanto o CDI avança 10%.
Para o Verde, a tendência de petróleo mais forte deve continuar pelos próximos anos. O que impede preços substancialmente mais altos hoje, na visão da gestora, é a economia chinesa mais fraca e a liberação da reserva estratégica dos Estados Unidos. Assim, o Verde aumentou a posição de petróleo.
Além disso, o fundo aumentou a posição vendida na bolsa americana via opções e iniciou alguns hedges (proteções) na bolsa brasileira. Também manteve posição comprada em inflação implícita no Brasil, tomada em juros na Europa e comprada em ouro. Dentre as moedas, o fundo segue vendido no euro, mas zerou a venda de libra.
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