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Neste jogo de xadrez internacional, os chineses vão além do respeito ao território ucraniano e estão atentos às sua própria soberania

Sem alarde e sem palavras de ordem. Foi assim que a China finalmente deu as caras no conflito entre Rússia e Ucrânia. A posição do gigante asiático era aguardada para que ficasse evidente o que está em jogo: o reequilíbrio de forças globais.
Não era difícil de adivinhar que Pequim ficaria do lado de Moscou — e, portanto, contra os Estados Unidos. No entanto, o tom da abordagem é que chama atenção.
Em um telefonema nesta sexta-feira (25) ao colega russo, Vladimir Putin, o presidente chinês, Xi Jinping, defendeu o diálogo e reforçou a respeito à soberania.
Na ligação, Xi afirmou que a "dramática mudança" na situação do leste ucraniano atraiu alto nível de atenção da comunidade internacional.
Para ele, é importante abandonar a "mentalidade de Guerra Fria" e respeitar as demandas razoáveis de segurança de todos os Estados, de forma "equilibrada, sustentável e efetiva".
Com a invasão russa à Ucrânia ficou claro que Putin não quer que Kiev faça parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Mas, para entender melhor o caso, precisaremos olhar para a história.
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A Otan foi formada logo após a Segunda Guerra pelos Estados Unidos para garantir que a Guerra Fria não esquentasse e se tornasse uma guerra nuclear. Do lado da União Soviética foi estabelecido o Pacto de Varsóvia.
Em meio ao processo de dissolução da URSS, o Pacto de Varsóvia foi extinto em março de 1991. Já a Otan, que tinha entre suas funções “deter o avanço do comunismo”, seguiu não apenas existindo, mas também se expandindo.
E é aí que voltamos aos dias atuais e as posições russa e chinesa se alinham. Ao falar em respeito à soberania e às demandas de todos os Estados, as palavras de Xi para Putin não convergem apenas ao caso ucraniano, mas também às constantes ameaças à soberania nacional chinesa.
O cuidado da China em não apoiar explicitamente uma invasão a territórios separatistas encontra como resposta Taiwan.
E dois pontos devem ser observados. O primeiro é que Pequim recorrentemente acusa países como Estados Unidos e Reino Unido de violarem os interesses chineses em matéria de segurança nacional ao defenderem que a província se arme e declare independência formal.
A China considera Taiwan como parte do território do país, mas a ilha tem um governo autônomo, com apoio dos Estados Unidos, desde a revolução comunista de 1949. Nos últimos anos, Pequim elevou o tom contra os separatistas, o que despertou o temor de uma invasão.
Não à toa ontem, quando as forças de Vladimir Putin entraram nos territórios do leste ucraniano, a Força Aérea de Taiwan alertou que nove aeronaves chinesas entraram em sua zona de defesa.
Taiwan tem observado com cautela a crise na Ucrânia, com medo de que a China faça algum movimento. Embora a província não tenha relatado nenhuma ação incomum das forças chinesas, o governo aumentou seu nível de alerta.
Enquanto ouvia de Xi Jinping sobre soberania e diálogo, Putin reclamou da Otan e dos Estados Unidos.
O presidente russo disse ao colega chinês que os Estados Unidos e a aliança ignoraram as preocupações de segurança legítima de Moscou e repetidamente rejeitaram suas promessas à Rússia.
O líder do Kremlin expressou ainda disposição em manter negociações de alto nível com Kiev.
Mais cedo, o presidente da Ucrânia pediu negociações com Moscou em dois pronunciamentos. Em um deles, Volodymyr Zelensky afirmou que seu país pode adotar um “status neutro” — o que, na prática, significaria o abandono da ambição de entrar na Otan.
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