⚠️ DIVIDENDOS EM RISCO? Lula, Bolsonaro, Ciro e Tebet querem taxar seus proventos e podem atacar sua renda extra em 2023. Saiba mais aqui

Ivan Sant’Anna
Seu Mentor de Investimentos
Ivan Sant’Anna
É trader no mercado financeiro e autor da Inversa
2022-09-02T15:55:59-03:00
IVAN SANT'ANNA

Diário da campanha: As chances de Lula, Bolsonaro e da terceira via mudaram na reta final para o primeiro turno?

Faltando um mês para as eleições, acredito ser quase impossível que Ciro ou Simone alcancem Bolsonaro, mas Lula dificilmente vence no 1º turno

4 de setembro de 2022
7:23 - atualizado às 15:55
Lula, Bolsonaro, Ciro e Simone
Os candidatos Lula, Bolsonaro, Ciro Gomes e Simone Tebet. - Imagem: Flickr/Ricardo Stuckert/Agência Brasil/José Cruz/

Desta vez vou escrever minha crônica mensal para o Seu Dinheiro de modo diferente das anteriores.

Ao invés de sentar ao teclado e concluir o texto em quatro ou cinco horas, vou trabalhar picadinho, um pouco cada dia, relatando os fatos, e minhas opiniões sobre eles, à medida em que acontecem, me aproveitando do dinamismo de uma campanha eleitoral, embora esta esteja se caracterizando por muita tensão e poucas mudanças nas intenções de voto.

Em todo caso, se houver alguma variação súbita, não estranhe, caro amigo leitor, se um parágrafo no começo da crônica for conflitante com algo que surgirá mais perto do fim.

Lula partiu na frente

Pois bem, antes das entrevistas ao Jornal Nacional, o panorama favorecia amplamente Luiz Inácio Lula da Silva em comparação com o adversário, presidente Jair Bolsonaro.

Pelas últimas pesquisas até essa época, Lula poderia vencer no primeiro turno ou ir para o segundo contra Bolsonaro, com grande vantagem sobre o capitão-presidente.

Não podemos jamais esquecer que Jair Bolsonaro detém a caneta e não costuma ser parcimonioso ao usá-la.

Só que isso não tem feito muita diferença.

Os beneficiados pelos programas de distribuição de renda, por exemplo, acham ótimo receber o dinheiro mas, curiosamente, não têm dado indicações de que irão mudar seu voto por causa disso.

Uma pesquisa feita entre os que estão recebendo o Auxílio Brasil revelou que 80% deles continuam, curiosamente, chamando o benefício de Bolsa Família.

As sabatinas no Jornal Nacional

Mas retomemos o fio da narrativa.

Em sua entrevista ao Jornal Nacional, Bolsonaro saiu-se bem. Não foi agressivo, como tinha sido na campanha de 2018, e provavelmente não perdeu votos. Mas não acredito que tenha aumentado sua base eleitoral. Muito menos, diminuído.

Entre Jair Bolsonaro e Lula, o JN entrevistou Ciro Gomes.

O ex-prefeito de Fortaleza, ex-governador do Ceará e ex-ministro da Fazenda apresentou um programa quimérico de governo que, com um pouco de exagero de minha parte, poria o Brasil, ao final de quatro anos (ele disse que não se candidataria à reeleição), no nível de Austrália e Canadá.

De acordo com o cenário atual, basta Ciro Gomes renunciar à sua candidatura que a vitória de Lula estará consumada. Consultas feitas junto aos eleitores de Ciro mostraram que a maior parte deles tem Lula como segunda opção.

Para o mercado financeiro, Ciro seria a pior das opções. Ele não esconde sua ojeriza pelos bancos e pela “jogatina” na Bolsa.

Já para o sistema bancário, nem se fala. A ideia de Ciro Gomes de zerar as dívidas de quem pagou o dobro do valor nominal do empréstimo ou da compra de bens a prestação deixa um fio desencapado. Ele esquece, ou parece se esquecer, que cada dívida tem um financiador do outro lado.

Lula foi entrevistado por William Bonner e Renata Vasconcellos na quinta-feira 25. Para surpresa de muita gente, que esperava vê-lo enrolado com os escândalos do “mensalão” e do “petrolão”, saiu-se melhor do que seus adversários.

A propaganda na TV

Na sexta-feira, 26 de agosto, começou a propaganda eleitoral na televisão. Tanto as inserções de Lula como as de Bolsonaro se baseiam em acusações um ao outro.

Uma coisa que não falta são declarações de envolvidos no escândalo do Petrolão confessando – em troca de diminuições, ou até de extinções, de penas – pagamentos e recebimentos de propinas.

Isso sem falar no dinheiro devolvido aos cofres públicos, o que por si só é uma prova incontestável das falcatruas.

Do outro lado, sobram falas e imagens de Jair Bolsonaro chamando a Covid-19 de “gripezinha”, dizendo “eu não sou coveiro”, ao ser perguntado sobre o número de mortos no Brasil pela pandemia, imitando pessoas morrendo sufocadas por falta de oxigênio e fazendo pouco caso de vacinas aceitas em todo o mundo.

Quem assistiu a campanha presidencial de 2014, quando os marqueteiros de Dilma Rousseff, comandados por João Santana, criaram peças de marketing eleitoral que ameaçavam os eleitores de Marina Silva de passar fome, tendo seus pratos de comida retirados da mesa, e os de Aécio Neves perdendo seus benefícios de Bolsa Família, sabe bem do que estou falando.

Fake news vem de longe

Esse tipo de fake news (embora não se usasse esse termo) é antigo no Brasil.

Nas eleições presidenciais de 1945, após 15 anos de ditadura Vargas, quando o brigadeiro Eduardo Gomes era franco favorito contra o general Eurico Gaspar Dutra, o empresário Hugo Borghi, dono de 150 emissoras de rádio, faltando duas semanas para o pleito, afirmou que o brigadeiro declarara que “não precisava de votos de marmiteiros”.

Na verdade, o que aconteceu foi o seguinte:

Num comício no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, Eduardo Gomes disse que dispensava os votos da “malta de desocupados que anda por aí”.

Desfecho: Dutra venceu o Brigadeiro por 55,39% a 34,74%.

Mais uma vez voltando a falar deste ano, além das inserções de propaganda, teremos debates aos quais Lula e Bolsonaro prometem ir. Aliás, um só vai se o outro for para não ser linchado por Ciro, Simone Tebet e mais alguns que fingem que estão disputando o Planalto.

Por mais que Bolsonaro não aceite a derrota, caso ela realmente aconteça, ele não terá como ficar no cargo.

Para se dar um golpe de Estado, é preciso que haja um arremedo de legitimidade, mesmo que atropelando a Constituição.

Em 1964, por exemplo, o senador Auro de Moura Andrade, que presidia o Congresso, declarou vaga a presidência da República.

A junta militar que assumiu o poder imediatamente criou a figura do Ato Institucional.

Quinze dias mais tarde, já estando João Goulart refugiado no Uruguai, o Congresso Nacional, em sessão conjunta, elegeu o marechal Humberto de Alencar Castelo Branco presidente da República.

Para que a “eleição” tivesse mais aspecto de disputa democrática, competiram contra Castelo os marechais Juarez Távora (3 votos) e Eurico Gaspar Dutra (2 votos). 

Castelo Branco recebeu 361 votos (98,63%), inclusive o do ex-presidente Juscelino Kubitschek, que mais tarde seria cassado pelos militares por ato institucional, e Ulysses Guimarães, que lideraria a oposição durante muitos anos.

Para dar um autogolpe, como alguns imaginam que Bolsonaro poderia fazer caso perdesse nas urnas, seria preciso que outros países reconhecessem sua permanência no governo, coisa praticamente impossível de acontecer.

Resumindo: Quem vencer nas urnas em 2022, tomará posse em 1º de janeiro de 2023.

Vou interromper esse texto agora, para assistir o debate da Band. Lula e Bolsonaro prometeram estar presentes.

O debate na Band

Vi ontem o primeiro confronto direto, ao qual compareceram os seguintes candidatos: Felipe d’Avila (Novo); Luiz Inácio Lula da Silva (PT); Simone Tebet (MDB), Jair Bolsonaro (PL), Soraya Thronicke (União) e Ciro Gomes (PDT).

Felipe, Simone, Soraya e Ciro caíram como urubus na carniça em cima de Lula e Bolsonaro. E ambos se saíram muito mal.

Jair Bolsonaro quis mostrar os grandes feitos de seu governo e Lula fugiu de todas as perguntas sobre corrupção nos 14 anos de presidência petista, não se cansando de repetir aquela frase feita “Fui o melhor presidente da história desse país”.

Segundo pesquisas de opinião pública, feitas após o debate, Simone Tebet e Ciro Gomes, nessa ordem, foram os vencedores. Isso não significa absolutamente (e agora sou eu que digo) que Lula e Bolsonaro perderam votos.

Mas se Simone e Ciro crescerem, com certeza teremos segundo turno. Só que será disputado entre os dois favoritos. O tempo me parece curto para que alguém ultrapasse um deles.

Na segunda-feira, 29 de agosto, foi divulgada a segunda pesquisa do Ipec. Ela já reflete as entrevistas ao Jornal Nacional e os dois primeiros dias de propaganda gratuita na TV. Mas não o debate na Band.

Pelo quadro abaixo podemos ver o comportamento dos candidatos:

CandidatoIntenção de votos em 15 de agostoIntenção de votos em 29 de agosto
Lula44%44%
Bolsonaro32%32%
Ciro Gomes6%7%
Simone Tebet2%3%

Pode ser que na pesquisa do Datafolha Ciro e Simone subam mais um ou dois pontinhos, graças ao bom desempenho no debate da Band. Mas estou cada vez mais convicto de que haverá haverá segundo turno e que ele seja disputado entre Lula e Bolsonaro, com ampla vantagem para o primeiro.

Lula e Bolsonaro quase garantidos no 2º turno

São 21 horas de quinta-feira, 1º de setembro. 

Acaba de sair a Datafolha, já refletindo a repercussão, entre os eleitores, do debate na Band.

Lula perdeu dois pontos, caindo de 47% para 45% das intenções de voto. Bolsonaro manteve seu terço de eleitores. Para ser mais exato, 32%, o que parece ser tanto seu teto como seu chão.

Ciro Gomes e Simone Tebet, os vencedores do debate, melhoraram bastante. Ele, de 7% para 9%. Ela, de 2% para 5%.

Só que, faltando um mês para o 1º turno, acredito ser quase impossível que um deles alcance Bolsonaro. 

Por outro lado, dificilmente deixaremos de ter a segunda rodada.

Aí será outra história, que com certeza merecerá ser contada.

Um forte abraço,

Ivan Sant'Anna 

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