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Conheço muita gente feliz e realizada sem ter feito graduação em uma grande universidade, então tudo depende do modelo de sucesso para você
O nome da faculdade realmente importa na hora de conseguir um emprego? Depende.
Sim, eu sei que você gostaria de uma resposta objetiva e definitiva, mas neste caso realmente vai depender de vários fatores.
Compartilho a seguir várias histórias reais de pessoas que conheci ao longo da minha carreira, que mostram que os caminhos profissionais podem se dar de formas muitos distintas e que o nome da instituição pode assumir tanto papel principal como coadjuvante nas histórias. Vamos aos casos.
Sempre teve muita clareza que a profissão a ser escolhida estava dentro da área da saúde. Já no início do ensino médio, começou a estudar intensamente para preparar-se para o tão temido vestibular. Ali no terceiro ano, decidiu que ingressaria em Farmácia. Amava química, física e biologia, e tinha certeza de que seria feliz nessa graduação.
Como já vinha se preparando há muito tempo, e mesmo estudando em colégios públicos, conseguiu a tão sonhada vaga na Universidade de São Paulo, a USP. Ela tinha muita convicção de que essa faculdade seria fundamental para o seu sucesso profissional.
Entretanto, Marina não contava com a possibilidade de não gostar do curso. Embora estivesse sendo aprovada em todas as disciplinas, sentia intimamente de que não era ali o seu lugar. Desistiu do curso, no exato momento em que foi aprovada em Medicina.
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Diferentemente da primeira escolha que havia sido pela USP, dentre as várias aprovações conquistadas, Medicina era bicho diferente, era muito mais difícil o acesso. Marina conseguiu uma bolsa integral para o curso em uma universidade privada, em uma instituição sem grande nome.
Como Marina era pobre e sabia que esta poderia ser a única (e melhor) oportunidade da vida para realizar seu sonho, abraçou com unhas e dentes e figurou, durante todo o curso, entre as melhores da sala.
Toda a disciplina e empenho resultaram em sua aprovação direta na residência. Conquistou um emprego em um hospital muito disputado e referência na especialidade escolhida.
Perceba, se Marina estudasse em qualquer outra instituição mais renomada, talvez o resultado teria sido muito similar a esse. Afinal, ela era uma pessoa obstinada e muito ambiciosa. Fez tudo o que podia e o que estava ao seu alcance para conquistar seu espaço.
Marina hoje é uma referência técnica no hospital onde atua e é conhecida por todos pela altíssima competência em tudo o que faz.
Neste exemplo, o nome da instituição parece não ter feito muita diferença - pelo fato de ser medicina e pelas próprias características pessoais da Marina.
Extremamente sociável, com muita habilidade nos relacionamentos interpessoais, de fácil conexão e muito inteligente. No ensino médio, figurava entre aqueles que sentam do meio para o fundo da sala e que estabelecem vínculos com os mais reservados aos mais despachados.
Não titubeou em escolher o curso de Direito quando chegou ao famigerado terceirão. Gostava de humanidades em geral e mandava bem na escrita. Tinha desempenho mediano na escola, mas o suficiente para garantir uma vaga em uma instituição que não necessariamente era listada entre as melhores de São Paulo.
Paulo percebeu, ali pela metade do curso, que queria trabalhar em um departamento jurídico de uma grande empresa. Era ambicioso e entendeu que este caminho viabilizaria vários de seus sonhos.
Antes de chegar lá, teve de enfrentar e ser aprovado no famoso exame da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Ou seja, fazendo faculdade A, B ou C, ele acabaria chegando à mesma prova.
Viu uma oportunidade de emprego em um escritório de advocacia, que não era o que queria inicialmente, mas era a única possibilidade naquele momento.
Ganhou muita experiência em diferentes áreas do Direito, conheceu muita gente durante esse período e, quando sentiu que era hora de mudar, começou a fazer contato com várias pessoas no mercado.
Em uma dessas ligações, descolou uma entrevista em uma grande empresa. Colocou em prática toda a habilidade de comunicação e de relacionamento interpessoal, e conquistou a vaga. Com o decorrer do tempo, foi apresentando performance sempre acima da média e conquistou sucessivas promoções.
Ao ganhar mais desafios nos novos papéis que ia assumindo, se viu com a necessidade de aprimorar repertório técnico e partiu para um curso de pós-graduação. Como não tinha um diploma das famosas universidades de primeira linha, acabou escolhendo uma delas para dar aquele "up" no currículo.
Neste caso, observamos que a faculdade escolhida parece ter influenciado pouco no crescimento e ascensão do Paulo. Boa parte dos aspectos que o impulsionaram estava diretamente ligado ao nível de maestria nas relações e comunicação que ele possui.
Portanto, aqui, a universidade parece não ter influenciado muito na carreira.
Muito estudioso e competitivo, Bruno sempre teve certeza de que sua formação seria em Exatas. Acabou escolhendo Engenharia Elétrica. Formou-se na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (POLI-USP).
Ao aproximar-se do final do curso, teve a oportunidade de fazer estágio em uma grande consultoria de negócios, graças a um programa de parceria entre essa empresa e a Poli.
Tinha desempenho diferenciado e fez parte de vários projetos estratégicos na organização. Com o término do contrato, decidiu que gostaria de viver outras experiências em outros segmentos e corporações.
Aplicou para dezenas de processos de seleção de trainee, aqueles com foco na aceleração de carreira de jovens talentos. Priorizou os processos de emprego de grandes marcas e empresas. Foi aprovado em três.
Em todos, a aprovação foi feita com o seguinte comentário: a sua experiência anterior em uma consultoria tão renomada nos chamou a atenção, além da sua formação em uma das melhores universidades do país.
Neste caso, uma coisa levou à outra. Por estar na Poli, teve a chance de ingressar em um programa de estágio exclusivo. Ali teve experiências diversas e intensas, o que o levou a ser aprovado mais facilmente no competitivo programa de trainee.
Hoje, Bruno ocupa uma posição como executivo dentro de uma grande empresa aos 35 anos. Aqui talvez a escolha por essa universidade em específico possa ter facilitado, em alguns aspectos, o crescimento acelerado na carreira.
Andrea escolheu a graduação de Relações Internacionais. Amava estudar história e geopolítica, e a escolha pelo curso foi um tanto fácil quando se deparou com um manual do estudante durante o ensino médio.
Era bastante dedicada aos estudos e tinha notas muito satisfatórias. Prestou vestibular em várias instituições e acabou conquistando uma vaga em uma faculdade pública, muito renomada na área.
Ao longo da graduação, fez vários projetos, incluindo iniciação científica. Teve o privilégio de estudar com professores muito gabaritados academicamente e ali criou vínculos importantes, que a ajudariam a conquistar uma vaga em um concorrido programa de mestrado, considerado um dos melhores do Brasil em sua área.
Como ela já havia desenvolvido conexões com diversos professores da área, teve a oportunidade de colaborar em variados artigos acadêmicos, que contariam muitos pontos para a qualificação e a avaliação final da tese.
Do mestrado, seguiu para o doutorado em uma universidade americana. Lá continuou construindo sua rede de relações, que a levaram a ter oportunidades ímpares de desenvolvimento. Inclusive chegou a lecionar na Columbia, uma das melhores universidades do mundo, como professora assistente.
De lá, quis retornar ao Brasil e assumiu uma importante posição em uma das instituições privadas mais tradicionais do país. Para chegar lá, passou por um árduo processo seletivo, em que concorreu com muitos outros professores doutores com alta qualificação.
Neste caso, uma coisa também levou à outra, e as escolhas da Andrea por essas instituições parecem ter aberto portas mais facilmente para a progressão na carreira.
Sempre muito curioso e um cara que gostava de aprender fazendo. Aos doze anos, já desmontava e montava os eletrônicos em casa. Tinha um perfil autodidata e gostava de ler absolutamente tudo que surgia à sua frente.
Ao longo da adolescência, foi entendendo que gostava muito de computação. Nerd assumido e gamer, logo estava brincando de programar a partir de vídeos tutoriais que via na internet. Em pouco tempo, já programava diversas coisas, inclusive com uma certa complexidade.
Quando estava para concluir o ensino médio, foi convidado por um amigo de seu pai a trabalhar na empresa dele nas férias. Ali começou a desenvolver algumas soluções simples de tecnologia a partir da programação. Em pouco tempo, já tinha grande habilidade e maestria nisso.
Tiago acabou desistindo de fazer faculdade, pois não via nenhuma necessidade de conteúdo teórico para desenvolver o que já fazia. Galgou ainda mais algumas posições na empresa do amigo do pai e, de lá, aplicou para uma vaga em uma grande empresa de tecnologia.
Atualmente é desenvolvedor de sistemas e continua muito feliz e realizado na carreira. Não tem intenção de fazer graduação, apenas cursos de especialização na área de tecnologia.
Em suma, acabei usando alguns exemplos de pessoas que ascenderam profissionalmente, mas isso não significa ser prescrição ou fórmula de sucesso em uma profissão.
Conheço muita gente competente, que é muito feliz e realizada sem ter feito graduação em grandes universidades. Tudo vai depender do que você estabelece como meta e modelo de sucesso para você.
Há muitas Marinas, Paulos, Andreas, Brunos e Tiagos que chegarão em posições e conquistas profissionais muito similares, mas cada um em sua própria cadência e velocidade, a partir de privilégios, escolhas, esforços, dedicação, sorte e acaso que se faz e tem ao longo da vida.
Nota final: a educação e a universidade podem abrir portas (e as cotas também).
Até a próxima,
Thiago Veras
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