‘Feedback destrutivo’ prejudica o desempenho no trabalho, diz pesquisa; veja 5 passos simples para líderes oferecerem críticas construtivas
Estudo da Harvard Business Review mostra que a maneira com que os chefes avaliam os funcionários pode gerar falta de confiança e pedidos de demissão

Qualquer pessoa com contas a pagar tem receio de receber um feedback negativo no trabalho. Embora essas orientações sejam necessárias para ajudar o funcionário a avançar na carreira, uma pesquisa da Harvard Business Review aponta que o efeito no desempenho pode ser bastante negativo quando o feedback é considerado destrutivo e humilhante.
A pesquisa considerou 402 funcionários de trabalho em tempo integral — até 40 horas semanais — nos Estados Unidos. O estudo pediu para que os participantes relatassem críticas que já receberam e como se sentiram sobre elas.
Cerca de 81% das pessoas afirmaram já ter recebido um feedback destrutivo e mais de 78% dos entrevistados declararam lembrar exatamente dos sentimentos de humilhação e confiança abalada, mesmo anos depois.
Segundo a pesquisa, os funcionários tendem a aceitar melhor o feedback negativo quando é percebido como justo e motivado por um desejo de ajudar, em vez de culpar.
Críticas destrutivas são prejudiciais para os funcionários e empresas
Os “feedbacks destrutivos” atingem não apenas o funcionário em si, mas também moldam como as pessoas se comportam e veem a empresa que trabalham.
Quando feitas publicamente ou de forma desproporcional, as críticas depreciativas levam as pessoas ao isolamento, com menos sugestões e participação em reuniões, por exemplo.
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Parte dos entrevistados afirmou que o feedback gerou um choque no local de trabalho e moldou o desejo de sair da empresa, o que, de acordo com o estudo, aumenta os custos de recrutamento e treinamento.
Outra consequência é a mudança de rumo profissional. Com menos confiança, funcionários passam a ver menos o próprio potencial a longo prazo e evitam assumir menos responsabilidades no trabalho. O impacto recai sobre a empresa, que também tem sua linha de liderança enfraquecida – dificultando sua continuidade.
Os feedbacks destrutivos mais comuns no trabalho
Os feedbacks sem orientações estão no topo das reclamações. A pesquisa mostra que 78% dos funcionários relataram já ter recebido críticas com pouca ou nenhuma instrução para melhorias, o que não contribui para o desenvolvimento da carreira.
Já cerca de 67% dos entrevistados afirmaram que as opiniões negativas foram baseadas em informações distorcidas ou incompletas sobre o desempenho profissional.
Quase 44% dos colaboradores afirmaram já ter recebido um feedback com olhos revirados, zombaria, tom desdenhoso ou gritos. Nesses casos, o problema, segundo o estudo, não foi necessariamente o conteúdo da mensagem, mas a transmissão.
Outra maneira comum de feedback destrutivo é o de ataques pessoais. Cerca de 24% dos entrevistados relataram se sentir humilhados quando as críticas atingem o caráter ou personalidade, o que tende a gerar vergonha em vez de aprendizado.
A pesquisa também mostra que 23% dos entrevistados relataram ter sofrido um feedback destrutivo em público. Entre os locais citados estão reuniões com outras pessoas, trocas de e-mails ou conversas em grupos.
5 dicas para dar feedbacks negativos eficazes
Com base nos relatos dos entrevistados, a pesquisa selecionou cinco práticas para líderes realizarem feedbacks negativos que sejam construtivos para a carreira dos funcionários.
1. Estabeleça limites para as críticas
A maioria das organizações define como deve ser um bom feedback, mas poucas listam o que o feedback nunca deve fazer. Os líderes devem deixar claro que as críticas não devem humilhar, envergonhar, punir ou atacar o caráter de alguém.
De acordo com o estudo, quando esses limites permanecem implícitos, quem dá o feedback pode justificar críticas destrutivas com características como honestidade ou responsabilidade.
2. Use uma estrutura de três etapas
O feedback deve seguir uma estrutura de três etapas:
- Identificar um comportamento específico;
- Explicar por que ele é importante; e
- Descrever os próximos passos.
Sem esses três elementos, o feedback corre o risco de parecer um julgamento, diz a pesquisa.
3. Diminua o ritmo no momento do feedback
Muitos comentários destrutivos surgem em momentos de pressão, frustração ou surpresa.
Uma breve pausa antes da conversa de feedback pode fazer a diferença.
4. Repare rapidamente quando o feedback der errado
Nem todas as conversas de feedback terão o efeito desejado. Quando as críticas causam danos pessoais, é importante dar continuidade ao assunto e tentar consertar o problema para restaurar a confiança da equipe.
“Reconhecer o valor do funcionário, esclarecer a intenção e reconstruir ativamente a segurança psicológica pode impedir que um único incidente se transforme em uma ruptura duradoura”, mostra a Harvard Business Review.
5. Evite preconceitos disfarçados de feedback
Os dados do estudo também mostram que críticas destrutivas frequentemente estão vinculadas a preconceitos com grupos minoritários.
A pesquisa recomenda que o líder analise periodicamente a quem o dá feedback crítico, com que frequência e em que tom.
“Verifique seus padrões: antes de dar feedback, certifique-se de que está cobrando dessa pessoa as mesmas expectativas relevantes para o trabalho que você aplica aos outros. Baseie seus comentários em comportamentos observáveis, resultados, padrões de desempenho compartilhados e exemplos específicos. Concentre-se no trabalho, não em impressões pessoais”.
*Com informações do HBR
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