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Desde que a crise deixada pelo coronavírus começou a ficar no passado, o mercado financeiro se viu diante de uma dificuldade maior na leitura dos dados econômicos divulgados.
É bem verdade que caminhamos muito desde que o pior passou, mas os economistas e os banqueiros centrais seguem tendo que encarar números ambíguos na hora de tomar uma decisão.
No passado recente, chamava a atenção a desigualdade da recuperação dos diversos setores da economia. Agora, indicadores de inflação e do mercado de trabalho se chocam e não permitem que um cenário-base definitivo seja cravado.
O resultado disso você conhece bem: muita volatilidade nas bolsas.
Nestes tempos, é difícil que um número seja apenas “bom” ou “ruim”. Sempre existem muitas camadas a serem analisadas. Tome por exemplo a divulgação do relatório do mercado de trabalho americano (payroll) divulgado nesta manhã.
Foram criadas 372 mil vagas de emprego, acima das previsões de 275 mil. Se por um lado o número comprova a recuperação da economia, por outro, a resiliência do mercado de trabalho estadunidense pode ser um sinal verde para que o Banco Central norte-americano siga o plano de elevar os juros ainda mais.
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Para William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue Securities, a postura do Federal Reserve (Fed) se manterá restritiva e firme em controlar a inflação até que os dados parem de ser dúbios e mostrem que, em diversos espectros, ela se encontra realmente em desaceleração — o que só deve acontecer mais para o fim do terceiro trimestre.
Em Nova York, as bolsas conseguiram reverter as perdas iniciais e fecharam em leve alta, ainda otimistas com a possibilidade de se evitar uma recessão.
Por aqui, a inflação brasileira veio levemente acima do esperado, mas a instabilidade provocada pelos dados imperou ao longo do dia — que também contou com uma pressão negativa do minério de ferro.
Com isso, o Ibovespa fechou em queda de 0,44% aos 100.288,94 pontos, mas avançou 1,35% na semana. Já o dólar à vista fechou a sexta-feira em baixa de 1,44%, a R$ 5,2680, um recuo acumulado de 1%.
Veja tudo o que movimentou os mercados nesta sexta-feira, incluindo os principais destaques do noticiário corporativo e as ações com o melhor e o pior desempenho do Ibovespa.
CONSOLIDAÇÃO DO MERCADO
Investindo lá fora: Itaú (ITUB4) compra 35% da Avenue e abre as portas para o exterior. Num primeiro momento, o banco pagará R$ 493 milhões pela fatia em questão e realizará um aporte de R$ 160 milhões na corretora.
POUCA VISIBILIDADE
Nos céus do mercado, uma distorção: a Eve e seus carros voadores já valem mais que a Embraer (EMBR3), a controladora. O caso parece difícil explicar, mas de acordo com especialistas, a inversão é esperada e ainda deve levar um tempo para se ajustar.
SEMANA EM CRIPTO
Bitcoin (BTC) passa pela primeira semana de julho em alta após péssimo semestre para criptomoedas. Nos próximos dias, os investidores acompanham a divulgação de dados da inflação nos Estados Unidos e o Livro Bege do Fed, ambos com potencial para mexer com os ativos digitais.
NÃO SEI SE VOU OU SE FICO…
É hora de fugir da Oi? OIBR3 tem potencial de valorização de ‘apenas’ 11%, segundo o UBS — veja se vale a pena vender as ações. Empresa de telecomunicações dá passos na direção de encerrar o processo de recuperação judicial, mas papéis têm apanhado ao longo do ano, acumulando queda de mais de 65%.
INDO ÀS COMPRAS
Mais uma, Randon (RAPT4)? Grupo paga mais de R$ 200 milhões por empresa norte-americana de reboques. A aquisição da Hércules faz parte da estratégia de expansão da companhia.
A PASSOS DO IPO
Contra a maré: Creditas capta US$ 50 milhões e anuncia novas aquisições. Empresa já recebeu mais de US$ 829 milhões em investimento e se tornou um unicórnio em dezembro de 2020; a fintech teve o maior aporte entre startups no primeiro semestre deste ano.
A primeira Super Quarta do ano promete testar o fôlego da bolsa brasileira, que vem quebrando recordes de alta. Alianças comerciais e tarifas dos EUA também mexem com os mercados hoje
A expectativa é de que o Copom mantenha a Selic inalterada, mas seja mais flexível na comunicação. Nos EUA, a coletiva de Jerome Powell deve dar o tom dos próximos passos do Fed.
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