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O medo de perder dinheiro e a ganância são forças que guiam a maior parte das decisões de investimento, e é preciso disciplina para não cair na narrativa dos que ganham dinheiro vendendo o caos em tempos difíceis
Ninguém em sã consciência gosta de perder dinheiro. Todo investidor quer comprar algo por um preço que julga ser barato ou justo para posteriormente vendê-lo mais caro – em alguns casos, nem vender é preciso, contanto que o ativo retorne o dinheiro investido de alguma forma.
O problema é que o medo de perder dinheiro e a ganância são duas das piores forças psicológicas que o investidor precisará aprender a conviver.
Essas duas forças parecem alimentadas por um comportamento que serve a ambas: o chamado comportamento de manada, de seguir o que a maioria está fazendo – comprar quando todos estão comprando e vender quando todos estão vendendo — e ainda esperar um desempenho acima da média.
Não precisamos ir tão longe para saber que é menos doloroso errar em grupo.
Quem não se lembra daquela prova que você ficou triste porque tirou 0, mas descobriu que ninguém tirou mais do que 1. O sentimento até que não pareceu tão ruim assim, né?
Apesar de que com dinheiro o negócio fica mais sério: o caso de Natura está aí para comprovar que também dói errar em grupo.
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Por mais contraintuitivo que pareça, o medo de perder sozinho – de, por exemplo, comprar quando a maioria está vendendo – pode nos levar a fazer o que todos estão fazendo, o que na maioria das vezes não é a melhor decisão.
E como o medo e a ganância são as duas forças que guiam a maior parte das decisões de investimento, é preciso muita disciplina para não cair na narrativa daqueles que ganham dinheiro vendendo o caos em tempos difíceis e a bonança em tempos mais calmos.
Apesar de acreditar que a melhor forma de se manter disciplinado é se aprofundar nos fundamentos de uma empresa, em tempos extremos eu gosto de recapitular as lições de grandes investidores que admiro.
Um deles é Warren Buffett, um dos maiores e mais admirados investidores de todos os tempos.
Na carta que escreveu aos acionistas da Berkshire Hathaway em 1965, ele cunhou uma de suas frases que mais gosto:
“[...] we simply attempt to be fearful when others are greedy and to be greedy only when others are fearful.”
A tradução livre da frase seria algo como “nós simplesmente tentamos ter medo quando os outros estão gananciosos e ser gananciosos apenas quando os outros estão com medo”.
Trazendo o ensinamento para a nossa realidade, não tem sido fácil carregar ações nos últimos 12 meses.
A alta do juro não só aumentou o retorno exigido pelo investidor para comprar bolsa, como também tem impactado o lucro e o valuation das empresas.
Até porque o dinheiro que poderia ser distribuído via dividendos, agora é utilizado para pagar as maiores despesas financeiras.
Sem falar na renda fixa que não para de atrair dinheiro antes alocado em ações e tornando a bolsa ainda mais barata como num círculo vicioso.
Como consequência desse movimento conjuntural, aumenta-se a discrepância entre preço e valor, formando assim as melhores oportunidades de investimento.
E é justamente neste momento que o investidor com foco em longo prazo deve evitar cometer o erro de deixar que as emoções conduzam suas decisões de investimento.
Uma carteira razoavelmente diversificada em boas empresas, com a quantidade adequada de risco para atender às suas necessidades, é como um navio destinado a sobreviver a todas as tempestades.
Mas ninguém poderá salvá-lo se você pular.
Essa é a hora de plantar e não de colher investimentos.
As ações podem cair amanhã, na próxima semana, no próximo mês ou até no próximo ano.
Mas você provavelmente ficará feliz por ter comprado ações nesses níveis daqui a 5 anos.
Siga o conselho de Warren Buffett: seja ganancioso quando os outros estiverem com medo.
Abraço,
Matheus Soares
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