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Bolsa negocia próxima a 8 vezes lucros projetados, portanto há oportunidades de entrada em companhias de qualidade descontadas para buscar ganhos no médio e longo prazo

Os desafios macroeconômicos no caminho do Brasil não são poucos, mas nem por isso o país deixa de ter boas oportunidades de investimento em ações — não à toa os estrangeiros têm olhado para cá como uma alternativa entre os emergentes.
E no radar dos gringos não estão somente as ações de produtoras de commodities ou instituições financeiras, eles estão de olho em ações ligadas a setores cíclicos domésticos.
Ainda que o país tenha uma eleição pela frente e uma inflação persistentemente elevada, a Bolsa negocia próxima a 8 vezes lucros projetados, o que representa um desconto de cerca de 30% em relação à média histórica.
As micro e small caps, ações de empresas com baixa capitalização de mercado e menor liquidez, sentiram o peso da pandemia de covid-19, da deterioração do cenário macroeconômico e do estopim da guerra entre Rússia e Ucrânia.
Para a analista da Empiricus, Cris Fensterseifer, as companhias de menor capitalização, que tenham boa gestão, operações em ordem e capacidade de execução são justamente as que têm possibilidade de maiores upsides ao longo do tempo.
“Quando as empresas são boas e têm o lucro crescendo, mais cedo ou mais tarde, o preço das ações acabam convergindo para o valor intrínseco”, disse ela durante live semanal com Felipe Miranda, CIO da Empiricus.
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A analista lembra que depois de crises como as de 2008 e 2015, o que se viu foram empresas do tipo se sobressaindo com a rápida recuperação e altas.
Entre as micro e small caps, Cris Fensterseifer escolheu duas: 3R Petroleum (RRRP3) e WDC Networks (LVTC3).
A 3R Petroleum é uma microcap com foco no desenvolvimento e revitalização de campos já maduros com reservas comprovadas de petróleo e gás em terra (onshore) e em águas (offshore).
A empresa pega a onda das commodities, uma vez que o preço do petróleo deve seguir em patamar elevado devido ao conflito entre Rússia e Ucrânia. Mas o mais relevante, segundo a analista, é que após acelerar as aquisições de ativos da Petrobras, a empresa começará a ampliar as receitas a partir do segundo semestre.
“Costuma levar 12 meses entre assinar e operar os ativos. Então, este ano marca a transição entre o período de compras e o reconhecimento de receitas”, explica.
Segundo ela, a ação RRRP3 está descontada ao se analisar tanto a métrica valor da empresa frente às reservas quanto o valor de mercado de seus pares.
A outra opção de Cris Fensterseifer é a WDC Networks (LVTC3), uma empresa que comercializa e também aluga modens e equipamentos para telefonia móvel e está muito inserida no contexto 5G.
Na área de locação, a empresa tem conseguido avançar em ritmo acelerado com margens altas e recorrência. Entretanto, a analista destaca que WDC poderá brilhar este ano com os resultados de vendas de kits fotovoltaicos para residências, shoppings e hotéis.
“O marco regulatório aprovado em janeiro assegura incentivo, ou seja, tarifas menores de energia, para quem instalar painéis solares este ano. Com isso a gente projeta um crescimento de mais de 70% nas vendas de kits solares”, diz.
Para ela, a companhia é bem gerida e sua ação está extremamente descontada.
Se por um lado os desafios do Brasil são conhecidos e o país precisa avançar em reformas como fiscal e tributária, por outro, esse cenário acaba construindo as ações de empresas boas e resilientes.
Neste grupo estão grandes companhias que investem em inovação e conseguem criar novas avenidas de crescimento.
Entre as gigantes com alto potencial, o analista da Empiricus, Fernando Ferrer, destaca as ações da Metalúrgica Gerdau (GOAU4) e do Grupo SBF (SBFG3).
No caso da Gerdau, Ferrer lembra que a empresa produz aço usando diretamente o minério de ferro ou por meio de sucatas, o que significa descarbonização e uma pegada ESG relevante.
“O momento é interessante aos seus negócios em função da retomada da construção civil e das obras de infraestrutura. Além disso, a expectativa é de pagamento de 20% de dividend yield”, diz.
Já o Grupo SBF (SBFG3) é detentor da Centauro, rede varejista de moda e itens esportivos e da Fisia, distribuidora exclusiva da Nike no Brasil. O contrato com a marca americana de tênis e roupas entrou em prática no ano passado.
“A Nike começa a mostrar resultados, com um faturamento quase da mesma dimensão que o da Centauro”, afirma o analista.
Por sua vez, a Centauro, além de ir bem nas vendas on-line, conta com lojas físicas que proporcionam boa experiência e engajamento dos clientes, pois eles podem provar e testar os artigos e equipamentos.
Ferrer destaca ainda que o Grupo SBF é líder de mercado, possui boa governança e tem baixa alavancagem.
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