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A Weg (WEGE3) também reportou aumento de mais de 10% no Ebitda; a receita líquida cresceu 33%, com vendas maiores no Brasil e no exterior
A Weg (WEGE3) fechou 2021 com mais um conjunto sólido de resultados, mas um aumento maior que o esperado nos custos afetou suas margens operacionais — e, como consequência, colocou as ações da gigante catarinense no campo negativo nesta quarta-feira (16).
A empresa teve lucro líquido de R$ 874 milhões no quarto trimestre do ano passado, cifra 17,8% maior em relação ao mesmo período de 2020; o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) aumentou 14,7% na mesma base de comparação, indo a R$ 1,12 bilhão.
Em termos de receita líquida, a Weg fechou o trimestre com R$ 6,54 bilhões, crescendo 33,4% ante o quarto trimestre do ano anterior. Desse montante, R$ 2,89 bilhões foram obtidos no mercado interno; os R$ 3,65 bilhões restantes dizem respeito às vendas ao exterior.
"A continuidade da recuperação econômica mundial contribuiu para o crescimento das nossas receitas neste
trimestre", disse a empresa, em mensagem aos acionistas. "Além do aumento na demanda por equipamentos industriais em diversas regiões, mantivemos o nosso bom desempenho no fornecimento de soluções ligadas à geração de energias renováveis".
Apesar da expansão nas métricas financeiras, as margens da Weg estiveram sob pressão no trimestre, com um salto na linha de custos em meio ao aumento no preço das commodities e à interrupção em diversos pontos da cadeia global de suprimentos.
A margem Ebitda, por exemplo, recuou 2,9 pontos percentuais (p.p.) em um ano, ficando em 17,2% entre outubro e dezembro de 2021. A margem líquida, de 13,4%, contraiu 1,8 p.p. na mesma base.
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A surpresa negativa com os custos e as margens operacionais puxou as ações ON da Weg (WEGE3) para baixo: os papéis recuaram 4,81%, a R$ 3130, e lideraram as maiores baixas do Ibovespa — o índice fechou em alta e apareceu acima dos 115 mil pontos.
Por fim, vale lembrar que a administração da Weg aprovou o pagamento de R$ 861 milhões em dividendos complementares; os detalhes da distribuição de proventos podem ser lidos aqui.
Chama a atenção o comportamento da receita líquida da Weg (WEGE3), indicando um nítido ganho de importância do mercado externo ao longo do tempo. As vendas internacionais responderam por cerca de 56% do total da companhia nos três últimos meses de 2021, a maior fatia desde o terceiro trimestre de 2020.
Naturalmente, a elevação do dólar ao longo do ano tem um papel crucial nessa conta: a moeda americana estava cotada perto dos R$ 5,60 no fim do ano passado, acumulando ganhos de mais de 7% em 2021. Isso, por si só, eleva a importância das vendas ao exterior — a receita obtida lá fora é dolarizada, e com o câmbio mais alto, ela gera uma cifra maior quando convertida em reais.
Essa diversificação é um dos trunfos da empresa: com presença em todos os continentes, a Weg consegue ter uma fatia relevante de sua receita em dólares — assim, eventuais valorizações da moeda americana ante o real acabam impulsionando seus resultados.

Para a Weg (WEGE3), tão importante quanto a diversificação geográfica é a amplitude de sua atuação. Ela possui quatro grandes áreas, todas elas com exposição aos mercados doméstico e internacional — e todas elas com dinâmicas e ciclos próprios de vendas. Portanto, vamos analisar cada uma delas:
No principal ramo de atuação da Weg, destaque para o forte crescimento das vendas no exterior: a retomada da indústria lá fora deu impulso aos negócios da empresa, com equipamentos como motores elétricos de baixa tensão e equipamentos seriados de automação apresentando demanda elevada lá fora. Itens de ciclo longo também tiveram uma procura maior, especialmente nos segmentos de óleo e gás e de água e saneamento.
No Brasil, a Weg diz que a dinâmica industrial está favorável, especialmente nas áreas de máquinas e equipamentos agrícolas e de água e saneamento, com demanda crescente por equipamentos de ciclo curto.
Cenário oposto ao visto na área de equipamentos eletroeletrônicos: em geração, o mercado doméstico mostrou um salto expressivo nas vendas, com novos negócios sendo fechados na área de geração solar e geradores elétricos. No Brasil, o segmento de transmissão e distribuição teve entregas e vendas volumosas, especialmente de transformadores.
Lá fora, as vendas na área de geração foram puxadas pelo negócio de turbinas a vapor na Europa; em transmissão e distribuição, destaque para projetos na América do Norte e na África do Sul.
No exterior, o resultado foi puxado pelo ganho de participação de mercado nos EUA e no México, com demanda crescente de bombas e compressores. Por aqui, por outro lado, houve uma acomodação na demanda por motores ligados ao segmento de appliance, como máquinas de lavar.
No Brasil, a demanda seguiu elevada nos setores de implementos rodoviários e perfis de alumínio; no exterior, houve crescimento nas vendas na América Latina, especialmente no Chile e México.
No lado financeiro, o aumento nos custos da Weg (WEGE3) pode ser recebido com alguma reticência pelo mercado. Por mais que a receita líquida tenha avançado 33,7% em um ano, os custos dos produtos vendidos cresceram num ritmo mais elevado, de 43,7%.
"Os aumentos nos custos das principais matérias-primas que compõem nossa estrutura de custos, notadamente
o aço e o cobre, em conjunto com a alteração no mix de produtos, foram fatores decisivos para a redução das
margens operacionais neste trimestre", disse a Weg. As despesas de vendas, gerais e administrativas também cresceram, chegando a R$ 700 milhões no quarto trimestre — uma alta de 18,7% na base anual.
Por outro lado, a forte geração de caixa operacional tende a ser comemorada pelos investidores: ao todo, as atividades da Weg resultaram num acréscimo de R$ 949,4 milhões ao caixa da companhia.

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