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Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.
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Com a Selic acima de 10%, quais os próximos passos do BC? O podcast Touros e Ursos debate o futuro da taxa de juros

No podcast Touros e Ursos desta semana, a equipe do SD discutiu o cenário para a Selic e o BC em 2022. Até onde o Copom vai subir os juros?

Victor Aguiar
Victor Aguiar
29 de janeiro de 2022
6:42 - atualizado às 15:58

A reunião de política monetária do Copom, na próxima quarta-feira (2), não deve trazer surpresas: o BC deu todos os sinais de que elevará a Selic em 1,5 ponto percentual (p.p.), a 10,75% ao ano. Mas, se a decisão em si parece tomada, as sinalizações para o futuro permanecem incertas — e o podcast Touros e Ursos discutiu os possíveis próximos passos do Banco Central. Para ouvir o programa, é só dar play:

Em primeiro lugar: caso o cenário-base se concretize, teremos uma Selic acima dos 10% ao ano pela primeira vez desde maio de 2017. Vale lembrar, também, que a taxa básica de juros estava em 2% em janeiro de 2020. Portanto, tivemos uma elevação bastante intensa e num período relativamente curto de tempo.

Esse movimento brusco se fez necessário por causa da explosão da inflação — em 2021, o IPCA ficou acima dos 10%, muito acima do teto da meta do BC. A injeção de recursos na economia por causa da pandemia e a vasta liquidez no sistema financeiro foram úteis para impedir uma paralisia da atividade durante a crise da Covid, mas trouxe desdobramentos indesejados no front do comportamento dos preços.

Dito isso, os índices de inflação seguem superando as projeções do mercado, mês a mês, sem grandes sinais de arrefecimento. E, em paralelo, as projeções de crescimento da economia do Brasil em 2022 seguem bastante baixas — a leitura quase unânime é a de que o PIB do país avançará perto de 0,5% neste ano.

Dado esse contexto, chegamos ao segundo ponto: não há um consenso quanto aos rumos a serem tomados pelo BC. Parte dos economistas pondera que o Copom deve optar pelo mesmo caminho do Fed, combatendo a inflação com unhas e dentes; mas outra parte lembra que os efeitos da política monetária sempre possuem uma defasagem.

Ou seja, a economia ainda não reflete o atual patamar dos juros. Nessa linha de pensamento, a inflação deve ceder com força a partir do segundo semestre, em resposta à escalada da Selic nos últimos meses — e, sendo assim, continuar elevando a taxa pode causar um efeito colateral grave: uma depressão econômica mais intensa no futuro.

Gráfico de linha mostrando a evolução da Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira, desde 2017. O Copom, do Banco Central (BC), define a taxa em reuniões a cada 45 dias
O patamar de 9,25% ao ano atingido hoje se equipara ao visto em julho de 2017

Destaques da semana para além da Selic

No episódio mais recente do podcast Touros e Ursos, a equipe do Seu Dinheiro também discutiu outros assuntos que deram o que falar nos últimos dias. A nova oferta de ações da Arezzo, o imbróglio entre a CVM e os Fundos Imobiliários, o forte balanço da Apple e os desdobramentos da crise entre Rússia e Ucrânia também foram tema do programa.

Para ouvir a íntegra — e os episódios anteriores — é só dar play!

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