Não tenho FGTS, como faço para investir na oferta de ações da privatização da Eletrobras (ELET3)?
Pessoas físicas também poderão participar das maneiras tradicionais: por meio da compra direta de ações ou do investimento em fundos de ações que participem da oferta

Apesar dos percalços, a oferta pública de ações que resultará na privatização da Eletrobras (ELET3; ELET6) deve mesmo sair do papel. E a principal responsável pela grande publicidade do evento junto às pessoas físicas é a possibilidade de os trabalhadores usarem até 50% do seu FGTS para participar.
O governo espera um investimento de cerca de R$ 6 bilhões na companhia advindos do fundo de garantia. Eu falei sobre se vale a pena investir o FGTS na Eletrobras e como fazê-lo nesta outra matéria.
Mas nem todo mundo tem saldo no FGTS, o que não significa que precise ficar de fora da oferta. As pessoas físicas também poderão participar das maneiras mais tradicionais, aquelas comumente disponíveis nas ofertas públicas de ações abertas ao varejo: por meio do investimento em fundos de ações comuns ou pela compra direta dos papéis ELET3.
Como investir na privatização da Eletrobras (ELET3) via fundos
Para investir via fundos de ações, o investidor precisa ser ou se tornar cotista de um dos fundos que vão participar da oferta. Neste caso, aderir à oferta ou não é uma decisão do gestor do fundo.
No caso dos fundos de ações que já são acionistas da Eletrobras, eles terão prioridade na reserva de papéis durante a oferta. E conforme apurado pela minha colega Jasmine Olga, eles devem, no geral, aderir à oferta prioritária e exercer seu direito de compra, totalizando um investimento de cerca de R$ 4 bilhões.
Ou seja, se você já for cotista de um fundo de ações que já tenha ELET3 na carteira, é bem provável que ele aumente a sua posição durante a oferta para a privatização.
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Outra maneira de investir na privatização da Eletrobras via fundos é por meio da aplicação em fundos de investimento especialmente constituídos para adquirir ações da companhia nesta oferta específica.
O Banco do Brasil, a Caixa e o Itaú foram as únicas instituições financeiras a criarem fundos com esse perfil até agora. Veja a lista e suas respectivas taxas de administração:
| Fundo de investimento | Instituição financeira | Taxa de administração (a.a.) |
| BB Ações Eletrobras | Banco do Brasil | 0,20% |
| Caixa Eletrobras | Caixa Econômica Federal | 0,45% |
| Itaú Eletrobras Ações FICFI | Itaú Unibanco | 0,20% |
Porém, a menos que você não possa, por algum motivo, investir em ações diretamente, aderir à oferta por meio de fundos que investem em uma única ação não vale a pena.
O custo com a taxa de administração, que incide anualmente sobre o valor investido, acaba sendo maior do que o custo para a compra direta dos papéis, principalmente se você considerar que hoje diversas grandes corretoras já não cobram mais corretagem e custódia para o investimento em ações. O único custo do investidor, nesses casos, são os emolumentos pagos à bolsa de valores.
Como investir na privatização da Eletrobras (ELET3) por meio da compra direta de ações
Para quem quiser investir por meio da compra direta de ações, o procedimento é o mesmo de qualquer outra oferta pública, seja ela inicial (IPO) ou subsequente (follow on).
É preciso ter conta aberta em uma corretora de valores que esteja participando da oferta, entrar em contato com ela (ou acessar a seção de ofertas públicas da área logada do site ou do app da instituição) e fazer a reserva dos papéis, indicando a quantidade desejada e o valor que se quer investir.
As corretoras dos bancos coordenadores da oferta certamente oferecerão essa possibilidade aos seus clientes pessoas físicas. É o caso de BTG Pactual, Itaú, XP, Bradesco, Caixa e Safra, para citar apenas as instituições brasileiras.
Mas outras corretoras também vão permitir o investimento, então vale a pena verificar junto à sua instituição financeira se será possível investir por meio dela.
O valor mínimo de investimento para quem vai comprar ações diretamente na oferta da Eletrobras é de R$ 1 mil, o valor máximo é de R$ 1 milhão, e o período de reserva é o mesmo dos fundos de investimento e aplicações com o FGTS: de 3 a 8 de junho. Ou seja, se você deseja adquirir os papéis na oferta, você tem até a próxima quarta-feira para manifestar o seu desejo à sua corretora.
Segundo o prospecto da oferta da Eletrobras, está garantido um investimento mínimo de R$ 5 mil e máximo de R$ 50 mil a todos os investidores de varejo, seja via FGTS, seja diretamente, antes que haja qualquer rateio.
Terminado o período de reserva, será estabelecido o preço da ação na oferta, que será divulgado no dia 9 de junho, quinta-feira. Finalmente, a partir do dia 13, segunda-feira da semana que vem, será possível negociar na bolsa os papéis adquiridos durante a oferta.
Assim, se você não participar da oferta, mas ainda quiser adquirir ações ELET3 mais para frente, será possível comprá-las na bolsa normalmente pelo home broker da sua corretora ou banco. Só o preço de mercado, na hora da compra, que deve ser diferente do preço da oferta.
A oferta da Eletrobras será inicialmente de 697.476.856 ações. A maioria dos recursos (R$ 26,7 bilhões) irá para o caixa da companhia e outros R$ 3 bilhões irão para o governo, que venderá 69.801.516 papéis da BNDESPar.
A ideia da oferta pública é diluir a participação da União, hoje acionista controladora da companhia, para um percentual inferior a 50% do capital social da empresa.
Tem FGTS? Veja no vídeo a seguir se vale apena investir recursos do fundo de garantia na oferta da Eletrobras:
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