Como o CEO da Avenue superou barreiras e revolucionou o mercado financeiro – mais de uma vez
Criada em 2017, a Avenue só conseguiu começar suas operações em 2020, depois de muito lutar contra camadas de segurança e burocracia

Se, um dia, a corretora Avenue precisar de um slogan, poderia utilizar a célebre frase atribuída ao poeta francês Jean Cocteau: “Não sabendo que era impossível, foi lá e fez”.
Criada em 2017, a corretora só conseguiu começar suas operações em 2020, depois de muito lutar contra camadas e mais camadas de segurança e burocracia dos mercados de capitais.
O objetivo? Oferecer ao investidor brasileiro comum a possibilidade de investir em ações de empresas americanas, de maneira direta.
O feito se deve a um empreendedor que já havia ajudado a revolucionar o mercado alguns anos atrás, ao criar a Clear Corretora: Roberto Lee, convidado do episódio #10 do Market Makers.
Com dinheiro na mão e uma ideia na cabeça, dá para dizer que Lee superou barreiras, mas ainda tem muito chão pela frente.
Isso porque o Itaú (ITUB4) acabou de comprar 35% da Avenue, por R$ 493 milhões, e ainda fez um aporte de R$ 160 milhões na corretora.
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Entrevistado por Thiago Salomão e Josué Guedes, Lee contou um pouco da sua trajetória e o que espera para o futuro do mercado financeiro.
Abaixo, no texto, você pode conferir alguns detalhes da conversa. Se preferir, a íntegra da entrevista também está disponível:
Espírito empreendedor
Poucos empreendedores têm tantas histórias de sucesso no currículo como Lee. Vindo de uma família que já tinha alguma tradição no mercado financeiro, em 2005 ele criou a Wintrade Investimentos — uma das primeiras corretoras a apostar na digitalização das estruturas de abertura de contas.
A empresa era vista pelos players tradicionais com curiosidade — e um pouco de ceticismo.
Mas, em 2010, o jogo mudou: a B3 (na época, BM&F Bovespa) criou o collocation, uma infraestrutura que permitia às gestoras e corretoras terem seus servidores no mesmo ambiente da bolsa.
A tecnologia diminui o tempo entre o envio e a liquidação de ordens, e deixa todo o processo de investimentos muito mais seguro.
Naquele ano, Lee vendeu sua participação na Wintrade e criou a Clear Corretora. Dentro de seis meses, a Clear já havia atingido o breakeven e, em 2014, a XP decidiu trazer a operação para o seu guarda-chuva.
Mas, apenas três anos depois, Lee decidiu aproveitar a negociação da XP com o Itaú e vendeu sua participação para o banco.
Foi aí que nasceu a Avenue.
Avenue: “maior oportunidade do planeta”
“Esse negócio estava muito claro para mim que precisava ser feito. Aí fui para os EUA entender como funciona o mundo de corretora”, contou Lee.
Em Miami, Lee reuniu-se com todas as corretoras e bancos brasileiros que atuavam por lá e foi apresentado a pessoas importantes.
Voltou ao Brasil com a certeza de que era a maior oportunidade do planeta.
Ele só não contava que, logo na largada, ele receberia um stop order. Nas palavras de Lee, stop order “é quando o regulador fala: você está fazendo algo que talvez seja irregular. Pare, senão vou te multar”.
Levou oito meses para que esse stop order fosse revogado e a Avenue pudesse operar normalmente. Hoje, a corretora virou referência para outros que tentam criar algo semelhante.
Prova disso é o interesse do Itaú, um banco tradicional, pela corretora.
“Juntos, antecipamos em 10 anos a formação dessa categoria”, disse.
Para saber todos os detalhes sobre a criação da Avenue, confira o episódio #10 do Market Makers na íntegra. Você também pode assistir no YouTube:
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