Passando o chapéu: IRB (IRBR3) acerta a venda da própria sede em meio a medidas para se reenquadrar
Às vésperas de conhecer o resultado de uma oferta primária por meio da qual pretende levantar R$ 1,2 bilhão, IRB se desfaz de prédio histórico

Como calcular o valor de uma obra de arte? Há uma série de critérios para lá de subjetivos. O que vez por outra fala mais alto, porém, é a necessidade do vendedor. E é em um momento de situação financeira periclitante que o IRB Brasil (IRBR3) acaba de anunciar a venda de sua própria sede.
Situada no número 171 da Avenida Marechal Câmara, na área central do Rio de Janeiro, a sede do IRB agora é de propriedade do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado do Rio de Janeiro (Sebrae/RJ).
O anúncio da transação vem à tona às vésperas da conclusão de uma oferta primária por meio da qual o IRB pretende levantar R$ 1,2 bilhão. Pelo cronograma divulgado pela companhia, o resultado da operação será anunciado depois do fechamento da sessão de quinta-feira.
IRB (IRBR3) precisa se reenquadrar para continuar operando
O Sebrae/RJ vai pagar R$ 85,3 milhões pelo edifício. E, enquanto não encontra uma nova sede, o Instituto de Resseguros do Brasil vai compartilhar o prédio com a seção fluminense do Sebrae.
“A conclusão do processo de alienação do referido imóvel está inserida na estratégia de otimização da estrutura de capital da Companhia, na contínua melhoria de suas despesas administrativas e operacionais, bem como na adequação de seus escritórios ao atual modelo de trabalho híbrido”, afirma o IRB em comunicado ao mercado.
Tudo muito simples à primeira vista. O fato é que, dois anos e alguns meses de calvário levaram o IRB a uma encruzilhada. Uma sucessão de prejuízos fez com que a resseguradora ficasse abaixo do limite de enquadramento da cobertura de provisões técnicas e de liquidez regulatória para operar.
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Uma venda na bacia das almas
É nesse contexto que o IRB Brasil colocou à venda uma obra de arte. Inaugurada em 1941, dois anos depois da fundação do IRB por Getúlio Vargas, a sede da resseguradora foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2006.
Com 11.100 metros quadrados de área total, o edifício é um marco da arquitetura moderna. Foi projetado pelo escritório MMM Roberto, dos irmãos Marcelo, Milton e Maurício.
Trata-se de um dos primeiros projetos arquitetônicos desenvolvidos no Brasil com o emprego dos cinco pontos da arquitetura moderna criados por Le Corbusier. A quem interessar possa: pilotis, janela em fita, estrutura independente, planta livre e terraço jardim.
Por falar em terraço jardim, o projeto original de paisagismo é de Roberto Burle Marx, com painéis em mosaico de Paulo Werneck.
Situado no décimo andar do prédio, o terraço foi restaurado e aberto para visita guiada em 2017. O valor da obra não foi revelado.
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