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Ricardo Gozzi

É jornalista e escritor. Passou quase 20 anos na editoria internacional da Agência Estado antes de se aventurar por outras paragens. Escreveu junto com Sócrates o livro 'Democracia Corintiana: a utopia em jogo'. Também é coautor da biografia de Kid Vinil.

De olho na bolsa

Esquenta dos mercados: Depois do Fed, bolsas no exterior aguardam PIB dos EUA em queda; Ibovespa acompanha resultados de Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4) hoje

As disputas políticas nacionais ficaram em segundo plano em meio ao turbilhão de dados macroeconômicos norte-americanos

Ricardo Gozzi
28 de julho de 2022
7:48 - atualizado às 7:51
Bolsas aguardam balanços do dia
Confira o que movimenta as bolsas, o dólar e o Ibovespa hoje. Imagem: Shutterstock

Os investidores acordaram hoje com a intenção de dar continuidade aos fortes ganhos registrados ontem depois da decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano). Entretanto, as bolsas não acompanham o otimismo nas primeiras horas desta quinta-feira (28).

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O Fed elevou a taxa básica de juros nos Estados Unidos em 75 pontos-base pela segunda reunião seguida. A decisão veio em linha com as estimativas dos analistas, que temiam uma ação de política monetária ainda mais agressiva — algumas projeções davam conta de uma alta de 100 pontos-base.

O alívio abriu caminho para que os principais índices de ações de Nova York fechassem em alta robusta. Por aqui, o Ibovespa acompanhou o movimento e o índice retomou o patamar de 101 mil pontos.

O rali pós-Fed deu espaço para que os índices asiáticos fechassem o pregão em alta enquanto era madrugada no Brasil. Porém, os balanços do dia enfraqueceram o bom desempenho da abertura na Europa.

Do mesmo modo, os futuros de Nova York apontam para uma abertura com leves perdas. O destaque vai para o Nasdaq, que reage ao balanço da Meta (Facebook), mais fraco do que o esperado. 

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Na agenda do exterior, dois indicadores são o foco do dia: a leitura preliminar do PIB dos EUA e a inflação, medida pelo índice de gastos com consumo — o PCE —, logo pela manhã. 

Leia Também

Confira o que movimenta as bolsas, o dólar e o Ibovespa hoje:

Alívio para as bolsas: Fed à frente da curva?

Há quem acredite que a decisão tenha recolocado o Fed à frente da curva. Quem compartilha dessa opinião é o CEO da DoubleLine Capital, Jeffrey Gundlach.

Numa entrevista à CNBC, Gundlach disse ainda que o presidente do Fed, Jerome Powell, “recuperou a credibilidade” — até então chamuscada pelo dragão da maior inflação em mais de 40 anos.

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Ao longo de 2021, antes do início do atual ciclo de aperto monetário, Powell e outros diretores do Fed insistiam que a inflação seria temporária. De acordo com o Departamento de Trabalho dos EUA, o PCE se encontra em alta de 6,3% ao ano. Na leitura de abril, o indicador avançou 0,6%.

Para Ed Moya, analista sênior de mercado da Oanda, “a economia ainda está funcionando bem e parece que o Fed provavelmente diminuirá o ritmo de aperto na próxima reunião de política monetária”, prevista para setembro.

Bolsas sentem o forte bafo do dragão

Mesmo com o Fed retomando o páreo da corrida contra a inflação, o índice de preços dos EUA será divulgado hoje e ainda não deve contar com a deflação esperada da decisão de juros de ontem. 

O PCE no trimestre servirá de entrada para a divulgação do dado mensal e anual nesta sexta-feira (29). A expectativa é de que o indicador avance para 7,1% e que o núcleo do PCE suba 5,2% no período.

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A prova da teoria: PIB dos EUA sai hoje

Apesar de Moya estar otimista, os investidores permanecem cautelosos antes de um dos dados mais importantes da semana. Passado o Fed, as atenções voltam-se agora para o desempenho da economia dos Estados Unidos no segundo trimestre de 2022.

Economistas consultados pela Dow Jones projetam uma expansão discreta do PIB dos EUA: um avanço de 0,3%. Vale lembrar que no primeiro trimestre, a economia norte-americana encolheu 1,6%.

Caso o número do segundo trimestre seja negativo, os EUA entrarão na chamada recessão técnica — quando o PIB contrai por dois trimestres consecutivos.

Entretanto, isso não significa que o país entrou oficialmente em recessão, tendo em vista que outros fatores precisam ser levados em conta.

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Veja também: RECESSÃO NOS EUA É INEVITÁVEL? CONFIRA ANÁLISE

Recessão virando a esquina

O temor é de que a recessão chegue em algum momento dos próximos meses, caso a desaceleração econômica se acentue.

Na entrevista coletiva concedida depois da reunião de ontem, Powell adotou um tom positivo ao comentar o desempenho da economia norte-americana.

“Não acho que os Estados Unidos estejam atualmente em recessão e a razão é que há muitas áreas da economia com desempenho muito bom”, afirmou ele.

Os dados do PIB do segundo trimestre serão divulgados às 9h30 da manhã de hoje.

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Bolsas em estado de atenção com balanços

Com o Fed fora do radar e o PIB dos EUA previsto para antes da abertura, os investidores ficam livres para dar mais atenção aos balanços corporativos.

O foco principal da semana nos Estados Unidos está nos resultados das big techs. Apple, Amazon, Intel e Comcast divulgam resultados hoje.

Ibovespa no escanteio

Com a agenda externa cheia, o panorama doméstico fica em segundo plano hoje. As disputas políticas antes das eleições de outubro perdem espaço para indicadores macroeconômicos dos EUA.

Ainda assim, valem alguns destaques para o investidor local. O primeiro deles sairá às 8h: serão conhecidos os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) em julho.

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Um pouco mais tarde, a FGV publica os números de julho do IGP-M, a famosa inflação do aluguel. Os destaques corporativos incluem os balanços da Ambev, da Gol e do Banco Santander.

Mas a expectativa dos investidores direciona-se aos resultados da Petrobras e da Vale. Os dois maiores pesos-pesados da bolsa brasileira divulgam os números do segundo trimestre depois do fechamento.

Agenda do dia

  • FGV: IGP-M de julho (8h)
  • IBGE: Índice de preços ao produtor de junho (9h)
  • Estados Unidos: Leitura preliminar do PIB do 2º trimestre (9h30)
  • Estados Unidos: PCE e Núcleo do PCE (9h30)
  • Estados Unidos: Pedidos de auxílio-desemprego (9h30)
  • Estados Unidos: Secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, presidirá uma reunião do Conselho de Supervisão de Estabilidade Financeira (12h20)
  • Caged: Geração líquida de postos de trabalho (14h)
  • Caged: Ministro do Trabalho e Previdência, José Carlos Oliveira, concede coletiva sobre Caged (14h30)
  • Tesouro Nacional: Resultado primário do Governo Central em junho (14h30)
  • Tesouro Nacional: Secretário do Tesouro Nacional, Paulo Valle, concede coletiva sobre resultado do governo central (15h)
  • Ministério da Economia: Ministro da Economia, Paulo Guedes, concede entrevista à TV Bloomberg (19h)

Balanços do dia

Antes da abertura:

  • Ambev (Brasil)
  • Embraer (Brasil)
  • Gol (Brasil)
  • Santander Brasil (Brasil)
  • Mastercard (EUA)
  • Pfizer (EUA)

Após o fechamento:

  • Hypera (Brasil)
  • Multiplan (Brasil)
  • Petrobras (Brasil)
  • Vale (Brasil)
  • Amazon (EUA)
  • Apple (EUA)

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