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O exterior ignora a crise energética e a perspectiva de juros elevados faz as ações de bancos dispararem na Europa
A primeira semana completa do mês de setembro caminha para o seu fim, com os investidores tentando colher algum saldo positivo do início do trimestre final do ano. As bolsas no exterior amanheceram em tendência de alta por mais um dia.
As boas notícias começaram a aparecer, mas do outro lado do planeta: a inflação da China desacelerou na leitura anual de agosto, saindo de 2,7% para 2,5%, de acordo com o departamento nacional de estatísticas (NBS, em inglês).
O arrefecimento dos preços por lá dá margem para que o Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês) volte a cortar os juros e injete novos estímulos na economia do país. E esse montante de dinheiro esperado mal chegou e já animou os investidores por lá: as bolsas fecharam em alta.
Migrando para a Europa, os investidores ainda digerem um cenário nada favorável de aperto monetário do Banco Central Europeu (BCE). Entretanto, a busca por barganhas e as boas notícias da China animam os negócios por lá e os índices operam em campo positivo.
Por último, os futuros de Nova York também avançam, ainda que o cenário macroeconômico não seja dos mais favoráveis.
Enquanto lá fora as bolsas caminham para um dia azul, o Ibovespa deve encarar um grande dragão pela frente. Estamos falando da inflação de agosto, medida pelo IPCA e divulgada pelo IBGE na manhã desta sexta-feira (09).
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O principal índice da bolsa brasileira conseguiu fechar o dia anterior em alta de 0,14%, aos 109.915 pontos — bem longe das máximas, vale frisar. O dólar à vista acompanhou a desvalorização da moeda em escala global e recuou 0,61%, a R$ 5,2062.
Confira o que movimenta as bolsas, o dólar e o Ibovespa hoje:
O cenário doméstico deve se sobrepor ao panorama macroeconômico por mais um dia. Não é de hoje que a bolsa local descola do exterior, mas os motivos podem não ser os melhores.
A campanha eleitoral do presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) passou a fazer promessas de um Auxílio Brasil a R$ 800 a quem conseguir emprego. Vale ressaltar que nem mesmo o benefício a R$ 600 está no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) para o ano que vem.
Mesmo assim, o ministro da Economia, Paulo Guedes, defendeu o cumprimento do teto de gastos em um eventual novo mandato. Analistas do mercado, porém, entendem que o auxílio no valor máximo de R$ 800 seria uma “nova bomba fiscal” para o país, sabendo que o PLOA já prevê déficit para 2023.
O PLOA prevê o Auxílio Brasil em R$ 405 na média. Excepcionalmente, o valor foi elevado para R$ 600 até o fim deste ano.
A engorda desse benefício social é vista como uma manobra eleitoral do presidente Bolsonaro para conquistar a reeleição. Mas se essa e outras bondades não surtem efeito no desempenho do candidato nas pesquisas eleitorais, certamente os reflexos nas contas públicas serão vistos.
O campo político segue com a bola rolando e o panorama de indicadores também está a todo vapor.
Ainda hoje o IBGE publica os números da inflação de agosto. É esperado que o índice registre nova queda nos preços.
De acordo com as projeções de especialistas ouvidos pelo Broadcast, o IPCA deve registrar queda da ordem de 0,40% na mediana das expectativas e atingir os 8,69% em relação aos últimos 12 meses.
As projeções vão de queda de 0,55% até avanço de 0,52% na base mensal; na comparação anual, esses valores são de 8,52% a 9,69%.
O BCE elevou os juros por lá ao passo de 75 pontos-base na mais recente reunião da autoridade monetária. Mas o aperto por lá não é a única preocupação dos investidores — inclusive, o avanço das ações dos bancos sustentam as bolsas por lá.
Os problemas envolvendo o corte do fornecimento do gás russo permanecem como pano de fundo para os negócios na Europa. O Velho Continente deve encontrar alternativas para contornar os bloqueios de Moscou, mas a conta não deve sair nada barata.
Nesta sexta-feira, ministros de energia de toda Europa debatem planos para uma intervenção no mercado em uma reunião de emergência.
Diplomatas disseram que países pareciam concordar antes da reunião de hoje sobre a ideia de impor um limite à receita obtida por produtores de eletricidade nuclear, renovável e outros produtores de energia, além de redistribuir o dinheiro para empresas e consumidores.
Outras medidas em discussão incluem:
Alguns governos querem que o teto de preço seja estendido a outras fontes de gás.
Os ministros também querem evitar que os preços altos desestabilizem os mercados de eletricidade, estendendo crédito de emergência ou alterando as regras para as garantias exigidas no setor de eletricidade.
As medidas para conter a crise energética devem manter os investidores em estado de alerta. Isso porque a inflação da Zona do Euro já está em níveis recordes a 8,9% na leitura anualizada.
Com isso, o corte de arrecadação ou aumento da demanda por energia devem pressionar ainda mais os preços para cima e exigir a reação do BCE com juros mais altos por mais tempo.
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