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A privatização da Eletrobras segue no radar dos investidores locais, com o ministro Paulo Guedes tentando “acelerar” votação no TCU
O som do galope acelerado ao fundo é motivo de sobra para os investidores estarem em estado de alerta. Não é um Cavaleiro do Fim dos Tempos que se aproxima, mas sim a inflação dos Estados Unidos que injeta pânico e desespero nas bolsas pelo mundo nesta terça-feira (12).
Sua espada corta profundamente o poder de compra dos norte-americanos desde o ano passado. No acumulado dos últimos 12 meses, o índice de preços ao consumidor — CPI, em inglês — deve acumular alta de 8,4% nas projeções do The Wall Street Journal.
Enquanto o exterior acompanha a disparada dos preços nos Estados Unidos, por aqui nosso próprio dragão mostra as caras. Em outras palavras, o IPCA de março veio acima do esperado pelo mercado em 1,62%.
Dessa maneira, o nosso Banco Central deve acelerar os juros na próxima reunião de política monetária, marcada para os dias 3 e 4 de maio. E o mercado já começa a precificar uma Selic ainda mais alta: enquanto o BC estimava encerrar o ciclo de juros em 12,75%, a curva de juros futuros (DI) já vê algo entre 13,25% e 13,50%.
Nesse cenário, saiba tudo que deve movimentar a bolsa, o dólar e o Ibovespa hoje:
Ainda segundo as projeções do The Wall Street Journal, o núcleo do CPI deve avançar 0,5% em março, enquanto o índice cheio deve subir 1,1%.
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Assim sendo, as falas de representantes do Federal Reserve, o Banco Central americano, devem ganhar ainda mais destaque nesta terça-feira: os presidentes distritais do Fed em Richmond e na Filadélfia participam de eventos a partir das 14h.
Além deles, Lael Brainard, diretora da autoridade monetária, também discursa hoje.
Com a cautela nas alturas antes da inflação dos EUA, as bolsas na Europa operam em baixa nas primeiras horas da sessão. Somado a isso, o Banco Central Europeu (BCE) deve realizar sua próxima reunião de política monetária na quinta-feira (14), o que aumenta as tensões por lá.
Ainda, a inflação na Alemanha também subiu e acumula alta de 7,3% ao ano, o que coloca ainda mais pressão sobre a decisão de juros do BCE.
Do outro lado do Atlântico Norte, as bolsas nos Estados Unidos amanheceram sem direção definida. Os investidores tentam recuperar as perdas da sessão anterior antes dos dados de inflação, mas a cautela prevalece.
Por fim, o fechamento na Ásia não apontou para uma única direção, com uma recuperação dos índices chineses após o arrefecimento dos novos casos de covid-19 que atingem o país.
Ao mesmo tempo que o exterior está em uma batalha mítica, com cavaleiros do mal por todas as partes, os nossos destaques permanecem os mesmos.
As eleições de final de ano começam a pesar cada vez mais no cenário doméstico, com o governo preocupado com a disparada dos preços e aperto monetário. A pauta econômica costuma pesar para os candidatos que buscam a reeleição, como é o caso do presidente da República, Jair Bolsonaro.
Na tentativa de acalmar os ânimos do mercado, o ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a afirmar que o Brasil deve sair dessa situação inflacionária antes de países desenvolvidos. Guedes destaca que o nosso BC aumentou os juros antes, e que os efeitos devem ser sentidos nos próximos meses.
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, destaca que o pior da alta nos preços já passou. Além disso, o alívio nas contas de luz pode trazer alívio na inflação, tendo em vista a redução da bandeira tarifária para este mês.
A queda do dólar frente ao real também deve aliviar o IPCA nas próximas leituras, mas vale destacar que a alta volatilidade do petróleo afeta o preço dos combustíveis — e eles são os grandes vilões da inflação.
Por último, permanece no radar o volume de serviços de fevereiro, divulgado pelo IBGE pela manhã. A injeção de dinheiro na economia por meio do Auxílio Brasil (antigo Bolsa Família) deve impulsionar o resultado daquele mês.
Nas projeções dos especialistas ouvidos pelo Broadcast, o avanço na base mensal deve ser de 0,7% na mediana das expectativas, enquanto nos últimos 12 meses, a alta estimada é de 8,5%. Com isso, no acumulado de 2022, os serviços devem avançar 2,9%.
Permanece no radar a privatização da Eletrobras (ELET3), com sinalizações de que o ministro Guedes busque uma saída rápida para conclusão dos debates no Tribunal de Contas da União (TCU).
O ministro afirmou que a privatização está na reta final e deve ocorrer em "2, 3 ou 4 semanas". O relator do processo, Atoldo Cedraz, deve entregar o relatório sobre o tema "o mais rápido possível", segundo Guedes.
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