Esquenta dos mercados: Bolsas encaram proximidade da recessão e caem hoje; Ibovespa acompanha possível CPI da Petrobras (PETR4)
Sem Nova York hoje, os investidores devem sentir a falta de liquidez na sessão desta segunda-feira

As atenções do mundo se voltam para a recessão global que assola as economias após a pior fase da pandemia de covid-19. As bolsas acompanham a reação dos Bancos Centrais e as falas de ministros de Economia e Finanças por todos os países, motivo suficiente para manter a aversão ao risco desta semana que se inicia.
E isso se refletiu no sentimento dos investidores ao longo da última semana — e que deve perdurar nos próximos dias. As bolsas de Nova York fecharam com quedas de 5% na média após o Federal Reserve acelerar o ritmo do aperto monetário na sua última reunião.
O Banco Central Europeu (BCE) também convocou uma reunião extraordinária na semana passada para decidir sobre os rumos da política de compra de ativos e juros por lá. E as conclusões convergiram para uma mesma direção: o aperto monetário precisa vir.
Por aqui, o nosso Banco Central saiu na frente e a perspectiva é de que a Selic seja elevada na próxima reunião, mas dentro das estimativas do mercado. Mas o foco dos investidores é outro: uma possível CPI para investigar os “abusos na cobrança sobre os combustíveis” da Petrobras (PETR3;PETR4) deve agitar os negócios nesta segunda-feira (20).
Por falar na estatal brasileira, a Petrobras foi a estrela do pregão da última sexta-feira (17). Devido a crise envolvendo a empresa, o Ibovespa fechou a semana abaixo dos 100 mil pontos e a queda do principal índice da bolsa foi de 5,36%. Já o dólar à vista avançou 2,35%, a R$ 5,1443.
Confira o que movimenta a bolsa, o dólar e o Ibovespa esta semana:
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CPI da Petrobras é o foco da bolsa local
Enquanto alguns aproveitavam a ponte do feriado de quinta-feira (16) e sexta-feira, o noticiário político não deu trégua.
O presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), afirmou no último sábado (18), que havia conversado com líderes do governo na Câmara para abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a política de preços da Petrobras.
Segundo Bolsonaro, o governo iria “resolver o problema” da empresa. Entre os deputados, estão o presidente da Casa, Arthur Lira(Progressistas-AL), e Ricardo Barros (Progressistas-PR).
Um novo aumento da gasolina
As falas contra a política de preços com paridade internacional voltam a aparecer após a Petrobras anunciar um novo reajuste de preços dos combustíveis.
Desde o último dia 18 de junho, o preço médio de venda de gasolina para as distribuidoras passou a ser de R$ 4,06 por litro, um aumento de 5,2%. Já o diesel terá um preço médio de R$ 5,61 – alta de 14,2%.
O reajuste foi motivo de manifestações contrárias do presidente da República e de Arthur Lira, que usou sua conta no Twitter para questionar a queda das ações da empresa mesmo após a atualização de preços.
O que movimenta o Ibovespa nos próximos dias
Os investidores agora seguem de olho em uma possível CPI sobre os preços da Petrobras. As ações da empresa, que tem grande peso no índice do Ibovespa, devem sentir a cautela do mercado e cair mais um dia.
Na agenda da semana, o Banco Central divulga a ata da mais recente reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) na terça-feira (21), o que deve fazer com que analistas e mercado calibrem as perspectivas para o próximo encontro.
Na quinta-feira (23), é a vez de Roberto Campos Neto participar de evento sobre a decisão de política monetária. Por último, sexta-feira (24) é dia da prévia da inflação, medida pelo IPCA-15 de junho.
Ainda hoje, o ministro da Economia, Paulo Guedes, participa de evento do BNDES — e a expectativa é de que o chefe da pasta comente sobre a questão recente da Petrobras.
Bolsas reagem aos juros estáveis na China
Na contramão do que grandes Bancos Centrais têm feito, o Banco do Povo da China (PBoC, em inglês) manteve as taxas de empréstimos de 1 a 5 anos estáveis no último encontro sobre política monetária.
Assim, a autoridade chinesa visa estimular a economia, que vem sofrendo devido aos sucessivos lockdowns em virtude da política de “covid zero” no país
Entretanto, o comunicado não ajudou os investidores da Ásia e do Pacífico, que penalizaram os índices por lá durante a madrugada no Brasil. Já a abertura na Europa tenta recuperar as perdas da semana passada e as bolsas por lá abriram em alta.
Em Nova York, os investidores ganharam um dia de folga e as bolsas por lá não abrem em virtude do feriado local.
Recessão virando a esquina
Os analistas internacionais consultados pelo portal Yahoo Finance entendem que o risco de uma recessão global é altamente provável — mas ainda não é 100% certo.
Na última reunião, o Fed elevou os juros estadunidenses para a faixa entre 1,50% a 1,75% ao ano — a maior alta desde 1994. A autoridade monetária busca conter a maior inflação em mais de 40 anos por lá, mas corre o risco de colocar o mundo todo em momentos difíceis.
Correndo contra o tempo — e isso acaba com as bolsas
Os analistas entendem que o Fed demorou demais para iniciar o ciclo de alta nos juros — no caso do Brasil, o nosso BC começou a subir a Selic muito antes —, o que gera um efeito mais demorado no combate à inflação.
E juros elevados por um longo período acendem o sinal amarelo para o avanço da economia. Em outras palavras, a recessão começa a ganhar contornos mais bem definidos.
De acordo com o Bank of America, o risco de recessão nos EUA é de 40%, destacando que o Fed “ficou atrás da curva” e demorou para agir no combate à escalada da inflação.
Nesse cenário, a instituição prevê que o pico de juros por lá deve chegar a 4% e a inflação se estabilizar em 3% — acima da meta de 2% do Fed.
E como isso afeta bolsas e ativos de risco?
Vale relembrar que os ativos de risco se beneficiaram com o caminhão de dinheiro despejado pelo próprio Fed na economia nacional entre 2020 e 2021.
Agora o período de dinheiro fácil e barato terminou e os ajustes — sem perspectiva de melhora — seguem pressionando essas classes de ativos.
No caso das criptomoedas, o bitcoin (BTC) passou os últimos dias abaixo da faixa de US$ 20 mil, mas tenta se sustentar nesse patamar nesta segunda-feira.
Bolsas no exterior: o que esperar
A ausência de Nova York deve afetar a liquidez dos mercados nesta segunda-feira. O exterior acompanha as falas de representantes do BCE e do Federal Reserve ao longo da semana.
Assim como no Brasil, analistas e investidores devem recalibrar suas expectativas para os juros dos EUA e na Zona do Euro.
Agenda da semana
Segunda-feira (20)
- FGV: IPC, IPC-S, IGP-M de junho (8h)
- Bélgica: Presidente do BCE, Christine Lagarde, participa de audiência do Comitê de Questões Econômicas e Monetárias do Parlamento Europeu (10h)
- Bélgica: Christine Lagarde discursa no Parlamento Europeu como presidente do Conselho Europeu de Risco Sistêmico (12h)
- Ministério da Economia: Ministro da pasta, Paulo Guedes, participa de evento do BNDES (15h)
- Reino Unido: Economista-chefe do BCE, Philip Pane, discursa em jantar anual da Sociedade de Economistas Profissionais (16h30)
- Estados Unidos: Feriado mantém os mercados fechados hoje.
Terça-feira (21)
- Banco Central: Ata do Copom (8h)
- FGV: IPC-S Capitais (8h)
- Estados Unidos: Federal Reserve de Chicago divulga índice de atividade nacional de maio (9h30)
- FGV: Monitor do PIB de abril (10h15)
Quarta-feira (22)
- Estados Unidos: Presidente do Fed, Jerome Powell, testemunha perante o Comitê Bancário do Senado dos EUA (10h30)
- Estados Unidos: Estoques de petróleo (17h30)
Quinta-feira (23)
- Alemanha: PMI industrial, composto (preliminar) e de serviços em junho (4h30)
- Zona do Euro: PMI industrial, composto (preliminar) e de serviços em junho (5h)
- Reino Unido: PMI industrial, composto (preliminar) e de serviços em junho (5h30)
- Estados Unidos: Pedidos de auxílio-desemprego (9h30)
- Bélgica: Presidente do BCE, Christine Lagarde, participa de cúpula do Conselho Europeu (10h15)
- Estados Unidos: : PMI industrial, composto (preliminar) e de serviços em junho (10h15)
- Banco Central: Presidente do BC, Roberto Campos Neto, e Diogo Guillén, participam de entrevista sobre condução de política monetária (11h)
- Estados Unidos: Jerome Powell testemunha perante Comitê sobre Serviços Financeiros da Câmara dos Representantes dos EUA (11h)
- Estados Unidos: Estoques de petróleo (12h)
- Estados Unidos: Fed divulga teste de estresse anual de bancos (17h30)
Sexta-feira (24)
- IBGE: IPCA-15 de junho (9h)
- Estados Unidos: Poços de petróleo em operação (14h)
- Bélgica: Cúpula de líderes da união Europeia (sem horário definido)
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