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Aperto monetário pelo Banco Central Europeu, fornecimento de gás e crise política na Itália pesam sobre as bolsas internacionais hoje

As bolsas de valores iniciam a quinta-feira sob pressão. A reunião de política monetária do Banco Central Europeu (BCE) e a renúncia de Mario Draghi ao cargo de primeiro-ministro da Itália pesam sobre os ativos de risco.
Os mercados de ações da Europa abriram em queda e são acompanhados pelos índices futuros de Nova York, que sinalizam abertura em baixa em Wall Street.
As notícias não trazem bons agouros para o Ibovespa, que ontem fechou em alta de apenas 0,04%.
Sem indicadores econômicos nem balanços corporativos para hoje, a bolsa brasileira tende a passar o dia a reboque do noticiário. E o feed de notícias não é nada animador.
O Banco Central Europeu (BCE) finalmente vai iniciar hoje seu aperto monetário.
A Europa está às voltas com o risco de recessão diante de uma inflação elevada, do risco de desabastecimento de gás natural e dos impactos da invasão da Ucrânia pela Rússia.
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Os países do continente aguardam com ansiedade para saber como vai ficar o fornecimento de gás russo pelo Nord Stream 1, gasoduto que leva o produto dos campos de produção da Rússia até a Alemanha.
O BCE deu a entender que iniciaria o ciclo de aperto monetário com uma elevação de 25 pontos-base na na taxa de juro da zona do euro.
Entretanto, há especulações de que a alta possa chegar a 50 pontos-base, numa abordagem mais agressiva.
A situação destoa do histórico do BCE, cujas decisões raramente surpreendem os participantes do mercado.
“Excepcionalmente hoje há sérias dúvidas sobre o que Banco Central Europeu vai fazer”, disse Henry Allen, analista do Deutsche Bank.
Seja como for, esta será a primeira alta de juro pelo BCE desde 2011.
O anúncio da decisão está previsto para as 9h15.
Enquanto isso, a crise política na Itália parece estar longe do fim.
Se Mario Draghi não conseguiu a renúncia, a renúncia foi até Mario Draghi.
Depois de ver seu pedido original de demissão rejeitado pelo presidente Sergio Mattarella na semana passada, o primeiro-ministro reapresentou a renúncia hoje.
O pedido foi refeito depois de Draghi ter perdido o apoio de sua coalizão em um voto de desconfiança.
O gabinete de Mattarella confirmou que o presidente "está ciente" da renúncia e apenas pediu a Draghi que permaneça interinamente no cargo.
A renúncia abre caminho para que Mattarella dissolva o Parlamento. Se isso ocorrer, a expectativa é de que as eleições italianas sejam antecipadas para setembro.
O Ibovespa obteve uma alta discreta ontem. Um dos principais freios a um melhor desempenho do principal índice de ações da bolsa brasileira foi a Vale (VALE3).
Isso porque o relatório de produção e vendas da mineradora, um dos pesos-pesados do Ibovespa, decepcionou os analistas.
Some-se a isso os cortes nas perspectivas de valorização de VALE3 pelos bancos Goldman Sachs e JP Morgan e o resultado foi uma queda de 2% no preço da ação.
Não é de hoje que quem investe na Petrobras (PETR3; PETR4) está de orelha em pé. Tem sido difícil passar um dia inteiro sem notícias relevantes sobre a empresa.
Junto com a última troca de presidente da Petrobras, a quarta sob Jair Bolsonaro, o governo indicou novos nomes para o conselho.
O comitê de elegibilidade barrou dois indicados. Jônathas de Castro e Ricardo Soriano viram suas indicações rejeitadas por conflito de interesses.
Na noite de ontem, porém, o Ministério de Minas e Energia informou que as indicações não serão retiradas e serão submetidas a votação na assembleia de acionistas convocada para agosto.
Segundo o comitê, Castro — atual secretário executivo da Casa Civil — teria acesso a informações estratégicas da Petrobras.
Alencar, por sua vez, é o atual Procurador-Geral da Fazenda Nacional e não teria como desenvolver simultaneamente o cargo e o papel de conselheiro da Petrobras.
Para o MME, porém, "os supostos impedimentos apontados" não encontram "o necessário respaldo legal".
Enquanto isso, os investidores se preparam para os dados de produção da Petrobras no segundo trimestre, o que deve mexer com suas ações hoje na bolsa.
A Braskem (BRKM5), na qual a Petrobras tem participação, também divulga hoje seu relatório de produção.
No campo da política, a confirmação dos candidatos a presidente continua.
Ontem, o PDT puxou a fila homologando a candidatura de Ciro Gomes.
Hoje é a vez de o Partido dos Trabalhadores (PT) confirmar a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em convenção marcada para o fim da manhã em São Paulo.
O PT também vai votar a coligação com PCdoB, PV, PSB, Rede, PSOL e Solidariedade para homologar o ex-governador paulista Geraldo Alckmin como vice de Lula.
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