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Ricardo Gozzi

É jornalista e escritor. Passou quase 20 anos na editoria internacional da Agência Estado antes de se aventurar por outras paragens. Escreveu junto com Sócrates o livro 'Democracia Corintiana: a utopia em jogo'. Também é coautor da biografia de Kid Vinil.

DE OLHO NA BOLSA

Esquenta dos mercados: Agenda fraca deve deixar Ibovespa a reboque dos ruídos políticos e de ventos externos nada alentadores

Investidores monitoram repercussão de discurso de Bolsonaro e declaração de ‘força maior’ pela Gazprom

Ibovespa queda bolsa fundos imobiliários
Imagem: Shutterstock

A temporada de balanços corporativos começa hoje no Brasil com os investidores mais propensos à cautela na bolsa. Ontem, o Ibovespa fechou em alta de 0,38%, segurando-se no azul apesar do susto provocado pela Apple nos mercados financeiros.

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Também na tarde de ontem, a insistência do presidente Jair Bolsonaro na contestação às urnas eletrônicas, desta vez a uma plateia de embaixadores estrangeiros, emergiu como mais uma amostra de que os investidores não terão sossego durante o período eleitoral.

Temporada de balanços deve ser marcada por pressão sobre custos

O balanço da Indústrias Romi, programado para depois do fechamento da sessão de hoje, marca o início oficial da temporada de resultados trimestrais das empresas listadas na B3.

Gestores entrevistados pela repórter Ana Carolina Neira consideram que a nova safra de balanços será marcada pela pressão sobre os custos.

Entretanto, eventuais impactos serão percebidos com mais nitidez somente a partir da semana que vem, quando a temporada de balanços vai realmente engrenar.

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Diante de uma temporada de balanços prestes a começar e da ausência de indicadores econômicos relevantes para esta semana no Brasil, a expectativa é de que o mercado financeiro local fique a reboque do noticiário político e de acontecimentos externos.

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Rússia assusta a Europa, de novo

Se fortes emoções estão garantidas pela aproximação do início da campanha eleitoral por aqui, os ventos de fora não são muito alentadores.

Às voltas com a expectativa da primeira alta de juros pelo Banco Central Europeu (BCE) em 11 anos, os principais índices de ações do continente operam na linha da água.

Não bastasse a perspectiva do aperto monetário (a reunião de política monetária do BCE está marcada para quinta-feira), a Europa teme pela continuidade do fluxo do gás natural russo.

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O fornecimento da Gazprom à Alemanha está interrompido por causa de uma manutenção programada do gasoduto Nord Stream 1. O fim da manutenção está previsto para a quinta-feira.

Hoje, porém, a empresa russa alegou que, devido a circunstâncias imprevisíveis, não está em condições de cumprir os contratos de gás com a Europa.

Alemanha rejeita declaração de força maior pela Gazprom

A Uniper, cliente alemã da Gazprom, confirmou a declaração de “força maior” pela fornecedora russa. Entretanto, a Uniper também informou que rejeita a alegação.

“Força maior” é um termo jurídico usado para designar circunstâncias imprevisíveis que impedem uma das partes de cumprir seus deveres contratuais, isentando-a de penalidades de eventuais penalidades.

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Analistas veem a declaração da Gazprom como uma retaliação do governo russo às sanções impostas a Moscou por causa da invasão da Ucrânia.

Cerca de 40% das importações de gás natural da Europa são atendidas pela Rússia.

Euro afasta-se da paridade com o dólar

Apesar dos riscos iminentes, o euro tem mais uma sessão de valorização, distanciando-se mais um pouco da paridade com o dólar.

O movimento é atribuído a uma informação com base em fontes veiculada pela agência de notícias Reuters segundo a qual o BCE avalia a possibilidade de elevar o juro em 50 pontos-base. Acredita-se que um aumento de pelo menos 25 pontos-base já esteja contratado.

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“Seria consistente com o que os mercados esperam em termos de rumos para a política monetária nas próximas semanas pelos principais bancos centrais”, disse Neil Birrell, diretor de investimentos e gestor de fundos da Premier Miton Investors.

Também na manhã de hoje, a agência de estatísticas da zona do euro informou que a inflação dentro da união monetária acelerou de 8,05% em maio para 8,6% em junho no acumulado em 12 meses.

Nos EUA, temporada de balanços avança

Enquanto isso, os índices futuros das bolsas de Wall Street sinalizam abertura em alta em Nova York diante da expectativa com o andamento da temporada de balanços.

Hoje, a Johnson & Johnson pretende divulgar seus resultados referentes ao segundo trimestre antes da abertura da sessão.

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Depois do fechamento será a vez de a Netflix movimentar o mercado norte-americano de ações.

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