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A Prisma Capital, gestora especializada em teses de investimento arriscadas, pode chegar a quase 50% de participação na petroleira — e dá a entender que pretende promover mudanças no negócio

Se há uma persona non grata no mercado de capitais brasileiro, ela é Eike Batista: sob o comando dele, as 'Empresas X' atraíram investidores, captaram bilhões e prometeram fortuna — uma história que, como todos sabem, terminou em tragédia. Quase todas as companhias do grupo entraram em recuperação judicial e, aos trancos e barrancos, tentam sair da sombra de seu fundador; entre elas, destaque para a Dommo Energia (DMMO3), antiga OGX.
Os papéis da companhia subiram 35,56% nesta segunda-feira (17), a maior alta de toda a bolsa. É verdade: as ações valiam apenas R$ 0,45 na última sexta e fecharam hoje a R$ 0,61 — com um preço tão baixo, fica mais fácil ter um avanço expressivo em termos percentuais. Dito isso, o salto de hoje não é meramente especulativo.
Ocorre que, mais cedo, a Dommo informou ao mercado uma movimentação em sua base acionária: a Prisma Capital, que já era dona de 31,8% do capital da empresa, vai aumentar sua participação e chegar a 47,21% — uma fatia que pode dar à gestora o controle da companhia fundada por Eike Batista.
A Prisma, inclusive, já deixou claro que, com sua nova participação acionária, pretende reunir-se com a administração da Dommo para decidir sobre eventuais mudanças na gestão, avaliando também possíveis alternativas estratégicas na indústria de óleo e gás.
E se a mudança no controle é bem-vinda, o nome do provável novo controlador agradou ainda mais: a Prisma Capital é uma gestora especializada em ativos problemáticos e complexos. Os fundos da casa investem em empresas em recuperação judicial, títulos de dívida com risco elevado de crédito e companhias com amplos desafios operacionais e financeiros, entre outras teses de investimento pouco ortodoxas.
Parece ser uma combinação perfeita — e que atraiu a atenção de muitos investidores nesta segunda, considerando a boa reputação da Prisma e de seu fundador, Marcelo Hallack, na condução de negócios com esse perfil.
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A antiga OGX captou R$ 6,7 bilhões em seu IPO, em 2008 — à época, era a maior abertura de capital já feita no mercado brasileiro. A empresa ainda estava em fase pré-operacional, mas as informações passadas por Eike aos investidores pintavam um quadro animador, com reservas comprovadas de mais de 10 bilhões de barris de petróleo.
Nos anos seguintes, a OGX e outras empresas do conglomerado de Eike captaram ainda mais dinheiro através de emissões de dívida. No entanto, conforme a petroleira mostrava dificuldade para começar a produzir petróleo, aumentavam as dúvidas quanto à veracidade dos dados apresentados pelo empresário. Uma bola de neve que culminou na perda de confiança do mercado e na quebra de grande parte das Empresas X.
Em 2013, a OGX deu entrada num pedido de recuperação judicial e trocou de nome, passando a se chamar 'OGPar' — uma tentativa de se dissociar da imagem de Eike. O processo de reestruturação terminou apenas em 2018, quando ocorreu uma nova mudança de identidade: nascia a Dommo Energia (DMMO3).
Isso, no entanto, não quer dizer que os problemas ficaram no passado: a Dommo ainda enfrenta inúmeras dificuldades, tanto no lado operacional quanto no financeiro. A empresa teve prejuízo líquido de R$ 74,7 milhões no terceiro trimestre de 2021 e Ebitda negativo em R$ 46,4 milhões.
Atualmente, a Dommo opera apenas no campo de Tubarão Martelo, na Bacia de Campos — ela tem participação de 20% no ativo. No terceiro trimestre de 2021, a fatia produzida que corresponde à companhia foi de 125,3 mil barris de petróleo.
O aumento de participação da Prisma na Dommo Energia (DMMO3) ocorreu no âmbito do aumento de capital de R$ 140 milhões anunciado pela companhia em novembro: a operação seria viabilizada através de uma emissão privada de novas ações, com os acionistas tendo o direito de subscrever parte dos papéis.
A Prisma acompanhou a transação, mas a grande maioria da base acionária da Dommo, não. Assim, ao aceitar receber as novas ações que lhe cabiam, a gestora aumentou a sua participação de uma maneira bastante expressiva.
Dito isso, a Prisma é especialista em casos de alta complexidade: seus investimentos giram em torno de teses consideradas arriscadas demais pelo mercado em geral — uma percepção que, na visão da gestora, não se justifica. Em outras palavras: a casa é especialista em procurar ativos assimétricos, que ofereçam retornos altos e riscos não tão elevados.
A Dommo Energia, seja pela fraqueza operacional, pelas dificuldades financeiras ou pelo passado não muito nobre envolvendo Eike Batista, parece cumprir todos os requisitos da Prisma.
Mesmo com a disparada de hoje, as ações ON da Dommo (DMMO3) ainda amargam um desempenho amplamente negativo num horizonte mais longo de tempo: em um ano, os papéis ainda caem quase 50%.
As cotações persistentemente inferiores a R$ 1,00 chamam a atenção: pelo regulamento da CVM, as empresas de capital aberto devem 'empenhar esforços' para manterem suas ações acima da linha dos centavos — e foram raras as ocasiões ao longo do último ano em que os papéis da empresa atingiram esse objetivo.

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