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Reguladores da bolsa russa adotaram medidas preventivas na tentativa de evitar um colapso do mercado local de ações
À primeira vista pode parecer surpreendente. A bolsa de valores de Moscou reabriu hoje, depois de quase um mês fechada para negócios, e chegou ao fim da sessão em forte alta.
O Moex, principal índice da bolsa russa, subiu 4,37% na primeira sessão desde 25 de fevereiro. Mas existe uma lógica por trás desse resultado.
Para entendê-la, é preciso retroceder um pouco nos acontecimentos das últimas semanas.
Antes do pregão de hoje, a última sessão do mercado moscovita de ações havia ocorrido havia quase um mês, um dia depois da invasão a Ucrânia pelas forças armadas da Rússia.
No dia que antecedeu a interrupção dos negócios, o Moex chegou a cair mais de 30% antes de obter alguma recuperação em meio a muita volatilidade diante da invasão.
Para evitar um colapso do mercado financeiro local, o Banco Central da Rússia ordenou a suspensão por tempo indeterminado das operações da bolsa de valores de Moscou.
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Na esteira da invasão, vieram as sanções internacionais. Entre outras coisas, a Rússia foi excluída do sistema internacional de comunicação interbancária, mais conhecido como Swift, e perdeu o acesso a suas reservas internacionais.
Por essas e outras, a reabertura da bolsa de Moscou era aguardada com apreensão entre os analistas, uma vez que investir em ativos russos via bolsa de valores neste momento é praticamente impossível.
Depois de alguns ensaios por parte do BC russo nas últimas semanas, a bolsa foi finalmente autorizada a retomar as operações hoje, encerrando a mais extensa paralisação do mercado local desde o fim da União Soviética, em 1991. E o mercado moscovita até que reagiu bem, mas os reguladores locais aparentemente precisaram rebolar para evitar um colapso.
Antes de autorizar a retomada dos negócios, o BC russo estipulou regras claras visando a impedir uma depreciação ainda maior dos ativos negociados na bolsa local, uma vez que rublo perdeu muito de seu valor desde o início da guerra.
A primeira medida foi limitar as negociações ao filet mignon da bolsa de Moscou: 33 das 50 empresas listadas no Moex.
Outra precaução foi limitar o horário de funcionamento do mercado. A bolsa de Moscou passou menos de quatro horas em operação.
Os reguladores locais também proibiram as operações de venda a descoberto e, para coroar, informaram que os investidores estrangeiros só poderão começar a vender ações ou títulos denominados em rublos depois de 1º de abril.
No fim o Moex subiu 4,37%, ainda que distante das máximas observadas durante o pregão. Os destaques foram as gigantes do petróleo Rosneft e Lukoil, que saltaram 16,97% e 12,41%, respectivamente. Já a produtora de alumínio Rusal subiu 15,81%, enquanto a Norilsk Nickel avançou 10,17%. Na ponta negativa do índice, as ações da Aeroflot caíram 16,44%.
A dúvida dos analistas é por quanto tempo essas medidas terão efeito.
*Com informações da CNBC.
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