Ibovespa recua em dia de realização de lucros, apesar de alta em NY; dólar fecha abaixo de R$ 5,40
Inflação americana em linha com o esperado tirou um pouco da pressão das bolsas, e no início da tarde, bolsas americanas passaram a subir

O Ibovespa bem que tentou subir, mas o mau humor externo contaminou os negócios por aqui, e após uma semana positiva, o principal índice da B3 se firmou em queda no fim da manhã desta sexta-feira (28).
Perto das 17h, o Ibovespa recuava 0,66%, aos 111.864 pontos. Ainda assim, o índice caminha para fechar a semana em alta. Já o dólar à vista fechou em baixa de 0,62%, a R$ 5,39.
As bolsas internacionais começaram o dia no vermelho, o que fez a bolsa brasileira virar o sinal por aqui. As bolsas europeias fecharam em baixa, mas perto da hora do almoço, Nova York virou para o azul. Mas depois de tantos pregões em alta, o Ibovespa não conseguiu acompanhar, e hoje passa por uma realização de ganhos.
Os dados de inflação medidos pelo PCE, índice usado como referência pelo Federal Reserve para a política monetária americana, vieram em linha com o esperado, o que tirou um pouco a pressão de Wall Street e também sobre a moeda americana.
Os bons resultados da Apple puxam o Nasdaq. Há pouco, o Dow Jones subia 0,63%, o S&P 500 tinha alta de 1,20%, e o Nasdaq ganhava 1,65%.
Os juros futuros por aqui passaram o dia em queda, seguindo o desempenho do dólar e beneficiados também pelo IGP-M abaixo do esperado e pelo veto do presidente Jair Bolsonaro à PEC dos Combustíveis, o que tirou um pouco a pressão sobre o fiscal.
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Na reta final, porém, as taxas mais curtas viraram para alta e fecharam com movimento levemente positivo. Veja os fechamentos dos principais vencimentos:
- Janeiro/23: alta de 12,233% para 12,245%;
- Janeiro/25: alta de 11,318% para 11,35%;
- Janeiro/27: queda de 11,327% para 11,325%.
[captacao]
Inflação dos EUA
O índice de preços de gastos com consumo, conhecido como PCE, subiu 0,4% em dezembro ante novembro. O núcleo do índice, que exclui itens voláteis, como alimentos e energia, avançou 0,5%, em linha com as projeções do mercado. Em termos anuais, o PCE aumentou 5,8%, e seu núcleo, 4,9% em dezembro.
O segmento Renda Pessoal teve alta de 0,3%, levemente abaixo do esperado pelos analistas do The Wall Street Journal, que era de alta de 0,4%, enquanto os gastos com consumo caíram 0,6%, contra uma previsão de recuo de 0,7%.
O fato de que o indicador veio em linha com as expectativas do mercado traz certo alívio para os ativos de risco, indicando que o Federal Reserve não precisará de uma postura ainda mais dura na política monetária.
Na última quarta-feira, o banco central americano já havia sinalizado uma possível alta dos juros já na reunião de março, quando também seria encerrada a compra de ativos.
O presidente da instituição, Jerome Powell, manifestou em seu discurso grande preocupação com a inflação, e disse que havia muito espaço para aumentar os juros sem afetar o mercado de trabalho, o que deixou o mercado em alerta.
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PEC dos combustíveis
No cenário doméstico, destaque para a desistência do governo federal de criar um fundo de estabilização dos preços dos combustíveis, na tarde de ontem.
Com a decisão, a PEC dos Combustíveis, proposta de emenda à constituição que se propõe a baixar os preços dos combustíveis por meio de corte de impostos federais, conseguiria abranger apenas o óleo diesel e o gás de cozinha.
De acordo com o jornal Valor Econômico, Bolsonaro acabou por vetar a PEC em reunião com seus ministros e os desautorizou a avançar com a proposta.
Resultado do Tesouro
As contas do Governo Central registraram déficit de R$ 35,073 bilhões em 2021, equivalente a 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Foi o menor déficit primário desde 2014. Já as contas do Tesouro Nacional - incluindo o Banco Central - registraram um superávit primário de R$ 212,265 bilhões em 2021.
Dados de emprego e IGP-M
A agenda econômica interna desta sexta-feira reserva ainda os números do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), divulgados pela FGV, e os dados de desemprego pela Pnad Contínua de novembro, publicados pelo IBGE.
A inflação medida pelo IGP-M avançou 1,82% em janeiro, uma aceleração em relação ao índice de 0,87% em dezembro. Ainda assim, o resultado ficou abaixo da mediana das expectativas do mercado colhidas pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Estadão, que era de 2,00%, variando de 0,80% a 2,34%.
O IGP-M em 12 meses desacelerou de 17,78% em dezembro para 16,91% em janeiro, também abaixo da mediana do levantamento, que era de 17,10%.
A taxa de desemprego caiu de 12,1% no trimestre encerrado em outubro para 11,6% nos três meses terminados em novembro, em linha com as projeções dos analistas consultados pelo Broadcast.
A renda mostrou forte queda de 4,5% no comparativo trimestral e de 11,4% na base anual, com o Rendimento Médio Real Habitual fechando em R$ 2.444,00.
*Com Estadão Conteúdo
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