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Ana Carolina Neira

Ana Carolina Neira

Jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero com especialização em Macroeconomia e Finanças (FGV) e pós-graduação em Mercado Financeiro e de Capitais (PUC-Minas). Com passagens pelo portal R7, revista IstoÉ e os jornais DCI, Agora SP (Grupo Folha), Estadão e Valor Econômico, também trabalhou na comunicação estratégica de gestoras do mercado financeiro.

AINDA DÁ TEMPO

A “fábrica de bilionários” emperrou? Por que a queda das ações da Weg (WEGE3) pode ser uma oportunidade de ouro na bolsa

Desvalorização do ativo tem relação com os fatores macroeconômicos, já que os fundamentos da Weg (WEGE3) seguem intactos — e positivos

Ana Carolina Neira
Ana Carolina Neira
27 de junho de 2022
6:00 - atualizado às 14:10
Fábrica com objeto com logo da WEG (WEGE3)
Ações da Weg acumulam queda no ano Imagem: Divulgação

As ações da fabricante de motores elétricos Weg (WEGE3) costumam estar entre as queridinhas de investidores e profissionais do mercado, figurando com frequência nas listas de recomendações.

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Não por acaso, a empresa catarinense ficou conhecida como "fábrica de bilionários". Em 2020, dez dos 33 novos brasileiros que entraram no "clube do bilhão" da revista Forbes eram ligados à companhia.

Porém, após o excelente desempenho durante a pandemia, os papéis da Weg parecem ter perdido o brilho: neste ano, caem 17,36%; em 12 meses, a baixa é de 21,16%. E isso depois da recuperação da última semana — alta de 12,40% nos últimos cinco pregões até sexta-feira (24).

Mas o que faz uma empresa que chamava tanta atenção por sua solidez se desvalorizar assim? Na avaliação de analistas e gestores, os motivos têm mais relação com um ambiente macroeconômico ruim do que com os fundamentos da empresa em si, que seguem intactos — e positivos.

"Não tem nada a ver com fundamento, mas é um papel que vinha negociando com um valuation elevado e hoje sofre com a alta de juros e a queda do dólar", resume Cássio Lucin, analista de investimentos da Neo.

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Ele relembra que a qualidade da carteira de pedidos da Weg é boa, com destaque para o mercado externo e também para geração de energia solar no Brasil. E, ainda que o dólar tenha caído recentemente, essa perda também pode ser compensada por um bom equilíbrio entre crescimento saudável e rentabilidade da empresa.

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"A ação pode ter caído por conta de um movimento de rotação que atingiu outras empresas semelhantes em termos de qualidade, como Raia Drogasil (RADL3) ou Lojas Renner (LREN3), que também passaram por um ajuste de preço", diz o analista.

Em relatório recente, o BTG Pactual revisou a recomendação para os papéis da Weg (WEGE3), de neutra para compra, alterando o preço-alvo de R$ 45 para R$ 40 — o que ainda representa um potencial de alta de 51,17% considerado o valor negociado no pregão de sexta-feira (24).

De acordo com a equipe do banco, os papéis WEGE3 têm um viés defensivo que se mostrou resiliente durante a crise, características que os investidores devem continuar buscando diante do aumento da percepção de risco global.

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A mudança de recomendação veio justamente porque, meses atrás, o prêmio exagerado não justificava a compra do papel na comparação com pares globais. Agora, diante da desvalorização das ações, o BTG acredita que seja o momento de aproveitar.

Weg (WEGE3): entregando tudo o que foi prometido

Para João Vítor Freitas, analista da Toro Investimentos, toda a fama da Weg (WEGE3) é justificada — e essa pode, inclusive, ser a oportunidade de entrada para quem queria  montar uma posição no papel, mas antes via um preço muito alto.

"Ela entrega tudo: resiliência, geração de caixa, crescimento forte, exposição geográfica bastante diversa, atuação ampla. Essa pode ser a oportunidade diante de um preço interessante", afirma.

No primeiro trimestre de 2022, a receita líquida da Weg subiu 34,5% na base anual, para um total de R$ 6,83 bilhões; o  lucro líquido foi de R$ 943,9 milhões, alta de 23,5% em relação ao mesmo período do ano passado.

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Os números são fruto de uma atuação de fato bastante ampla em 135 países: a companhia trabalha com equipamentos eletroeletrônicos industriais; geração, transmissão e distribuição de energia; motores comerciais; e tintas e vernizes.

Receita por área de atuação no 1T22 (em R$ mi)Mercado InternoVariação (a/a)Mercado ExternoVariação (a/a)
Equipamentos eletroeletrônicos industriais1004,711,60%2183,634,80%
Geração, transmissão e distribuição2014,9106,80%750,7-0,90%
Motores comerciais e appliance206,5-26,40%374,621,20%
Tintas e vernizes244,730,50%48,32,80%

Cassio Lucin, analista de investimentos da Neo, comenta que a diversidade de segmentos de atuação é um dos pontos fortes da Weg e que deverá continuar garantindo bons resultados para a empresa.

"Eles vendem o produto em si mas também as soluções necessárias de ponta a ponta. Tudo isso gera rentabilidade, eficiência na oferta, mais participação nos negócios", diz.

Lucin acredita que o principal catalisador para os papéis da Weg será a divulgação dos resultados referentes ao segundo trimestre deste ano, que serão conhecidos em julho. Diante de tendências positivas e números fortes, o papel tende a retomar sua trajetória de valorização.

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A XP concorda que este pode ser um bom ponto de entrada para os investidores. A corretora tem um preço-alvo de R$ 45,00 para os papéis da Weg, um potencial de valorização de 70%.

A XP avalia que as ações sejam negociadas a 35 vezes o múltiplo preço/lucro (P/L) neste ano. No entanto, esse número já foi de 65 vezes, considerado um exagero para alguns analistas e um preço fora da realidade para os dias atuais.

Para efeitos de comparação, de acordo com dados da plataforma Trade Map, os papéis da Weg são negociados hoje com um índice preço/lucro de 28,98, abaixo da média dos últimos três anos, que é de 51,47. Isso representa um potencial de valorização de 77,6%.

E a ideia de compra das ações, aproveitando esse nível de preço, faz sentido para boa parte do mercado: em uma amostra de 13 recomendações, seis delas indicam a compra do ativo, enquanto cinco citam a manutenção e carteira e apenas duas recomendam a venda.

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Já os maiores riscos vistos pelos analistas são, de fato, o clima macroeconômico desfavorável no mundo todo, com uma recessão cada vez mais provável. A alta de juros, que encarece os custos de uma empresa que trabalha com boa parte de suas vendas financiadas, também é um fator que demanda atenção.

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