XP vê setor de supermercados melhor que antes da pandemia e escolhe ação favorita
Analistas avaliam que segmento apresenta dinâmica de resultados favorável e papéis baratos em termos históricos

Os supermercados foram um dos destaques da economia em 2020, sendo uma das melhores categorias do segmento de varejo em termos de desempenho. E este bom momento tende a ser fortalecer neste ano, já que o setor se encontra em uma posição estruturalmente melhor do que antes da pandemia, de acordo com a XP Investimentos.
O otimismo é forte entre os analistas Danniela Eiger, Marco Nardini, Marcella Ungaretti e Thiago Sudet. Para eles, três fatores apontam para um 2021 extremamente positivo para o segmento:
- o maior consumo previsto para refeições dentro de casa, uma vez que a pandemia ainda vai demorar para passar, estimulando a adoção de política flexíveis de home office;
- o fortalecimento do segmento de atacarejo, com as pessoas percebendo que podem obter os mesmo produtos a preços mais baixos e;
- o aumento da penetração das marcas próprias, com a inflação dos alimentos permitindo que elas vendam mais os seus próprios produtos, o que contribui para aumentar as margens das companhias.
Além desses pontos, os analistas da XP afirmam que as ações das empresas não refletem os resultados fortes entregues ao longo de 2020, estando abaixo dos níveis do primeiro semestre de 2019. Os investidores entenderam que os ganhos recordes apurados em 2020 não eram estruturais, não justificando reclassificação dos múltiplos, porque as perspectivas de longo prazo permanecem as mesmas.
Como consequência, os analistas da XP veem as ações do setor em patamares muito atrativos, com descontos de 40% em comparação a empresas internacionais e abaixo de seus níveis históricos. A expectativa deles é de um aumento de patamar dos múltiplos dos papéis, puxados pela perspectiva estruturalmente melhor em comparação ao período pré-pandemia.
“Vemos o setor de supermercados como uma boa escolha para se ter por conta da dinâmica de resultados de curto prazo favorável uma vez que covid-19 se mantém uma realidade e também pelas expectativas pessimistas em relação ao setor, enquanto na verdade vemos um cenário estruturalmente melhor para o setor no ‘novo normal’”, diz trecho do relatório.
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Os analistas da XP Investimentos estão otimistas com as perspectivas do segmento de supermercados em 2021, mas isso não quer dizer que a visão positiva está igualmente distribuída entre Pão de Açúcar (PCAR3), Carrefour Brasil (CRFB3) e Grupo Mateus (GMAT3).
A preferência é pelos papéis do Pão de Açúcar. Segundo o relatório, a empresa apresenta um grande potencial de geração de valor por meio da expansão da rede de atacarejo Assaí, do processo de otimização da parte de multivarejo (que inclui as bandeiras Pão de Açúcar e Extra), do fortalecimento da operação online e aumento da produtividade das lojas por meio de seu novo programa de fidelidade, o Stix.
Além disso, a empresa apresenta um valuation atrativo, sendo uma das ações de supermercado mais baratas do mundo, com um múltiplo P/L (a relação entre o preço das ações e o lucro da empresa, que demonstra quanto os investidores estão dispostos a pagar pelo lucro potencial) de 12,6 vezes, um desconto de 50% frente a outros nomes internacionais.
Por esses motivos os analistas da XP Investimentos decidiram recomendar a compra das ações do Pão de Açúcar, com preço-alvo para o fim de 2021 de R$ 103, o que representa um potencial de valorização de 35%.
Para os papéis do Carrefour Brasil, a recomendação é neutra, com preço-alvo de R$ 25 por ação, representando um potencial de valorização de 23%.
Segundo os analistas, a empresa tem alta qualidade, bom histórico de execução de sua estratégia e deve continuar apresentando desempenho robusto, puxado pela rede de atacarejo Atacadão.
Contudo, a recomendação neutra está baseada no fato de os papéis estarem sendo negociados a um prêmio de 22% em relação às ações do Pão de Açúcar, olhando para o P/L de 2021. Além disso, há também as controvérsias em torno de temas ligados ao ESG (ambientais, sociais e de governança), como o espancamento até a morte de João Alberto de Freitas em uma unidade em Porto Alegre, em novembro.
Já para o Grupo Mateus, a recomendação é de compra, com preço-alvo de R$ 11 (24% de potencial de valorização), com os analistas da XP Investimentos afirmando que a empresa é “uma joia garimpada no Nordeste”.
Eles estimam que a companhia deve registrar um crescimento médio anual (CAGR, na sigla em inglês) do lucro de 39% e de 26% da receita entre 2019 e 2024, com a empresa bem posicionada para consolidar sua posição no Norte e Nordeste por meio de sua estratégia de expansão. A expectativa é de que a companhia dobre a quantidade de lojas até 2025 a 325 unidades.
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