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Ivan Ryngelblum

Ivan Ryngelblum

Jornalista formado pela PUC-SP, com pós-graduação em Economia Brasileira e Globalização pela Fipe. Trabalhou como repórter no Valor Econômico, IstoÉ Dinheiro e Agência CMA.

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Santander supera pandemia e fecha 2020 com resultado acima do esperado

Mesmo com provisão para créditos duvidosos pesando, Santander fecha ano com rentabilidade superior a registrada pelo Itaú

Ivan Ryngelblum
Ivan Ryngelblum
3 de fevereiro de 2021
8:22 - atualizado às 17:44
Santander - Imagem: Shutterstock

O ano de 2020 prometia ser bem ruim para os bancos, mas o Santander Brasil (SANB11) conseguiu encerrar o ano com lucro acima do esperado pelo mercado, apesar dos efeitos da provisão extraordinária de R$ 3,2 bilhões realizada no segundo trimestre.  

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A unidade do banco espanhol no país fechou o ano passado com um lucro líquido de R$ 13,8 bilhões, recuo de 5% em relação aos R$ 14,5 bilhões registrados em 2019. A maioria dos analistas esperava um lucro de cerca de R$ 13,6 bilhões.

O principal motivo para a queda foi justamente a provisão extraordinária feita para lidar com os efeitos da pandemia de covid-19. Toda a provisão foi realizada no segundo trimestre, o que fez o lucro do Santander recuar 41% na ocasião.

Não fosse por isso, de acordo com o banco, o resultado de 2020 poderia ter sido um lucro líquido de R$ 15,6 bilhões, alta de 7,3%.

O resultado do quarto trimestre mostrou certa estabilidade em relação ao terceiro trimestre, quando o lucro cresceu em formato de “V”. Nos últimos três meses de 2020, o Santander registrou lucro líquido de R$ 3,9 bilhões, avanço de 1,4%. A mediana das expectativas apontava para lucro de R$ 3,7 bilhões.

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Além de acima do esperado, o resultado do Santander também é o melhor do setor até o momento, em termos de rentabilidade. Em 2020, o Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE, na sigla em inglês) dele alcançou 19,1%, enquanto o Itaú (ITUB4), o primeiro a divulgar o balanço, fechou o ano com 14,5%. Ainda assim, o índice é menor que os 21,3% de 2019.

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Provisões e inadimplência

Principal responsável por reduzir o lucro do Santander no ano passado, a provisão para créditos de liquidação duvidosa alcançou R$ 15,7 bilhões em 2020, crescimento de 30,2% ante 2019, por conta da provisão extraordinária feita no segundo trimestre.

Ao contrário de outros bancos, o Santander preferiu concentrar esta provisão no segundo trimestre, o que ajudou no desempenho do terceiro trimestre.

E mesmo realizando provisões significativas para lidar com as possíveis consequências da pandemia, o Santander destacou que o índice de inadimplência acima de 90 dias alcançou 2,1% em 2020, queda de 0,8 ponto percentual (p.p.) ante 2019, alcançando o menor patamar da história.

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Margens e receita

O Santander fechou o ano passado com uma margem financeira bruta de R$ 51,1 bilhões, crescimento de 6,6%, atribuindo o desempenho à boa performance da margem de produtos, por maiores volumes, e de mercado.

No quarto trimestre, ela apresentou um recuo de 0,3% ante o terceiro trimestre, para R$ 12,4 bilhões, em função do “menor resultado de operações com mercado sendo parcialmente compensado pela maior receita de margem com clientes”.

As receitas com prestação de serviços e tarifas bancárias totalizaram R$ 18,4 bilhões no acumulado do ano, queda de 1,2%, diante da menor receita vinda de cartões e serviços adquirente.

No quarto trimestre, essas receitas somaram R$ 5,1 bilhões, 8,2% superiores ao terceiro trimestre, como resultado do melhor desempenho de quase todas as linhas de receitas.

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Carteira de crédito

Mesmo com a recessão provocada pela pandemia, o Santander viu sua carteira de crédito somar R$ 411,6 bilhões em 2020, aumento de 16,9% em relação ao ano anterior, com todos os segmentos de atuação registrando variação positiva no ano.

O crédito à pessoa física também fechou o ano em alta, atingindo R$ 174,3 bilhões, alta de 12,2% no ano.

“Os produtos que registraram os maiores crescimentos anuais, como crédito imobiliário e consignado, indicam a estratégia de crescer em produtos colateralizados”, diz trecho do relatório com resultados.

Já a carteira de crédito ampliada, que inclui outras operações com risco de crédito (debêntures, FIDC, CRI, notas promissórias, notas promissórias de colocação no exterior, ativos relacionados a atividades de adquirência e avais e fianças), alcançou R$ 512,5 bilhões, alta de 18,5%.

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