Pão de Açúcar (PCAR3) dispara e Assaí (ASAI3) despenca; entenda a repercussão do acordo envolvendo a bandeira Extra Hiper entre os investidores
À primeira vista, anúncio deu sinais de que poderia se tratar de uma situação ganha-ganha, mas questões de governança e a possível reação de minoritários pesam sobre a transação

A divisão de operações entre o Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) e a rede atacadista Assaí (ASAI3) ganhou um novo capítulo. As companhias anunciaram ontem a conversão de 71 lojas da bandeira Extra Hiper, atualmente operadas pelo GPA, em unidades do tipo autosserviço do Assaí.
O anúncio desencadeou movimentos exacerbados nas ações de ambas as empresas na manhã de hoje, mas em direções diametralmente opostas. Por volta das 12h, enquanto os papéis PCAR3 avançavam cerca de 15% (15,86%), cotados a R$ 32,02, o ticker ASAI3 recuava 5,26%, aos R$ 16,91. No fim do dia, PCAR3 fechou em alta de 11,85%, a R$ 30,96, enquanto ASAI3 reduziu as perdas para -1,79%, a R$ 17,54.
O valor total da operação situa-se na casa de R$ 5,2 bilhões, dos quais R$ 4 bilhões serão pagos em parcelas de dezembro de 2021 até janeiro de 2024. O restante — R$ 1,2 bilhão — será pago por meio de uma estrutura de sale leaseback (quando o vendedor de um imóvel se torna locatário por um período determinado) do GPA em conjunto com um fundo imobiliário garantido pelo Assaí.
As aparências enganam
À primeira vista, o anúncio deu sinais de que poderia se tratar de uma rara situação ganha-ganha no mundo dos negócios.
Afinal, “a transação deve acelerar o plano de expansão do Assaí, adicionando localizações estratégicas, espalhadas por várias capitais brasileiras e grandes cidades, com pouca ou nenhuma sobreposição de lojas com o parque atual do Assaí”, destaca a XP Investimentos em uma análise sobre a transação.
O Pão de Açúcar, por sua vez, destrava valor de um ativo — a bandeira Extra Hiper — cujo desempenho ruim vinha obrigando o grupo a empenhar grandes esforços em sua recuperação, prossegue a XP.
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Governança em xeque
Os aspectos positivos da transação, entretanto, parecem parar por aí.
Em seu relatório, a XP declara-se otimista com o acordo, mas adverte que a governança pode ser um empecilho para o crescimento do Assaí.
“[A governança] envolve partes relacionadas e não estará sujeita à aprovação dos acionistas minoritários, o que pode levar os investidores a aplicarem um desconto de governança aos múltiplos atuais de ASAI3”, afirma.
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ASAI3: rebaixado
Analistas do Itaú BBA também destacaram o peso da governança sobre o desempenho do Assaí e rebaixaram a recomendação das ações da empresa para “market perform”. Em bom português, a empresa deve ter um desempenho em linha com a média do mercado brasileiro, o equivalente a uma recomendação “neutra”.
Quem se deu bem
O Grupo Pão de Açúcar deve ser o ganhador dessa transação, com o fim da competição entre as marcas Extra Hiper e Assaí no segmento de atacarejo. O GPA deve receber aproximadamente R$ 4 bilhões em recursos líquidos. Isso representa um valor de R$ 14,90 por ação da empresa.
Além disso, o saldo de R$ 1,2 bilhão poderá ser reinvestido principalmente nos planos na expansão do grupo e na aceleração das iniciativas digitais. Desse montante, R$ 500 milhões serão pagos em forma de dividendos (6,7% de rendimento) e o restante será destinado para desalavancagem da empresa. Ainda assim, a XP mantém recomendação neutra para PCAR3.
Pegou mal
O otimismo com as ações do Grupo Pão de Açúcar é claro por parte do Itaú BBA, que manteve o rótulo de “outperform”, o equivalente a uma recomendação de compra. Entretanto, o acordo foi feito sem a participação dos acionistas minoritários, o que foi mal visto pelo mercado e pode pesar no desempenho dos papéis no longo prazo.
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