Na Netflix (NFLX34), a virada operacional e financeira veio no Round 6 — e deu impulso ao balanço do terceiro trimestre
A Netflix (NFLX34) deu um salto no número de novos assinantes no trimestre, reanimando um ano que estava péssimo — tudo graças a Round 6

Em março de 2020, quando o mundo todo se viu forçado a ficar em casa — como se uma dessas distopias tivesse virado realidade —, a Netflix (NFLX34) despontou como uma das poucas empresas que poderia se beneficiar com o novo normal. Afinal, se o mundo lá fora está um perigo, nada melhor que o conforto da ficção para acalmar a mente; uma série, um filme, um reality show... É só pegar alguma coisa para comer, sentar no sofá e dar play.
Quem comprou as ações da Netflix no começo da pandemia, apostando nesse raciocínio, se deu bem: os papéis da empresa na Nasdaq, de fato, subiram — mas, já em 2020, encontraram um teto. Depois de um pico inicial em novas assinaturas e horas de conteúdo assistido, a companhia passou por uma certa acomodação nas tendências operacionais. E, com isso, também surgiu um ceticismo por parte do mercado.
As ações do serviço de streaming caíram, em resposta à competição feroz e à escassez de conteúdo novo — o setor de audiovisual foi fortemente abalado pelas restrições da pandemia. E, não menos importante: em 2021, a Netflix precisou disputar a atenção das pessoas com a vida real, que, aos poucos, vai voltando ao que era.
Esse cenário resultou numa desaceleração firme no total de novos assinantes, bem como uma frustração em algumas métricas financeiras. Ao fim do primeiro semestre, muitos analistas chamavam a atenção para a fraqueza nas métricas operacionais da Netflix, destacando que a companhia dificilmente atingiria suas metas para 2021. Seria preciso um evento sem precedentes, um sucesso massivo que atraísse as audiências globais.
Pois bem: ele atende pelo nome de Round 6, ou Squid Game, nos Estados Unidos. Em poucas semanas, a série coreana tornou-se o maior sucesso da história da Netflix — e deu um forte impulso aos resultados da companhia no terceiro trimestre de 2021.
Batatinha frita 1-2-3
Antes de mergulharmos nos indicadores financeiros da Netflix, vale a pena destacar alguns números de Round 6. Segundo a Netflix, 142 milhões de assinaturas assistiram a série coreana nas quatro primeiras semanas de exibição — o lançamento foi em 17 de setembro. Para se ter uma ideia, o recorde pertencia à primeira temporada de Bridgerton, com meros 82 milhões de contas no mesmo intervalo de tempo.
Leia Também
Round 6 ainda ficou no primeiro lugar no ranking de conteúdo mais assistido em 94 países, incluindo os EUA — um dado importante e que serviu para dar um empurrão no número de novas assinaturas em quase todas as regiões do mundo. Por tabela, outras séries e filmes da Netflix também tiveram um ganho de audiência.
Segundo reportagem da Bloomberg, o sucesso estrondoso de Round 6 rendeu à Netflix quase US$ 900 milhões em 'valor de impacto', a métrica usada pela empresa para avaliar o desempenho de seus conteúdos. Um senhor retorno, considerando que a série custou menos de US$ 25 milhões para ser produzida.
Netflix e Round 6: salto nas assinaturas
Os fatores levados em conta no tal 'valor de impacto' não são públicos, o que torna essa métrica um pouco confusa. Sendo assim, vejamos a boa e velha receita líquida: a Netflix reportou US$ 7,48 bilhões no terceiro trimestre, um aumento de 16% em um ano; a receita operacional subiu 23,5% na mesma base, para US$ 1,76 bilhão.
O lucro líquido chegou a US$ 1,45 bilhão, quase o dobro do visto no terceiro trimestre do ano passado — o lucro por ação (LPA) de US$ 3,19 ficou acima do consenso do mercado, de US$ 2,56, segundo dados da Refinitiv.
Mas a métrica que todos realmente estavam de olho é a de novos assinantes, e a Netflix não decepcionou. Ao todo, 4,4 milhões de usuários foram adicionados à base do serviço de streaming entre julho e setembro deste ano, bem acima das projeções da própria empresa, de 3,5 milhões de pessoas.
Foi o melhor trimestre da Netflix em termos de novos assinantes no ano. E, melhor ainda: para o quarto trimestre, a companhia estima que mais 8,5 milhões de pessoas comecem a usar seus serviços no quarto trimestre, período sazonalmente mais forte — férias e festas de fim de ano aumentam o tempo de conteúdo visto.
Além desse fator, também há um volume maior de estreias nos próximos meses: novas temporadas de The Witcher, Tiger King e Cobra Kai, séries bastante populares no mundo, e o último capítulo de La Casa de Papel, devem manter o interesse na Netflix em alta. E, é claro, há ainda o sucesso residual de Round 6, que deve continuar trazendo novos assinantes à base.

Dito isso, o gráfico acima mostra que, mesmo com o resultado surpreendente do terceiro trimestre e a projeção bastante forte para os três últimos meses, o ano de 2021 ainda será o mais fraco em termos de novas assinaturas desde 2017. Round 6, pelo menos, ajudou a evitar o desastre que se desenhava ao fim de junho.
Em termos de regiões geográficas, a Netflix teve um desempenho particularmente forte no mercado da Ásia, Oriente Médio e Pacífico, com 2,2 milhões de novos usuários. Até mesmo a área dos EUA e Canadá, que vinha perdendo assinantes, reagiu no trimestre: foram 70 mil novas contas no período.
Netflix (NFLX34): reação na bolsa
No começo do texto, falamos num teto que foi batido pelas ações da Netflix na Nasdaq já em 2020. Esse patamar girava ao redor dos US$ 550 — sempre que os papéis chegavam a esse nível, entravam em rota de realização. Só que, de uns dias para cá, houve uma corrida intensa pelos ativos do serviço de streaming.
Os investidores, é claro, perceberam que o sucesso de Round 6 se traduziria em benefício financeiro para a Netflix. Assim, muita gente montou posição na empresa nas últimas semanas, antecedendo o balanço forte. Nesta terça-feira (19), as ações da companhia fecharam em leve alta de 0,16%, a US$ 639 — muito perto da máxima histórica. Em um mês, os ativos saltaram 11%.
A confirmação dos bons resultados não deu impulso adicional aos papéis no after market de Nova York: por volta das 18h25 (horário de Brasília), as ações da Netflix recuavam 0,38%. Ainda assim, a manutenção dos patamares de preço elevados confirma que o humor do mercado em relação à empresa parece ter mudado.
E na B3? Por aqui, os BDRs da Netflix (NFLX34) também passaram por um rali; nesta terça, encerraram cotados a R$ 71,40, em alta de 1,42%. Desde o começo do ano, já acumulam ganho de mais de 30%

O PREÇO DA “GENEROSIDADE”
Petrobras (PETR4) caminha para um dos maiores dividendos do mundo. A ação ficou cara demais para comprar agora?
23 de setembro de 2026 - 14:25NOVO FILÃO DE CRESCIMENTO
Maior alta do Ibovespa hoje: Magazine Luiza (MGLU3) sobe na bolsa após decisão de agência do governo; entenda o que mexe com a varejista
23 de setembro de 2026 - 13:58GOVERNANÇA CORPORATIVA
O conselheiro é independente mesmo? Indicação pelo controlador é comum; saiba quando ela vira um problema para a empresa
23 de setembro de 2026 - 12:33SOB PRESSÃO
Braskem (BRKM5) vira campo de batalha: MP questiona processo e credores exigem que Petrobras (PETR4) e IG4 paguem parte da conta
23 de setembro de 2026 - 11:35PROVENTOS
Mais de R$ 600 milhões aos acionistas: confira quem tem direito a receber o JCP da Localiza (RENT4)
22 de setembro de 2026 - 19:27TERMÔMETRO DAS ELEIÇÕES
O mercado já escolheu seu cavalo eleitoral? Banco do Brasil (BBAS3) dispara 26% na bolsa, mas a conta não fecha só com as urnas
22 de setembro de 2026 - 17:03UM BOM NEGÓCIO?
Santander quer comprar seu papel SANB11 — mas o que o minoritário ganha ao trocar as ações por BDRs?
22 de setembro de 2026 - 14:16EXPANSÃO
Vale (VALE3) compra 30% da Ligga por R$ 972,36 milhões e prevê expandir capacidade em quatro vezes; qual o plano da mineradora?
22 de setembro de 2026 - 14:01ABRE E FECHA
JBS (JBSS32) fecha capital e J&F quer ser aberta no Brasil: o que muda para o investidor em ações e debêntures na B3
22 de setembro de 2026 - 11:43DE A PARA B
Entre JBS e J&F: o xadrez financeiro dos irmãos Batista na B3
21 de setembro de 2026 - 19:37PREPAREM O BOLSO
Dividendos e JCP: empresas anunciam mais de R$ 600 milhões aos acionistas; saiba quem paga e quando receber
21 de setembro de 2026 - 19:13SINERGIAS
Fusão com a Afya pode turbinar lucro da Yduqs (YDUQ3) e deixar ação mais barata, segundo Itaú BBA; veja o possível prêmio
21 de setembro de 2026 - 17:41A PENEIRA DOS BANCÕES
Itaú, Bradesco ou Banco do Brasil: BofA escolhe seu favorito na B3 — e deixa uma ação de escanteio
21 de setembro de 2026 - 15:57ALÉM DAS FRONTEIRAS
Petrobras acena com descobertas de gás na Colômbia. Aonde a estatal quer chegar?
21 de setembro de 2026 - 14:04ACESSO AO MERCADO DE CAPITAIS
J&F, dos irmãos Batista, pede registro de companhia aberta na CVM: entenda o plano da gigante para ser mais que uma holding
21 de setembro de 2026 - 11:04MAIS UM PASSO
Braskem (BRKM5) vai deixar a B3? CVM dá sinal verde para OPA. Saiba o que isso significa para os acionistas minoritários da petroquímica
21 de setembro de 2026 - 10:42MARGEM EQUATORIAL
Petrobras (PETR4) e MPF entram em briga pela exploração de petróleo na Foz do Amazonas. Qual é o impasse?
21 de setembro de 2026 - 10:29ENTREVISTA EXCLUSIVA
Bradesco (BBDC4) está prestes a receber R$ 10 bilhões para crescer, mas não vai acelerar: “Não queremos voo de galinha”, diz CFO
21 de setembro de 2026 - 6:15COMPRA OU VENDER
Vale (VALE3) no olho do furacão? CEO da mineradora abre o jogo; Citi e Itaú BBA dizem o que você deve fazer com a ação
20 de setembro de 2026 - 13:33MERCADO USA A RÉGUA ERRADA?