Melhora muito aguardada: Cogna (COGN3) sobe com trimestre melhor que o esperado, mas futuro ainda inspira cautela
Empresa diminuiu bastante seu prejuízo, mas analistas preferem esperar um ponto de inflexão mais claro na geração de caixa livre

A Cogna (COGN3), um dos maiores grupos de educação do país, vinha decepcionando os acionistas com os últimos balanços. Podemos até dizer que, se fosse um aluno, estaria com o boletim recheado de notas vermelhas.
Mas desta vez foi diferente, o segundo trimestre de 2021 da empresa veio acima das expectativas dos analistas. Por isso, a ação fechou em alta de 1,53% nesta sexta (13), a R$ 3,32, depois de ter chegado a avançar mais de 4% ao longo do dia.
No período, o grupo registrou prejuízo líquido ajustado de R$ 20,376 milhões, uma redução de 85,4% nas perdas na comparação com o segundo trimestre de 2020 (quando registrou prejuízo de R$ 139,987 milhões), e bem abaixo dos R$ 84 milhões estimados por analistas da XP. Ou seja, ainda sem notas azuis, mas talvez aprovado no “conselho de classe”.
A receita líquida reduziu 5%, para R$ 1,3 bilhão, resultado 11% acima das expectativas da XP. De acordo com a empresa, a pressão sofrida pelo ensino presencial em decorrência das medidas de isolamento foi parcialmente compensada pelo crescimento observado nas receitas de ensino superior à distância e da unidade Vasta.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) somou R$ 292,216 milhões entre abril e junho, ante resultado negativo de R$ 139,485 milhões de igual etapa de 2020.
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Já o Ebitda recorrente totalizou R$ 329,517 milhões no trimestre, avanço de 173,2% frente ao mesmo período de 2020, com a margem de 25,3%, notavelmente superior à de 8,8% registrada no ano anterior.
Segundo a empresa, a melhora refletiu a menor taxa de alunos inadimplentes e a diminuição dos gastos com docentes.
Outros destaques do balanço
- A geração de caixa operacional pós-capex (GCO) acumulada no semestre foi de R$ 197 milhões, ante um consumo de R$ 2 milhões no primeiro semestre do ano anterior.
- A relação dívida líquida/Ebitda ajustado dos últimos 12 meses atingiu 2,13 vezes, abaixo do limite de 3 vezes.
A companhia anunciou processo de captação de R$ 1,25 bilhão, que serão utilizados para alongamento do prazo médio da dívida.
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Operacional
Entre os destaques operacionais, a empresa cita o crescimento de 12,4% da base de alunos do segmento digital no segundo trimestre, enquanto sua receita cresceu 18,1%, com destaque para o EAD Premium.
"A combinação do crescimento na base de alunos digital com medidas adotadas pela administração da companhia para otimização de custos e despesas resultou em uma melhora na margem Ebitda Recorrente acumulada de Kroton em 28,6 p.p., mesmo com uma redução de receita do período", afirma.
Já a Vasta registrou crescimento de R$ 31 milhões, ou 28,1%, na receita líquida, devido ao aumento observado na receita de todos os segmentos, principalmente subscrição ex-PAR (sistemas de ensino tradicionais e soluções complementares), que cresceu R$ 14 milhões.
"Após um difícil ano em 2020, a Cogna dá mais um importante passo de consolidação da retomada de performance, visando a construir o mais completo e digital ecossistema de educação do Brasil. Com esse grande objetivo pela frente, a empresa tem sido consistente com a estratégia de alocação de capital, priorizando segmentos e modelos de negócio asset light”, destaca a companhia.
Futuro ainda inspira cautela
Mesmo com essa melhora verificada no segundo trimestre, os analistas ainda estão cautelosos em relação à capacidade da Cogna de continuar a recuperação e voltar a oferecer lucro aos seus acionistas.
Tanto a XP quanto o BTG Pactual mantiveram recomendação Neutra para a ação. A primeira tem preço-alvo de R$ 5,10, o que representa um potencial de alta de 50%. Segundo os analistas, “ainda é cedo para mudarmos a visão estrutural sobre a empresa”.
No caso do BTG Pactual, o preço-alvo foi revisto de R$ 4 para R$ 3,50, muito próximo do valor registrado hoje, pouco abaixo dos R$ 3,40. Isso por conta do aumento do custo de capital no Brasil.
Segundo o banco, a reestruturação feita pela Cogna começou a mostrar resultados no segundo trimestre. Mas o cenário para a empresa ainda é bastante desafiador. “Preferimos manter certa cautela à espera de um verdadeiro ponto de inflexão na geração de caixa livre pela Cogna”.
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